HAPPY END

crazykidsJUNHO2013

A avó termina o jantar e chama o avô. O avô vem cá fora, umas poucas vezes, chamar os netos. Os netos armam a confusão, em meio metro de caixa de areia. O Sebastião desmancha o túnel do Salvador. O Salvador enche a cabeça do Sebastião de areia. A Catarina manda vir com ambos e tenta travar a confusão que se instala com uma sugestão de transição:
 – E se vocês se pendurassem na árvore e tirassemos uma fotografia juntos?
Assim foi. O Salvador sobe e faz caretas. O Sebastião vai subindo e enconstando-se começa a apertar o irmão. A mãe procura equilibrar-se e não dar em doida durante dois segundos. O Salomão dispara o maior arroto da vida dele e bolsa seguramente 500 ml de leite. Rimo-nos que nem uns perdidos e vamos jantar. A balbúrdia continua, em fases e connosco em turnos de patrulha. Já os meus cabelos brancos multiplicam-se sempre ao serão, tal como as certezas que tudo isto é incrivelmente único. Os três assim em redor do meu regaço numa tarde quente de julho…

NÊSPERAS da nesPEREIRA

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E VIVA A nêspera, muito em voga na cesta da fruta por estes dias. Nós gostamos sobretudo das que chegam do quintal dos avós, tortas, ainda com ramos com marcas do acaso natural e das investidas de passáros. Este ano têm chegado em farturinha robusta de doces formatos. Nêsperas que se foram pendurando numa nespereira livre de químicos, tubos de ensaio e calendários de produção. Jamais passariam nos parâmetros de qualidade exigidos por leis que mandam para o lixo e desperdício quantidades assombrosas de BOA FRUTA portuguesa todos os dias.
A sorte destas é que tem que têm quem as (a)colha, as limpe ao avental todos os dias e as vá saboreando – às mãos cheias – ali mesmo, quando o sol de fim de tarde cai a pique e a minha mãe se abriga na mãe destas nêsperas.
– “Fruta apanhada da árvore tem outro sabor, não acham meninos?”, repete em retórica. Tem toda a razão, mas o que ela não sabe é que toda a fruta que chega num saquinho com cuidados de mãe é de uma ternura e sabor irresistíveis- Até para meninos esquisitos. nesperas.jpg

As nêsperas possuem propriedades anti-inflamatórias, podem ser úteis em casos de gastroenterite e para fortalecer o sistema imunológico devido ao seu alto teor de vitamina C.As nêsperas são ricas em betacaroteno, fibra, potássio e vitamina A, fazendo maravilhas nos cabelos, pele e olhos.nesperas4.jpgAlguns dos benefícios do consumo das nêsperas: melhorar o sistema circulatório; ter um efeito adstringente; ser uma fruta tonificante e diurética; serem dequadas a todas as dietas pois é pouco calórica, porque rica em cálcio e em fósforo; reduzi o colesterol; diminuir a prisão de ventre devido ao alto teor de fibras e ter efeito protetor das mucosas do estômago e do intestino.

Cada 100 gramas de nêspera possui apenas 45 calorias. Podem ser consumidas em forma de fruto fresco, sumo de fruta ou na confecção de alimentos como tortas e bolos.nespereira.jpg

EU MÃE, nesse “infinite love”

eumae.jpgAos 33, sinto-me a cada ano MAIS FILHA a cada dia mais MÃE. Filha de uma árvore de mães onde sempre me fizeram sentir que se  sonhasse o bastante, tentasse o suficiente e amasse o outro, conseguiria alcançar tudo.
Num dia da mãe deveras especial, pelo trio gerado em mim, e depois de um almoço com todas as noSSas mãesS, aproveito a antecâmara do primeiro sono para agradecer tudo o que ELAS são em nosso redor e na educação dos nossos e lanço o desejo profundo de crescer como elas, em generosidade e bondade. De olhos postos em Maria ,levando o mundo todo para ELES.
eumae2.jpgSe depender de mim serei sempre a TERRA deles. Vou amá-los mais do que sei e vou abraçá-los até me doerem os braços de tanto os apertar contra o peito, para que o nosso amor seja este lugar quente e mágico que nos faz sentir importantes e eu o seu abrigo de sempre. Ou como diria o Sebastião, no primeiro encontro comigo depois do Salomão nascer, apontando para a minha barriga:
– Mãe, posso ir eu aí para dentro um bocadinho?

