DO OUTONO DESTE OUTRO MUNDO

«O outono é hoje de outro mundo. Imprime
uma luz que diríamos abstrata.
Do que subtrai é que ilumina. O timbre
é de um desfasamento que consagra
a cesura, que entrega o imprevisível
sem o vínculo algébrico das tábuas.»*

outonoQUENTE5
Entre um debate com os candidatos às autárquicas do Município e uma eucarístia de final de domingo, de acolhimento ao novo pároco, o fim de semana foi saboreado demoradamente com tudo o que dois dias sem qualquer compromisso permitem. Não fosse o homem-despertador Sebastião e até tínhamos conseguido colocar o sono em ordem. Sendo assim os dias que começaram a encolher com a chegada do Outono ainda foram demasiado compridos por aqui. O que não é necessariamente mau, tirando a desvantagem da falta de algum descanso, continua a sobrar tempo para muito, até para não fazer mais nada a não ser ficar a ver o sol desaparecer no horizonte. De fato, não poderia ter sido melhor este fim de semana de equinócio de Outono. Despedimo-nos de um Verão quente, com sandálias, numa ida à praia na hora das gaivotas e das asas-delta. Pelo Benavente continuamos nas sopas, no “pisa folhas e faz barulhos”, nas amoras selvagens que pintam as mãos, nas pinturas das conchas, nos comentários políticos e reflexões cristãs, nas receitas que vamos inventando e nas paisagens que mudam. Claro que também temos as várias máquinas de roupa, os teimosos do costume, as torradas que esturricaram e as pegas de bradar aos céus, mas como deixar que isso prevaleça sobre o resto. Se o resto é SOBEJAMENTE bom e tudo isto é viver em família e isso só pode ser enriquecedor!
debate

outonoQUENTE2

outonoQUENTE11

outonoQUENTE8

outonoQUENTE4

outonoQUENTE9

outonoQUENTE3

outonoQUENTE6

outonoQUENTE10

outonoQUENTE7

acolher

*Fernando Echevarría

A(S) FONTE(S) DA VILA

POST SCRITPUM: uma sugestão de leitura que combina com a fonte e vem a calhar para nos consciencializarmos ainda mais deste saborear o que é NOSSO e do prazer de viver…

mergulhadormanco
Na nossa vila existem 7 fontes (se não estou em erro) distribuídas pelos vários lugares da freguesia. Creio que em todas há água fresca corrente e tanques onde já se esfregou muita conversa de aldeia e se lavou muita roupa suja. Uma delas fica ao final de um estreito caminho, de entrada disfarçada, na Rua do Arieiro. É uma das duas mais próximas do nosso Benavente. Nos anos mais recentes, praticamente, todas as fontes foram alvo de intervenção, por parte da Junta de Freguesia. Foram limpos os espaços adjacentes, revestidas as paredes com azulejos e na maior parte delas renovadas as coberturas e melhorados os acessos. As fontes voltaram a ser lugares aprazíveis e cuidados. Da observação esporádica, temos vindo a reparar que as pessoas regressaram àqueles locais, com carretas carregadas de tapetes e trouxas de roupa.

vamosfonte

paisagem

Nós gostamos de fontes, como gostamos de quase tudo o que envolve chão (d)e memórias na Terra dos Que Vivem Aqui: a Praça, o coreto, a Rua da Adrep, o telhado da fonte da Tojeira, a descida da Pedreira, etç….
Devemos ser dos visitantes mais frequentes da fonte do Arieiro. Não para lavar, porque ainda não nos aventurámos nessa poupança, mas pelo prazer de ali ficarmos a ver a paisagem e a ouvir pássaros e água a correr. Há vários anos que este lugar se foi tornando especial, quase uma extensão do nosso Benavente, um sítio mágico, sempre bucólico,  onde vamos vendo passar as estações.

mergulha
Este fim de semana a fonte ganhou outra frescura. Pela primeira vez, os manos foram ao banho (completo) na fonte. Os tanques do meio, com água límpida e gelada, foram a brincadeira perfeita para aliviar dois dias de intenso calor. Quem não tem as fontes de Roma e os repuxos de tantas cidades, onde gostávamos de nos passear e refrescar, pode sempre recorrer ao que existe perto de si. É isso mesmo que vamos fazendo, desfrutando cada vez mais DAQUILO QUE É NOSSO!banhosnafonte

fontedoarieiro
A fonte da vila foi uma DAS estações do nosso VERÃO. Verão bom, bom, bom!!!
Só espero que estes mergulhos não dêem direito a coima ;)…os avisos por ali são apenas do cuidado com o lixo, e esse temos sempre em excesso, já que aproveitamos as visitas para fazermos o LIMPAR as fontes de PORTUGAL na nossa vila).

