MENINO

Amigo do peito, inseparável.
Cresce como o milho que avistamos do Benavente, esguio e fresco, abanando-se à brisa. Um menino a descobrir-se. As mãos, a boca, o espaço e os sons.
Segues todos com olhar ávido e começas a ser mais um a disputar conversa quando nos juntamos.
E sabes que mais?
Tirando três dias mais aborrecidos e duas noites mais inquietas, ten sido muito boa companhia, nesta volta à maternidade nos últimos 80 dias.
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“quando te vejo rir outra vez, lembro de mais da tua primeira luz, vejo de novo a tua luz
como um milagre passando por nós,

fica no meu o teu coração,
segue no teu, o brilho do meu olhar, feito flores que a brisa lançou,
vivo outra vida que a vida me deu…”

Alexandre Andrés – Menino (ft. Mônica Salmaso)

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INTERVALO

Hoje à 8ª tentativa para acalmar um bebé experimentei poesia. Intervalo (II)  de Sophia. Quase à beira das lágrimas, num desejo profundo que ao menos aquele  “Dia branco” chegasse até nós por um momento, breve que fosse, “Um dia em que se possa não saber”. É que hoje, definitivamente, eu já não sabia que mais fazer. Desde que os outros três saíram porta fora de manhã que me vi a braços com uma inquietação que durou todo o dia. Não me lembro de nada semelhante com os outros dois. Já dizem as vizinhas da rua ” Cada gravidez sua espertez”. Nada que não tenha a certeza. Cada bebé é um universo com todas as suas particularidades. Ainda que se faça tudo semelhante, no que ao cuidado e à educação diz respeito, teremos duas pessoas distintas. No doubts!!! 
O Salomão passou literalmente o dia ao meu colo, inquieto e chorão, a bolsar praticamente tudo o que foi mamando ao longo do dia, em horários bem mais curtinhos que foi reclamando. O maior soninho que fez foi a dois, por volta das seis da tarde, quando FINALMENTE caímos os dois redondos na cadeira de baloiço virada a poente.
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Sozinha o dia todo fiz quilómetros de embalo e do meu esquerdino nem o sinto; almocei quase às duas e meia; o estado do tempo lá fora também não ajudou nadinha, passei o dia a matutar que a culpa desta indisposição só podia ser do que tenho vindo a comer em abundância. Sim, porque não me pareceu que se tratassem de cólicas…era sobtretudo aguentar alguma coisinha no estómago, fazer uma digestão em condições já que eu definitavamente, tenho de resistir ao exagero de leite, ao chá que vou bebendo e continuar a vingar o apetite na fruta ao longo do dia e, como hoje ao jantar, trocar o excessivo hábito de massa e arroz da família pelos grelhados acompanhados com legumes mais vezes e ficar-me mais vezes pela SOPA. A rainha da sopa! Já quanto à água continua a ser um daqueles fretes, não me sabe a nada, sabe?!!!
A novela cinzentona começou a melhorar com a companhia em casa, sobretudo depois do banho. Ainda que com o jantar em modo turno, a coisa compôs-se finalmente com o final do Jornal da Noite, e até coubemos os cinco num momento que me pareceu eterno num sofá para três com o indisposto posto sereninho a dormir junto ao meu coração!!!
 
Agora que na casa reina o silêncio posso dizer baixinho, aqui para nós que eles dormem (TODOSSSSSSS – vou beliscar-me), que esta quinta feira foi cinzentona, mas terminou MUITO bem (continuo a falar baixinho que isto de cantar vitória antes do tempo, corre sempre mal) E COM UMA SURPRESA Serena!

SAIR DE CASA e dar-lhe música

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À semelhança do TOQUE, houvesse mais disponibilidade financeira e nós passávamos a vida nisto de PASSEAR, VIAJAR, CONHECER, SAIR. Não podendo conjugar o verbo viajar as vezes que gostaríamos temos de reinventar. Felizmente, SAIR ainda não paga imposto e se temos imaginação suficiente para fazer de um parque da vila um agradável destino para um gelado de final de tarde e da nossa Praça o playground mais cosmopolita das redondezas, com mais algumas gramas e o devido planeamento podemos quase ir onde quisermos!
Assim tem sido desde que este pequeno rei veio de Coimbra,  a rodagem da família tem mais um navegador no banco de trás.  Nestas primeiras experiências o menino e esta sua carinha de satisfeito (depois de um dia inteirinho de laró na passada sexta-feira) demonstram bem como já pertence ao clube dos Viajantes Magníficos  É dos NOSSOS!

