A NOSSA RUA

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O movimento tem vindo a aumentar na nossa rua, com especial incidência nos últimos dias. Nem só connosco, que continuamos a percorrê-la das mais variadas formas e pelos mais diversos motivos. Estes dias de sol, em que as terras foram secando, trouxeram de novo os tratores, a lavra, as bicicletas e as carretas, nas terras foram-se desenhando mantas e a sementeira de batatas. O campo de oliveiras, encostado ao nosso jardim, já foi remexido, e até as pétalas das flores dos campos que nos rodeiam se ergueram de novo para serem sopradas pela brisa.

Somos fiéis frequentadores da rua, já o éramos quando vivíamos na praça. Ao fim de semana e/ou nos tempos livres, é bastante frequente descermos e subirmos a rua diversas vezes, para irmos até casa dos avós ou para os nossos passeios até ao centro da vila. O que tem vindo a mudar são os transeuntes e os respetivos veículos. Eles são bicicletas a penduro de nós, eles são bicicletas duas rodinhas, trotinete, trator, skate e o repetido carrinho de bebé. ..O lola velhinho todo o terreno, coberto de marcas de rapazes, saiu dos arrumos e voltou a carregar o ovo com mais um mano. Connosco, ele vai aprender todas as particularidades da Rua do Benavente: dobrar a esquina perigosa, ouvir o latir dos cães que sempre se enfurecem quando passam crianças, acenar aos vizinhos que tratamos pelo nome e descobrir  onde pode tirar os pés dos pedais e não ter de voltar a pedalar até entrar em casa. Na nossa rua faz eco e ele vai perceber isso quando dissermos alto o nome dele num regresso tardio do centro porque é de dia até ser noite. Na nossa rua o inverno leva sempre o termómetro ao nível mais baixa da temperatura da vila. Na rua do Benavente há uma das maiores descidas de rua e qualquer dia o Salvador aventura.se nela.

Na nossa rua  existem apenas 8 casas, o resto são frentes de terras cultivadas, Olival, pinhal ou terreno baldio. Somos poucos, a rua é sossegada e nós gostamos muito dela.asterrasdanossarua.jpg


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Se pudéssemos pedir três desejos ao GÉNIO DA LÂMPADA para a nossa rua eles seriam: um passeio em toda a sua extensão, melhor iluminação e inteligente para ser poupadinha e uma torre panorâmica no seu ponto mais alto. Gostávamos muito de poder ver a nossa rua lá do alto! Quanto aos outros desejos ficam connosco, que temos a capacidade de fazer desta e nesta RUA aquilo que nós quisermos e olhem que ideias por aqui nunca faltam…e nós andamos DE OLHOS POSTOS NA RUA.
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Partilho dois projetos/ iniciativas que têm estas nossas RUAS e a questão da vizinhança como principal preOCUPAÇÃO ou inspiraÇÃO.
A minha Rua | “A Minha Rua®©” é um projecto desenvolvido pela Plataforma eCivitas, em conjunto com um conjunto de Autarquias piloto que permite a todos os cidadãos participar activamente na gestão da sua Rua/Freguesia/Município, comunicando problemas e propondo resoluções e melhorias directamente à Administração Local Autárquica.
Dia Mundial dos VizinhosDia Europeu dos Vizinhos celebra-se na última semana do mês de Maio. A celebração deste dia visa promover o convívio e a sociabilização entre vizinhos. Conhecer os vizinhos ajuda à coesão social, a uma melhor vida em conjunto e cria novos laços de solidariedade entre as pessoas.

PÓS DE PERLIMPIMPIM


Foi um fim-de-semana concentrado, mas muito enriquecedor. Entre mecenato e patrocínios, confirmei que se poderá fazer muito trabalho pela cultura com projectos credíveis através do marketing cultural. Gosto muito destes espaços de formação, fora de ambientes familiares e sem conhecer ninguém. Acabam sempre por se transformar em espaços de curiosos encontros, trocas de impressões e empatias. Sintonia impossível de não sentir em “Notas Soltas” entre amigos, numa conversa que fechou o dia em torno da vida, da informação, da felicidade, da saúde mental e da fé. Não poderia terminar Novembro sem provar a jerupiga numa castanhada!

Finalmente, em família, iniciámos o advento  a partir da eucarístia num almoçinho ao sol de inverno, com avós, filhos e netos. Como era domingo, e havia gente com sono para o banco de trás, trocámos as bicicletas sem nos cruzarmos com um carro em todo o percurso até casa, e fomos ao passeio pela simplicidade. Sair só para andarmos juntos. Só para pestanejarmos outros horizontes, só para pintarmos uma tela, marcarmos uns golos e bebermos um chá de frutos do bosque a ler o jornal no palco. Seguimos pelas margens da ria, na zona da Vagueira. Estacionámos no atelier de pintura do Perlimpimpim. E se a exposição das crianças (inaugura dia 4 de Dezembro) ficou cheia de coloridas telas, a nossa viagem de regresso foi um passeio pela galeria dos contornos, uma exposição in motion com o fim de dia a oeste. 

