FAZ

violenciaBenaventeA partir dos 3 posters que trouxemos de Serralves, aquando da nossa visita à exposição Como (…) coisas que não existem – uma exposição a partir da 31ª Bienal de São Paulo. Os mesmos integram a instalação  ” Violência” de Juan Carlos Romero, que expõe o regime militar da Argentina. Um monte deles estava disponível no chão, junto à instalação, talvez para nos provocar, enquanto público…pois nós trouxemos 3 enroladinhos e assim ficaram enquanto andei a amadurecer a ideia do que poderia fazer com eles. Ontem senti que os rolinhos chamavam por mim.
O resultado foi uma renovação no aspeto da parede da cozinha. Agora com uma instalação nossa contra a violência. FAZ é composta por 5 telas forradas com os posters onde acrescentámos o nosso protesto em frases escritas a carimbo. Faz pontes, faz amigos, faz a paz, faz amor.
FAZ  – uma parede de imperativos diários para qualquer um de nós lá de casa.

“Quando se propõe a criar, Juan tem em mente que a obra só terá o seu ciclo completo quando o espectador interferir nela. Para tanto, ele cria desafios semânticos, utilizando a palavra como punho de força extrema e que dobra a ótica do espectador a uma leitura diferente. Pode não ser confortável, esse esporro mental. Mas o desconforto leva a reflexão.”

Assim FIZEMOS.
fazpontes

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Nesta instalação “Juan Carlos Romero não poupa a violência. É violento com a a grafia e imprime num murro letras negras contra o papel; é violento com a literatura e com a mídia, mordendo-as, arrancando pedaços e cuspindo-as em suas instalações. É violento com o espectador, obrigando-o a decifrar, a ler de um modo que o pescoço doa. Por fim, é de uma violência amarga contra a violência e enxerga-a como fenômeno chave para compreensão da história latino-americana. Juan Carlos Romero é a mandíbula que se fecha bruta.
A hiper textualização carnal na obra de Juan Carlos Romero é fruto de um entendimento da arte como resposta ao meio em que ela nasce. Quando o artista argentino fala sobre a violência, sua banalização e presença massiva, ele fala de uma América Latina que tem esse estigma de sangue e de revolução suprimidas com brutalidade.
Quando se propõe a criar, Juan tem em mente que a obra só terá o seu ciclo completo quando o espectador interferir nela. Para tanto, ele cria desafios semânticos, utilizando a palavra como punho de força extrema e que dobra a ótica do espectador a uma leitura diferente. Pode não ser confortável, esse esporro mental. Mas o desconforto leva a reflexão.
Na obra Violência,apresentada na 31ª Bienal de São Paulo, ele construiu uma instalação em três setores: No primeiro, ele cola no chão e no teto, pulveriza, a palavra violência escrita grande em postêres. Na segunda parte, ele aglutina fragmentos de diversos autores que falaram sobre violência. Já no terceiro, notícias sobre repressão policial foram espalhadas com carimbos da palavra violência. A obra nasceu em 1973, período turbulento do regime militar na Argentina
Morde, abocanha, conceitualiza, extravia um olhar, o ensina. O ensaísta e militante Frantz Fanon acreditava na violência do oprimido como resposta a violência do opressor. Juan Carlos Romero transforma a violência em arte gráfica, que não tem menos força do que um tapa desferido na cara ou que o ardido nos olhos depois de um soco.

Artigo retirado DAQUI.