A PENAS, ACHO QUE UMA QUESTÃO DE TEMPO

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UM DIA ELA VAI VOAR DAQUI (anotem isto: mais tarde ou mais cedo, esta será uma história de liberdade. Não me habituo muito a gaiolas nas proximidades).
A PENAS é a mais recente habitante da Casa do Benavente. Uma promessa antiga que chegou a tempo de desviar alguns focos de atenção, de treinar o cuidado e estou em crer que para discutirmos e testarmos o tema liberdade.
Por aqui não nos faltam pássaros, nem cantorias, muito menos espaço e que cuidar, mas há muito que a gaiola da avó Alice estava com lotação esgotada. O T0 da família da penase  encolheu com ela há ano e meio. E depois, uma promessa feita a uma criança dificilmente pode ficar por cumprir.
Batizada pelo Salvador, a PENAS é apenas e só uma rolinha vulgar, bonita, de colar negro ao pescoço, que mudou de suite este fim de semana. Hoje foi o centro das atenções de dois meninos que passaram o tempo a inventar refeições, mudanças de água, conversas singulares, embalos de baloiço e  olhares de vigilância. Os inícios de qualquer relação…

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Eu, que agora fiquei aqui com ela a sós, ouvindo ALTAR PARTICULAR, de Maria Gadú entre a cantoria dos que por aqui chegam, ficam e partem sempre livres, estou num grande dilema. Apetece-me inventar uma fuga escancarada e deixá-la voar, mas vou tentar dominar-me e dar tempo ao tempo para que eles percebam que das duas uma: ou também eles não aguentem esta visão de roubarmos a liberdade de quem tem asas. Como os livres QUE POR AQUI, e nos visitam, a quem sacudimos a toalha das nossas refeições e a dela, uma ave, numa gaiola bonita, bem tratada. Espero que muito em breve APENAS possa ser uma lição de LIBERDADE entre nós.medosereceios.jpg

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BOLINHOS PARA O LANCHE EM 15m…

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Estava frio e a chuva não dava tréguas. Precisava de entreter os miúdos, naquela hora em que me apetecia mesmo era uma sesta e um bolo. Os avós deviam aparecer para o joguinho das damas e os xi-corações de domingo.

Solução: arregaçar mangas, enfiar-lhes os aventais e dispensar a problemática da que se avizavaria da cozinha arrumada. Podia piorar, qualquer lei de Murphy o diria,  mas teríamos lanche e bolos mornos de chocolate (de quem somos mesmo fãs)…e mais, não só piorava a desarrumação como aumentava a pilha de louça, mas haveríamos de ficar a ver a chuva bem quentinhos & docinhos…e então se os avós aparecessem para provar a novidade seria PERFEITO PERFEITO. E foi…e são mesmo muito muito muito  simples, rápidos  e bons (receita adaptada das receitas da Mafalda Pinto Leite). Foram a companhia perfeita para a leitura do Público num domingo de janeiro.

Ingredientes | 200 g. de chocolate partido aos pedaços; 50 g. manteiga sem sal; 3 ovos separados; 100 g. açúcar +  2 colheres de nutella (que eu não tinha e substitui com chocolate em pó mais espesso com leite…). Sim, não leva farinha, mas ainda assim eu coloquei umas 50 g.

Mãos na massa | Aquecer o forno + untar as forminhas (com estas quantidades foram 8 forminhas  e 4 mangas repletas de manteiga + farinha pela cozinha toda, pelos meus ajudantes!!!)  + derreter chocolate e manteiga + adicionar a nutella /substituto + bater açúcar e gemas numa tigela + bater claras em castelo + misturar as duas anteriores » distribuir a massa pelas formas.
No forno 12-16 minutos verificar que em cima estão duros e no meio moles e cremosos…VIRAR E SERVIR ou escolher comer das forminhas…

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174# FÉRIAS GRANDES & AVÓS

Os REIS DAS FÉRIAS! Já lá vão 28 dias de férias no calendário dos manos. Pela frente ainda mais uns quantos, pelo menos para o Salvador cujo ano letivo começará entre 10 e 14 de setembro. O Sebastião, esse BIG SMILE BOY regressa à salinha de creche mais cedo, já na próxima segunda-feira. Entretanto, vale-nos a disponibilidade da família e mimam-se avós e netos. Juntos a gozarem a liberdade dos dias naquela cumplicidade tão própria e tão enriquecedora que se establece entre avós e netos. Os avós constituem uma janela privilegiada para o passado da família e da comunidade e tê-los por perto, com saúde e tão companheiros, é um privilégio que todos os dias agradecemos.

Numa terça-feira como a  de hoje pode acontecer que um fique ao colo da avó Maria e o outro tome descansadamente o pequeno almoço com a avó Isabel onde esta noite ficou a dormir. É por esta familiaridade e por tantos outros motivos que esta Palhaça é para nós uma VILA FELIZ. É nela que vivem  muitas das pessoas mais importantes da nossa vida, mas é também por aqui que eles, tal como nós, vão criando as suas raízes, as suas referências, não só familiares como comunitárias. As redes e o sentimento de pertença que hoje em dia podem fazer a diferença na sociedade em que vivemos. No compromisso que sentimos com o zelo do lugar que habitamos e com as pessoas da nossa comunidade, com o outro.
Vivam os nossos AVÓS, viva a vila dos nossos AVÓS!  Porque é também por aqui que lhes vamos contando a história da nossa infância e dos 3 bisavós que infelizmente não conheceram pessoalmente e cujas memórias lhes vamos passando.  Pessoas com quem, quer eu quer o Pedro, tivemos a sorte de passar muitos dias das NOSSAS FÉRIAS GRANDES. É esta a herança que lhes queremos deixar: a proximidade e a possibilidade de viverem juntos experiências que serão marcantes e definidoras das pessoas que somos. [ vale a pena ler “Avós e netos: uma relação afectiva, uma relação de afectos”].