DIZEM QUE OS DIAS SÃO CURTOS!?

Sim, curtos porque menos luz, já que escurece mais cedo.
Curtos para tudo o que gostávamos de fazer.
Curtos, mas sempre tão preenchidos.
Já pensaram na quantidade de horas de que dispomos  ao fim-de-semana?
Sabe tão bem, podermos dispor do nosso tempo.

Percorremos a nossa vila de bicicleta
Visitámos os patos no parque de lazer
Descansámos nas "sestas" deles
Fizemos visita de trabalho ao Museu S.Pedro
Escolhemos um estilo colegial e optámos pelas riscas à metralha
A velhinha, que sempre nos vê passar, ofereceu-nos rebuçados de mel
Estivemos com todos os noSSos PAIS

WEEKENDING

Despeço-me do fim-de-semana com a “Câmara Clara” enquanto pai e filho partilham o sono no sofá. Paula Moura Pinheiro fala de hoje de Ruy Belo. Convoquei as suas palavras para as imagens deste dia. Revejo as últimas 24horas e rendo-me. Este final de domingo foi “The cherry on my cake”, tal como a Luísa Sobral cantou. Poesia e  sossego, momento meu. A cereja no bolo de dois dias onde não faltaram a luz de Outono,a genuína felicidade de estarmos juntos e celebrarmos a vida dos que passam a vida connosco, o nome da lua minguante soletrado ao céu de cima do selim. Às vezes quase podia jurar que a nossa vida foi escrita e pintada antes de a habitarmos.


Este céu passará e então
teu riso descerá dos montes pelos rios
até
desaguar no nosso coração.


Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão.
Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o
céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor.

Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes
súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem
que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente.


Poemas de Ruy Belo

PRIVATE GALLERY

Há dias, como o de hoje, em que o final compensa. Dias que deveriam ter começado exactamente pelo fim para correrem melhor. Como sentir a brisa de uma noite amena enquanto passeamos os quatro de bicicleta pela vila, quando ainda se sacodem toalhas do jantar.  Ou deixarmo-nos ficar na nossa galeria privada apreciando e criando como se estivessemos na Arco Madrid. Lá fora com a despedida do sol marcada pela desmaio das nossas cores de eleição. Sentada no muro à espera de ver os outros dois entrarem na rua, eu e o Sebastião, assistimos à pincelada impressionista  com que esta segunda-feira se foi. A maravilhosa natureza que nos inspira, a mesa que transpira criação. 


Cá dentro andámos de volta da cozinha, como de costume, mas desta vez a cozinhar “a ilha do arco-íris”. Enquanto a sopa aquecia e a toalha se enchia de nódoas e brinquedos comilões. Aos desenhos do Salvador juntaram-se, desta vez, as criações do pai, com os recortes da mãe. Uma pop art discutível que combina com a desarrumação por detrás da porta da dispensa!

1ª etapa DONE…

O prometido é, praticamente, devido, agora temos de manter a pedalada. O Pedro convenceu-nos que ía arranjar bicicletas para a família quando regressasse de Itália. Ainda que a ideia já cá tivesse rondado, as férias convenceram-nos! Queremos mesmo deixar de usar o carro nas nossas deslocações na vila. Pelo ambiente, pela saúde, pela poupança e pelo prazer. Optámos pela recuperação do que há nas garagens dos pais e avós. Entre a recolha, trouxemos a minha primeira bicicleta, prenda do 5º aniversário, em Aljezur. Tem 26 anos.  Vai ficar para último, está muito danificada!

Este fim-de-semana as 2 que precisamos, para já, ficaram operacionais. Hoje, sem pressas, já fomos os quatro à missa e regressámos de almoço de bicicleta. Viagem gratuita apreciando as bandeiras do milho cada vez mais erguidas e dizendo olá aos trausentes sem abrir vidros e desacelerar. Como soube tão bem ouvir os pedais e os pássaros, num dia em que nem um som do motor se ouviu por estas bandas…
A próxima etapa é a pintura vintage (em discussão ainda entre o laranja e o preto) e o cesto de verga para carregar o jornal, o pão quente e as compras para o almoço, por entre as flores.

 

A bicicleta da foto é da Rosa Maria, mãe do Pedro, que esteve de volta dela toda a manhã de sábado. Tem uma matrícula como já nem me lembro de ver 3 OBR.