Qual correntes de ar, desconforto, muda fraldas, mama aonde, dorme quando, entramos como, e se chora? Para todas as perguntas uma resposta: adaptamo-nos e enxotamos os MITOS que por aqui nunca tiveram muita sorte! Com todos os cuidados necessários, se ele andar bem…
Assim sendo, nos últimos 18 dias a coisa foi mais ou menos dentro do que seria sem ele com o acréscimo de tudo o que foi saída POR ELE já andámos na praia, no campo, na praça, na loja do cidadão, em casa dos amigos, no museu, no café, na feira, nas escolas dos manos, na escola de música, em casa de todos os avós, nas lojas quase todas das redondezas e na RUA DO BENAVENTE, claro!

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Ontem o passeio foi até Aveiro. O Salvador tinha aula de música e queria partilhar com professora de guitarra o seu irmão mais novo. Assim fomos os três. Nós ainda aproveitámos o tempo da aula para ir até Estação de comboios, mesmo ali ao lado, onde  estão a acontecer uma série de concertos da OMA no âmbito do Molifest e da 1ª Semana do Aveiro Empreendedor. Deveria ser sempre assim, uma estação onde mais do que avisos soa música, repleta de transeuntes que passaram, pararam e aplaudiram o que levaram consigo. Parou o senhor executivo, a dona de casa apressada, o estudante atrasado e a avó babada. Ontem, ao final do dia, entre CHEGADAS & PARTIDAS.

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7 MAIO # Feliz esta manhã

em que voltámos do Centro de Saúde e já vou em 30m de sossego, para além do normal, para colocar as ideias e a escrita em dia e deixar-me SIMPLY FALLING. E como soa bem o silêncio nesta casa.
Ontem ao final do dia o menino Salomão abriu as goelas e percebemos que ele também sabe chorar e bastante BEM! Foram quase duas horas e meia de muita paciência necessária, mas sobrevivemos…os CINCO. Mais cansados e trocados dos humores, mas sobreVIVENTES!!!
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Já a noite foi nos moldes do costume, graças a todos os santinhos – ele foi: dorme – mama – muda fralda – arrota – bolsa, bolsa, bolsa, bolsa – troca de pijama – dorme – acorda…and so on…nada de estranhar com bebés. Nos intervalos do SEU sono, eu consigo dormir o necessário para repor energias, descansar algum mau feitio e acordar PRONTA PARA OUTRO DIA. Que iste de bebés é mesmo assim: CADA DIA É UM DIA E HOJE está a ser um belo de um dia.
Hoje a manhã fluiu. Depois dos restantes 3 tomarem as rotinas normais, após o pequeno almoço todos juntos na refilonice do costume, aqui os caseiros tiveram tempo para o duche e seguimos frescos e cheirosos para a consulta da semana. Antes ainda tempo para um carioca e uma nata, dois dedos de conversa um folhear de notícias, a passagem na papelaria e espreitarmos o senhor jardineiro que apara o nome da vila.
Do peso estamos conversados: o pequeno continua a viver do meu peito e a engordar acima da média, 17 dias 4kg 90 gr. E eu a jurar que o tipo mete mais fora do que fica lá dentro!!! “Está bem e recomenda-se.” –  diz-me enfermeira”. O artista não tem mais nada, e mesmo à saída da pesagem, estica-se todo e manda a sua mijinha todo contente para a balança…toma lá mãe que é para não te gabares muito!!!!
Difícil não ser FELIZ uma manhã assim…que continuou ainda pelo supermercado, onde dispensamos mais tempo na conversa que nas compras, e onde ficámos a dever 2€. Só na parvónia é que ainda nos podemos dar a estes luxos de devedores de moedas…
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Vamos mas é estender mais um cestinho de roupa que cá para mim, mesmo só com este ventinho de Primavera, sou capaz de a recolher  ainda antes de sair para mais uma aula de música. Hoje há música na estação e somos meninos para irmos ver os comboios dançarem…