OUTRORA FÁBRICA, AGORA CREATIVE FACTORY

Olivabazar.jpgAproveitando as instalações da antiga metalúrgica, o município de São João da Madeira está a dar vida a um projecto de incentivo às indústrias culturais e aos negócios criativos. Em 1925, António José Pinto de Oliveira fundou a empresa Oliveira, Filhos & Cª. Ldª dedicando-se a criar um verdadeiro Império do Ferro que produziu os mais diversos produtos metalúrgicos, dos quais são bastante conhecidas as máquinas de costura e as banheiras, entre muitos outros que ali se produziam. A empresa tornou-se verdadeiramente conhecida, em Portugal e no estrangeiro, através da máquina de costura OLIVA e de um arrojado plano de comercialização através do qual foram criados centenas de pontos de venda no País e nas ex-colónias portuguesas, todos eles devidamente sinalizados com grandes e luminosos reclamos publicitários da marca.
O Município olhou para as antigas instalações da histórica metalúrgica Oliva como um desafio. E identificou uma enorme oportunidade de desenvolvimento nesse espaço em ruína que, então, constituía um problema por resolver no centro da cidade. Assim nasceu a ideia de reabilitar estas antigas instalações, valorizando toda a área em termos urbanísticos e ambientais. Deste modo ficou preparada para acolher a Oliva Creative Factory, um projeto inovador e de qualidade internacional, vocacionado para maximizar o potencial individual, social e empresarial dos empreendedores e das suas empresas (a partir do site). Foi para os lados desta fábrica criativa que andámos este fim de semana, aproveitando uma festinha de meninos e as portas abertas pelo Bazar de Natal.
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No espaço da Oliva Creative Factory, onde este fim de semana houve Bazar de Natal, ficámos a conhecer mais alguns projetos de grande qualidade do design português! Foi também por lá que nos cruzámos com velhos amigos de sempre. São bons estes encontros (in)esperados que o tempo livre nos permite e o Natal promove. E como foi curioso reparar que entre nós, que outrora nos encontrávamos sobretudo em duplas de casais novos, sempre com tanto tempo para conversar sobre os projetos profissionais e os desafios que todos abraçávamos com enorme disponibilidade, passámos a ser duplas rodeadas de outras duplas (e triplas) e a ter como desafios permanentes e mega absorventes a prole que passou a concorrer com as concorrer com as boas conversas, quando as conseguimos manter por mais de 5m sem sermos interrompidos com uma vontade de fazer xixi ou a fome de lanche!
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Do design e da animação do bazar seguimos para o núcleo expositivo da Oliva, na zona 2, outrora espaço emblemático da indústria de S. João da Madeira onde agora nos podemos perder voluntariamente na fruição e contemplação das variadíssimas obras da Coleção Norlinda e José Lima [O Núcleo de Arte abriu com a exposição COLECÇÃO NORLINDA E JOSÉ LIMA – UMA SELECÇÃO, comissariada por Miguel Amado], composta por artistas e projetos interdisciplinares onde se cruzam o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia e o vídeo.  José Lima, reconhecido empresário de S. João da Madeira, começou este espólio em inícios da década de 1980 fruto do seu interesse e entusiasmo pela cultura. O acervo exemplifica as tendências da arte internacional e nacional criada entre o pós-II Guerra Mundial e o presente.
Nesta tarde, sem combinarmos e sem contarmos, tínhamos a preceder a nossa visita livre pelo espaço (com as contingências de termos 3 crianças curiosas com olhos nas mãos…cuidado, MUITO CUIDADO porque até Julião Sarmento correu sérios perigos), o próprio José Lima.
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“A Colecção Norlinda e José Lima compreende, actualmente, cerca de 1000 obras. Integram-na mais de 100 artistas estrangeiros e portugueses, dos quais se destacam Andy Warhol, Joseph Beuys, Antoni Tàpies, Malangatana, Cindy Sherman, Kcho e Damien Hirst, bem como Paula Rego, Julião Sarmento e Miguel Palma. Compõem-na disciplinas tão diversas quanto pintura, desenho, escultura, fotografia e vídeo.
A exposição traça uma panorâmica da Colecção Norlinda e José Lima. Como é típico do coleccionismo privado, tanto a nível nacional como internacional, este acervo define-se pelo seu ecletismo, cruzando gerações e estéticas. A exposição reflecte esta característica. Assim, reúne numerosos artistas estrangeiros e uma selecção de artistas portugueses filiados em tradições distintas e protagonistas de práticas plurais. A exposição enuncia as singularidades da Colecção Norlinda e José Lima. Ao contrário da generalidade dos acervos privados existentes em Portugal, este tem obras de múltiplos artistas estrangeiros. Simultaneamente, alguns destes artistas estrangeiros provêm de geografias “emergentes”, complementando artistas radicados no Ocidente que constituem o corpo central da maioria dos acervos privados e mesmo públicos.”
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O Sebastião perante Júlio Pomar.
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Benidorm 2007, uma obra de Chus García Fraile

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O Salvador com cara de “nhaccc” com a surpresa do “anão que estava a tomar conta da exposição”? Afinal era apenas o tio Balta de Enrique Marty.
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Os desportistas, Pedro e Sebastião, diante do jogador multimarcas de hóquei de Andy Warhol.