ANTES EM CASA*

Veraoquente2013_8.jpg

O título * da crónica do Miguel Esteves Cardoso  (MEC) na sua habitual coluna no jornal Público, na passada sexta-feira, é uma boa forma de de resumir estes dois últimos dias: “Antes em casa”. Porque foi mesmo. Felizes os que tem uma casa onde preferem ficar.  Nós preferimos e ficámos, sobejamente bem. “É mais feliz ainda quem tem alguém com quem ficar em casa. (…)” . Amor e conforto, tudo isso num fim de semana dos escaldantes também no nosso “chatêau / barraco à beira de um regato”, como o MEC refere citando da música do Lupicínio e nós ouvimos com a voz da Simone. Nós havemos de fazer a nossa versão com os versos da Terra dos Que Vivem Aqui. Porque tal como ele conclui, o que este tema canta ão é uma questão de amigos apaixonados pela mesma mulher, como parece aparentemente, “o que canta é o preferir ficar em casa, na nossa casa, com o nosso amor”. Com os nossos amores, vivendo de amor!

quatro.jpg

veraoquente2013_2.jpg

Veraoquente2013_7.jpg

Veraoquente_2013_8.jpg

Nunca o nosso Benavente nos pareceu tanto o melhor lugar do mundo para ficar como este fim de semana de elevadas temperaturas. Por aqui conviveu-se com o calor da melhor forma, entre salpicos e mergulhos, ventoinhas que afinal são baloiços e bichos inofensivos que aparecem de todo o lado. Por aqui o verão fica desejável e estendem-se todas as refeições ao ar livre. Por aqui também os meninos vão aprendendo a respirar debaixo de água desde pequenos e nem um jardim com ameaça de toupeiras os assusta para as corridas. Por aqui os amigos aparecem pelo terraço adentro e mesmo sem a frescura da maresia o litoral chega-nos em aroma de proteção doce na pele. Por aqui os limões da avó encheram bilhas de limonada e os manos meteram mãos na massa com canela. Por aqui as flores e a relva pediram muita água, as coroas brincadeiras e os pássaros cantaram menos. Por aqui as noites fizeram lembrar o Alentejo e o Algarve. Relas, pirilampos, chuveiros e motores a puxar água nos poços. Noite dentro as janelas abertas fizeram com que o sono fosse aqui e ali interrompido com o cheiro a calor que a terra respira quando o sol se deita.
Veraoquente2013_4.jpg

Veraoquente2013_5.jpg

Veraoquente2013_6.jpg

FIM DE SEMANICES

fsmLOUCOdentrodecasa.jpg
Claro que preferíamos ter ido a Lisboa, como tínhamos planeado. Claro que gostávamos muito de ter ido ver a exposição e visitado os sítios que tínhamos em mente, mas como a nossa carrinha decidiu pregar-nos mais uma daquelas partidas bem carasn(brrrrr) fomos obrigados a rever planos e a ficar Na Terra dos Que Vivem Aqui. E sabem que mais? Depois da neura inicial a coisa compôs-se tão bem que, agora que está quase a terminar o alongado do fim de semana que se pintou de cinzento, não posso deixar de concordar que foi bastante bom ficarmos POR AQUI, rodeados de sossego, ar puro, melros e borboletas. Aqui vamos cultivando a imaginação e o estarmos juntos. Hoje é DIA DE PORTUGAL e nós os cinco portugeses da vila desligámo-nos dos dicursos, brincámos aos CARETAS e ficámos por casa. fimdesemanices.jpg

fimdesemanices10.jpg

Leilão de Jardim

Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis
nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é meu leilão!)
fimdesemanices7

fimdesemanices8.jpg

fimdesemanices9.jpg

fimdesemanices2.jpg

fimdesemanices3.jpg

fimdesemanices4.jpg

fimdesemanices5.jpg

fimdesemanices12.jpg

fimdesemanices13.jpg

fimdesemanices11

4 JUNHO # Feliz esta manhã (e este dia)

diadoce.jpg
Muito provavelmente ontem foi uma das melhores manhãs desta Primavera. Uma manhã que foi apenas o princípio de todo um dia fantástico que passámos quase inteiramente no exterior, entre trabalhos de formiguinha e de veraneante no seu próprio território. Não houve janela que não se abrisse à brisa suave deste 4 de junho.