247 # A MEIO DO CAMINHO

Por estes dias que nos colocam a meio do caminho, agora com 21 semanas e meia de gravidez, aconchegamos as boas notícias  ao colo do coração e partilhamos com os manos as primeiras imagens do nosso terceiro elemento. Curioso porque foi aquele 1º encontro com uma dezena de olhos familiares:  nós, os manos e ele – lá dentro – ainda alheio à família que lhe calhou.
Esta semana, tal como em 2005 e em 2009, repetimos a fantástica e maravilhosa admiração pela aventura da vida in útero observada na ecografia morfológica. De novo a melodia do palpitar de uma vida tão frágil, de novo a  emoção dos movimentos enérgicos e destas feições aparentemente tão inacabadas ainda, mas já tão nossas.
Momentos que revivemos de forma única e que ficam sempre aquém do explicável. Fica tanto por dizer deste amor. Poderíamos inventar palavras ou soletrar as essenciais que “a triplicação” dos detalhes inspira. .. 
amoraosmontinhos

regressoaodelicado

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agoraatriplicar

229.2 # NA ORDEM DO DIA | OS RAPAZES DA FAMÍLIA GIRASSOL

E na família giraSSol, (se tudo continuar a correr bem, como desejamos) em Abril teremos entre nós o terceiro elemento, mais um menino que vai perseguir o SOL e irradiar luz & alegria entre nós. Por aqui há coisas que felizmente nunca mudam (e se mudassem seriam felizes igual) e por isso eu continuarei a ser a única menina da família. Eternamente menina como acho que me vou sentir, bendita entre quatro homens já a partir de 2013.


No Benavente vamos continuar a ser casa de heróis, bonés, saltos a roçar os mortais, escaladas de árvores, bicharocos e sanitas pingadas de quem ainda não cresceu, mas vai tentando a pontaria. Os tratores e as trotinetes vão continuar a rodar lá em casa e as bonecas a baterem à porta em dia de visita de amigas. As calças vão aparecer rasgadas, as histórias são quase sempre de aventuras doidas e os desenhos vão multiplicar rapazes!
E quando tudo à minha volta me falava de MENINAS e será que é desta? Foi a melhor notícia de uma segunda-feira que teve um final feliz, saber que estava tudo bem, comigo e com ELE, depois de um inesperado e forte embate na traseira do carro ontem ao final do dia. Tudo como é esperado às 17 semanas: placenta no sítio, liquido amniótico em quantidade, bebé grande, de movimentos vigorosos, com crescimento normal e um ♥  a bater que me alagou o olhar ao admirar seu palpitar.
Eu cá tenho um ANJO DA GUARDA que não nos deslarga e em breve 4 homens que me farão sentir a mulher-mãe-menina mais especial do MUNDO! Ainda que chata…

215# WE ARE SO LUCKY!

Receber uma carta via CTT, sem ser recibo, convite, convocatória ou publicidade inconveniente, é nos dias que correm um enorme prazer. Sabem disso tantos amigos que nos conhecem e que têm feito chegar à casinha-caixinha do Benavente as paisagens mais bonitas das suas férias, as palavras dos passeios e as memórias que levam de nós.
Regressar à vila, um destes dias, antes das 18h00 para ainda apanhar o vermelhinho dos CTT  aberto e receber em braços uma encomenda grande e frágil –  “não dobrar pfff” – foi o gesto que faltava para aliviar uma semana cinzenta. À minha frente um pacote repleto de ternura(s) que fui desenlaçando, delicadamente, uma a uma, no carro. Enquanto chovia lá fora, o meu olhar alagava-se com uma medalhinha de sorte a embalar a primeira peça de roupa pequenina nesta 3ª viagem de mãe.

WE ARE SO LUCKY!
Um pacotinho com laços, malva e um io-io de madeira; postais e envelopes que vou querer preencher de palavras doces e duas serigrafias onde apetece deixar ficar o olhar e se inscrevem os nomes que saltitam no nosso coração de pais. Tão delicadamente desenhadas, de exemplo e inspiração, as mesmas letras que um menino anda a soletrar e a aprender a redigir nos seus primeiros cadernos da escola.

São também estes os sinais, que se derretem no coração, que fazem o que é importante, nomeadamente pessoas PRESENTES. E estes dois amigos são eles próprios uma caixinha de dons, uma dupla criativa com um nome doce – CARAMELO –  que fazem coisas fantásticas para que outros possam comunicar e partilhar momentos e lembranças inesquecíveis.

“Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Temos certamente amigos dos dois tipos. Com alguns, a nossa amizade cimenta-se na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume que nos alumia. Com outros, a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar”.Tolentino Mendonça, In Nenhum caminho será longo – Para uma teologia da amizade