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A culminar a visita duas obras com as cores familiares de Malangatana, artista plástico e poeta moçambicano, conhecido internacionalmente.

O ESTADO DO BOSQUE, porque tudo é caminho

Lisboa aqui tão perto, num sábado de ir e vir, com estradas e agendas desimpedidas. Numa metade de dia sem manos, mas bastante bem acompanhados, trouxemos quilómetros (d)e reflexoes oportunas para início de quaresma e mais uma peça encaixada no coração.
Pela cidade, sinais remotos de uma manifestação contra a troika, com desvios e os solavancos das voltas ao bairro que é alto.  Para os lados do Princípe Real, uma esplanada cosmopolita em redor do Quiosque de Refresco, bebemos a última e mais acertada indicação da tarde de dois quarentões que podiam ter ambos saído d’”O Alfaiate Lisboeta“. Foram eles que nos guiaram, não no Bosque, mas ao Teatro da Cornucópia. Lá dentro uma MORADA de escuridão e luz onde entrámos nessa tarde interior. Cá fora ficou um ex-Ministro (Guterres), ao lado do Pedro sentou o autor do texto. Confesso que fui sendo absoervida pelo estado do bosque. Passadas 24 horas sinto que ainda preciso de andar pela escuridão a escutar-me, para perceber o impacto do que ali vi(vi).

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John Wolf |  Quem apenas quer a meta não viaja.
Peter | Eu sou apenas um estranho à beira de um bosque.
John Wolf | Um dia os homens deixarão os aviões, os transatlânticos, os comboios de alta velocidade, os automóveis para regressar aos caminhos do bosque.
Peter | E que oferecem aos homens esses caminhos? Por alguma razão foram abandonados.
John Wolf | Preferimos o sacrifício mais absurdo. O progresso técnico, e só técnico… cada vez mais sofisticado. Mas em relação aos caminhos interiores não é assim. Tem um coração e serás salvo.
Peter | Mas isso é o passado. Saímos dos bosques há milhares de anos. Donde virá o novo?
John Wolf | O mundo ficou sombrio e severo.
Jacob | As tuas palavras assustam-me.
John Wolf |  O falcão deixou de contar conosco para que o ensinemos a voar.
Peter | Enigmas e mais enigmas.
John Wolf | Não tens de escutar. Tens de te escutar.
Peter | Mas pode um homem escutar a sua escuridão?
John WolfTudo é caminho.
Jacob | Por isso viemos até ao bosque, para que nos conduzas.
In O Estado do Bosque
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Na quarta cena – de um total de sete – uma oração que conhecemos como  “Pai-nosso” aparece adulterada, assumindo o “Nada” um papel  central: «Nada nosso que estás no Nada/ Seja Nada o teu nome/ Venha a nós o  Nada do teu reino/ Seja claro o Nada da tua vontade/ Assim na Terra como no Céu./  O Nada que nos alimenta nos dá hoje/ Perdoa-nos sempre que não formos Nada/  Como tentaremos perdoar a cada uma das tuas criaturas/ Não nos deixes incorrer  em tentação/ E livra-nos de não sermos o teu Nada».

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“O Estado do Bosque” «é, assumidamente uma peça poética» afirma Luís Miguel Cintra, encenador e co-diretor do Teatro da  Cornucópia, que explica, “acho que a peça fala de religião, mas de modo tão alheio ao cheiro  da sacristia que pode interessar a não crentes”.

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«Há um bosque. Há um cego que é o único que pode guiar os  outros na travessia do bosque: John Wolf. Há o destino que pensava vencer o  cego. Há um homem de meia idade e um homem mais novo que acabam por atravessar  o bosque com o cego. Há uma rapariga que fica de fora: Vivianne Mars. John Wolf  reza outra versão da “oração que Deus nos ensinou”. + HISTÓRIA
 
O texto do padre e poeta é encenado por Luís Miguel Cintra, que também interpreta a peça juntamente com David Granada, Nuno Nunes e Vera Barreto. Estreou a 7 de fevereiro e as 17 sessões, já com as extras pelo meio, demonstram bem o interesse que a mesma tem despertado. “O Estado do Bosque” fica em cena até 24 de  fevereiro, de terça a sábado às 21h00 e aos domingos às 16h00.