manhasdejunho3.jpg
Finalmente o vento deu tréguas e conseguimos andar a alindar o que nos envolve. Ter uma casa, com áreas grandes no meio do campo, onde entramos e saímos dezenas de vezes – a pé, de bicicleta ou de carrinho de bebé –  e onde a maior parte das paredes são janelas, é termos sempre a casa inundada de claridade (e muita bicharada e terra também) e de muito facilmente nos sentirmos relaxados, a gozar em pleno o dia, a natureza e tudo aquilo que ela nos proporciona de maravilhoso. Em dias como o de ontem por aqui é como estarmos de férias. Mas para isso, para se desfrutar do espaço que habitamos é preciso ter tempo, dedicação e algum trabalho. Agora sim, o jardim já faz mais jus ao nome. O monte da lenha começou a ganhar volume para poder aquecer o inverno e o terraço, agora com aromas de verão e proteção, vai recebendo a visita mais amiúde do novo inquilino. Agora falta apenas pendurar as redes, arranjar o baloiço, tentar roçar o resto do quintal e montar a “piscina dos pequenos Phelps caseiros que nós temos.”
Ontem foi UM DIA BASTANTE BOM também porque marcámos a abertura informal do restaurante com melhor vista da vila, o NOSSO TERRAÇO. E uma refeição ao ar livre tem outro sabor…o menú foi um especial avó Bebel: do guisado de coelho, de lamber os dedos, ao gelado de amendoas, passando pelo fartote de nêsperas!
Que bem que se está no CAMPO!

manhasdejunho.jpg

manhasdejunho4.jpg

manhasdejunho5.jpg

manhasdejunho7.jpg

Benavente.jpg

lenha.jpg

restaurantedoBenavente.jpg

A NOSSA RUA

veiculosdanossarua.jpg

O movimento tem vindo a aumentar na nossa rua, com especial incidência nos últimos dias. Nem só connosco, que continuamos a percorrê-la das mais variadas formas e pelos mais diversos motivos. Estes dias de sol, em que as terras foram secando, trouxeram de novo os tratores, a lavra, as bicicletas e as carretas, nas terras foram-se desenhando mantas e a sementeira de batatas. O campo de oliveiras, encostado ao nosso jardim, já foi remexido, e até as pétalas das flores dos campos que nos rodeiam se ergueram de novo para serem sopradas pela brisa.

Somos fiéis frequentadores da rua, já o éramos quando vivíamos na praça. Ao fim de semana e/ou nos tempos livres, é bastante frequente descermos e subirmos a rua diversas vezes, para irmos até casa dos avós ou para os nossos passeios até ao centro da vila. O que tem vindo a mudar são os transeuntes e os respetivos veículos. Eles são bicicletas a penduro de nós, eles são bicicletas duas rodinhas, trotinete, trator, skate e o repetido carrinho de bebé. ..O lola velhinho todo o terreno, coberto de marcas de rapazes, saiu dos arrumos e voltou a carregar o ovo com mais um mano. Connosco, ele vai aprender todas as particularidades da Rua do Benavente: dobrar a esquina perigosa, ouvir o latir dos cães que sempre se enfurecem quando passam crianças, acenar aos vizinhos que tratamos pelo nome e descobrir  onde pode tirar os pés dos pedais e não ter de voltar a pedalar até entrar em casa. Na nossa rua faz eco e ele vai perceber isso quando dissermos alto o nome dele num regresso tardio do centro porque é de dia até ser noite. Na nossa rua o inverno leva sempre o termómetro ao nível mais baixa da temperatura da vila. Na rua do Benavente há uma das maiores descidas de rua e qualquer dia o Salvador aventura.se nela.

Na nossa rua  existem apenas 8 casas, o resto são frentes de terras cultivadas, Olival, pinhal ou terreno baldio. Somos poucos, a rua é sossegada e nós gostamos muito dela.asterrasdanossarua.jpg


floresadossarua.jpg

Se pudéssemos pedir três desejos ao GÉNIO DA LÂMPADA para a nossa rua eles seriam: um passeio em toda a sua extensão, melhor iluminação e inteligente para ser poupadinha e uma torre panorâmica no seu ponto mais alto. Gostávamos muito de poder ver a nossa rua lá do alto! Quanto aos outros desejos ficam connosco, que temos a capacidade de fazer desta e nesta RUA aquilo que nós quisermos e olhem que ideias por aqui nunca faltam…e nós andamos DE OLHOS POSTOS NA RUA.
osmanosdanossarua.jpg

Partilho dois projetos/ iniciativas que têm estas nossas RUAS e a questão da vizinhança como principal preOCUPAÇÃO ou inspiraÇÃO.
A minha Rua | “A Minha Rua®©” é um projecto desenvolvido pela Plataforma eCivitas, em conjunto com um conjunto de Autarquias piloto que permite a todos os cidadãos participar activamente na gestão da sua Rua/Freguesia/Município, comunicando problemas e propondo resoluções e melhorias directamente à Administração Local Autárquica.
Dia Mundial dos VizinhosDia Europeu dos Vizinhos celebra-se na última semana do mês de Maio. A celebração deste dia visa promover o convívio e a sociabilização entre vizinhos. Conhecer os vizinhos ajuda à coesão social, a uma melhor vida em conjunto e cria novos laços de solidariedade entre as pessoas.