DE OLHO[S] NA[S] RUA[S]

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O arranque informal de uma espécie de WORK IN PROGRESS pessoal para este ano. Porque os S’s nos perSeguem. Eyes wide open, por enquanto no mundo para, como ESPERO concretizar uma experiência de Primavera na Terra dos Que Vivem Aqui…
surprise!!!!
Estas foram registadas na cidade do Porto, na passada sexta-feira, a subir até  Santa Catarina.

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245# REWIND

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Passamos os dias a queixarmo-nos que tudo passa a correr e que o fim de semana voa. A verdade é que NÓS POR CÁ não somos excepção, teríamos mais uma dezena de opções se o dia tivesse mais horas, mas a verdade é que sempre que faço rewind reparo que vivemos imensos momentos especiais, que andámos a maior parte do tempo juntos e que nesse TEMPO cabem experiências variadíssimas e enriquecedoras.
Isto só pode querer dizer que gostamos de viver, de conhecer e desfrutar, de estar no mundo de forma ativa. É isto que queremos passar como herança e ensinar aos nossos filhos. Que não precisamos de viver numa cidade para sermos urbanos ou vivermos uma vida cultural e social intensa. Também aqui somos do mundo. Que nem sequer  precisamos de ter muito dinheiro, nem sermos os mais inteligentes, muito menos ocuparmos lugares de destaque para SERMOS BOAS PESSOAS.

Queremos que eles vivam e percebam que TODOS, mas mesmo TODOS temos a liberdade e a possibilidade de SERMOS QUEM SOMOS, onde quisermos, e que podemos colocar aquilo que aprendemos, admiramos e somos ao serviço dos outros e dos sítios onde pertencemos, mas também que jamais o FAREMOS SOZINHOS.

Neste fim de semana, em que não faltaram momentos bons, andei a pensar nisto – NO VALOR QUE AS PESSOAS PODEM ACRESCENTAR AOS SÍTIOS AOS QUAIS PERTENCEM.  É isto que queremos ensinar os NOSSOS filhos: o bem, o bom, o belo e o possível só dependem de nós. E se isto começa em nós, segue obrigatoriamente na família, e continuará em tudo onde nos movemos…é esse o valor que temos a acrescentar O QUE SOMOS.

festinhacentrosocialSebastião & friends na Festa de Natal do Centro Social e Paroquial S.Pedro da Palhaça.
TaMar_ilhavoTá Mar, um projeto teatral comunitário apresentado para assinalar os 75 anos do Museu Marítimo de Ílhavo. Um texto de Alfredo Cortez, representado em 1936, que foi um sucesso do teatro Português, foi este fsm revisitado de forma criativa e contemporânea com forte envolvimento da comunidade local. Uma forma simples e simultaneamente brilhante de partilhar o património cultural mítico das comunidades de pescadores, levada ao palco com gente comum através do trabalho do encenador Graeme Pulleyn. Gostámos muito!
pequenosatletasgrandescampees
Este ano, quatro amigos do Salvador aceitaram o desafio e saltaram da cama enfrentando as baixas temperaturas para vestirem o dorsal do XI Grande Prémio de Atletismo da Palhaça, organizado pela ADREP. Contentes e de sorriso ofegante, cruzaram a meta, com vontade de regressar novamente. Os benjamins ainda tiveram direito a uma troca de impressões com a ex atleta Olímpica e madrinha desta prova, Rosa Mota.
meteManos

232# AINDA HÁ CANÇÕES DE AMOR, ILUSTRAÇÕES DIVERTIDAS E PEÇAS ÚNICAS

De amigos que não desistem do ímpeto criativo e o transformam em criações, eventos, produtos, lembranças, canções, ilustrações…and so (THEY ARE ) on…peças ÚNICAS! Pessoas que acreditam que o prazer e o desafio são fundamentais na vida de todos os dias. Não deixem de espreitar as ilustrações da RITA, from coruña with love, as criações personalizadas em ponto Caramelo, que carregam histórias que nos derretem o coração ,e as peças manufacturadas, tecidas entre as Mãos & Linhas, da Ana Paula.


CATITA ILLUSTRATIONS, cool gifts for cool kids | blog  | online store
Rita is a friend a portuguese illustrator based in La Coruña, Spain, who love creating illustrations, happy animal characters & cool gifts for cool kids. She also loves doodling and sketching all the time. In spare time, she enjoys being a mom, being with the ones she loves, traveling, cooking… like she shares:“Drawing is an old passion! I hope you enjoy my work. See you soon folks ;)”.

CARAMELO, COISAS QUE SE DERRETEM NO CORAÇÃO | blog | clique & prove

Quando nasceu a Liliana Moreira caiu num pote de doces redondo e irresistível. Só que, em vez de chocolates e cremes açucarados, estava recheado de letras e sons!
As crianças não sabem que nem tudo o que parece é, e nem tudo o que é parece bem. Colocava então os dedos na boca a pensar que seriam trufas e comia frases a sonhar com bolos! Até que um dia as palavras começaram a desabrochar dos dedos. Primeiro enrolavam-se nas mãos miúdas, mas logo cresceram, com o resto do corpo. Depois de alguns anos transformaram-se, finalmente, em CARAMELO. A provar que as ideias também se fazem com coisas doces… que se derretem no coração!
“E quantas vezes não procurou “o” presente, aquele que conquista sorrisos e acaba no maior abraço?  Assim nasceu a CARAMELO: porque sabemos que há coisas que se derretem no coração!”


Mãos & Linhas | blog | montra online
Conheci a Ana Paula Lopes no MOUVA, Mercado de Objetos Usados Víveres e Artesanato da Palhaça, em 2009. Encanto imediato pela pessoa e pela simpatia e carinho que, juntamente com o tempo livre, percebi que ía (e vai) convertendo numa variedade de trabalhos manuais que envolvem panos, tecidos, lãs, papéis e outros materiais que tais. Na montra da Mãos & Linhas  fui vendo passar sacos, gorros, chinelos, brincos, bonecas de pano. Todos personalizados, únicos que foram saindo de mãos inquietas e apaixonadas por entrelaçar materiais. A Ana é imparável e está em todas: online, feiras de artesanato, lojas de culto, iniciativas culturais da cidade de Aveiro e arredores, projectos criativos e comunitários. Estamos perante uma empreendedora…e olha se fosse a tempo inteiro?

215# WE ARE SO LUCKY!

Receber uma carta via CTT, sem ser recibo, convite, convocatória ou publicidade inconveniente, é nos dias que correm um enorme prazer. Sabem disso tantos amigos que nos conhecem e que têm feito chegar à casinha-caixinha do Benavente as paisagens mais bonitas das suas férias, as palavras dos passeios e as memórias que levam de nós.
Regressar à vila, um destes dias, antes das 18h00 para ainda apanhar o vermelhinho dos CTT  aberto e receber em braços uma encomenda grande e frágil –  “não dobrar pfff” – foi o gesto que faltava para aliviar uma semana cinzenta. À minha frente um pacote repleto de ternura(s) que fui desenlaçando, delicadamente, uma a uma, no carro. Enquanto chovia lá fora, o meu olhar alagava-se com uma medalhinha de sorte a embalar a primeira peça de roupa pequenina nesta 3ª viagem de mãe.

WE ARE SO LUCKY!
Um pacotinho com laços, malva e um io-io de madeira; postais e envelopes que vou querer preencher de palavras doces e duas serigrafias onde apetece deixar ficar o olhar e se inscrevem os nomes que saltitam no nosso coração de pais. Tão delicadamente desenhadas, de exemplo e inspiração, as mesmas letras que um menino anda a soletrar e a aprender a redigir nos seus primeiros cadernos da escola.

São também estes os sinais, que se derretem no coração, que fazem o que é importante, nomeadamente pessoas PRESENTES. E estes dois amigos são eles próprios uma caixinha de dons, uma dupla criativa com um nome doce – CARAMELO –  que fazem coisas fantásticas para que outros possam comunicar e partilhar momentos e lembranças inesquecíveis.

“Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Temos certamente amigos dos dois tipos. Com alguns, a nossa amizade cimenta-se na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume que nos alumia. Com outros, a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar”.Tolentino Mendonça, In Nenhum caminho será longo – Para uma teologia da amizade