VIDA PACATA

“Quero a vida pacata que acata o destino sem desatino /Sem birra nem mossa, que só coça quando lhe dá/ Comichão/ À frente uma estrada, não muito encurvada atrás a/Carroça/
Grande e grossa que eu possa arrastar sem fazer pó no /Chão … ” 

Readers Digest, António Zambujo com letra do Miguel Araújo.

vidacampestre2017O domingo termina em frente à lareira. O Pedro partilha, comigo e com o Salvador, algumas das ideias de uma entrevista que está a ler no Expresso sobre educação; o Salomão acorda esfomeado de uma sesta tardia e despacha 3 fatias do bolo de chocolate e o chá de limão quase frio também lhe serve; o Sebastião vai servindo de ponto para o jogo que dentro em breve os vai levar até ao café.
Olho em redor: vida pacata a nossa.Vida boa!
Anoiteceu. No chão da sala legos, lá fora cães ladram, há um estendal repleto de roupa seca  para apanhar, na cozinha a louça do pequeno-almoço e do lanche vai esperar.Eles saem, o Salomão entretêm-se a construir um helicóptero, eu vou vigiando a lareira por cima das entrevistas.

Afinal, foram duas a merecer leitura atenta: César Bona (dizem que um dos 50 melhores professores do mundo, finalista do Global Prize) onde fala da escola, da importância de convidar os alunos a pensar, da infância que muitas criança deixaram de ter e da urgência em mudar o sistema atual…nenhuma novidade, mais um a tocar nos aspetos que também nos interpelam e incomodam!!!

Paro no essencial,  a pergunta que a certa altura ele colocaria aos pais, porque é aqui que nós podemos agir: “Conseguiram desfrutar da infância deles?” Assertivamente SIM. Fazemos por isso todos os dias. Se é fácil? Não. Se o conseguimos fazer 100% como gostaríamos? Não. Mas fazemos o nosso melhor e somos felizes com o que conseguimos fazer juntos. Cada vez mais as nossas opções tem subjacente a premissa de podermos dispor de mais tempo juntos.A cinco.Sabemos que este tempo de infância voa…afinal o Salvador já tem 10 anos!

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A outra entrevista trata-se do mais conhecido psicinalista português, António Coimbra de Matos, onde ele fala da sua longa vida, da experiência na área em que se especializou e do amor. A certa altura, a propósito de um dos seus livros ele diz sobre o amor que “Mais importante que a introjeção do objeto, tenho a minha mãe, o meu namorado, dentro de mim (…) é ter a certeza  que estou no interior do meu objeto, que a minha mae pensa em mim. Chamo-lhe a constância do sujeito no interior do seu .” e refere que “acho que fui bem amado pela minha mãe e pelo meu pai (…), a minha mãe gostava muito dos filhos” fazendo referência a duas personalidades bem distintas…
Gostava muito de ser recordada pelos meus filhos como uma pessoa feliz, de bem com a vida, como mulher que adorava ser mãe e que vivia a maternidade como uma fonte de inspiração permanente.

E daí a vida pacata.
Que continuem os domingos perfeitos: juntos, sem carro, com terraço sobre a paisagem, refeições em pijama com borboletas em redor, cantorias, adrenalina, aventuras e brincadeiras.  Vizinhos e rua só para nós. Música e silêncio. Pés encharcados de água e unhas sujas de terra. Ladeiras para descer e muros para saltar. Avós e gelados.

FALAR DA MORTE

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Este sábado à tarde distribuímos-nos: o Sebastião acompanhou o Pedro numa atividade desportiva em SJM e eu fui com o Salvador ao teatro. O Salomão teve a sorte digna de um rei, ao cuidado dos avós e das tias, com direito a trono de puff com lareira. Foi retomar um exercício frequente dos quatro anos em que só tínhamos os dois SS’s: dedicarmos um espaço e um tempo a cada um, longe das interrupções constantes do outro.  Há muito tempo que não nos separávamos um sábado à tarde e nem imaginam como soube bem não ter de responder a 3 meninos em simultâneo e conseguir tomar um café tranquilo com o meu Conselheiro Cultural para Crianças. Lucky me!
E depois do “Incrível Sonho do Rapaz de Bicicleta”, a que assistimos em dezembro no CETA, desta vez fomos a Ílhavo, ao CCI, cruzar a nossa tarde com “A Caminhada dos Elefantes”, uma peça de teatro para crianças que os adultos deviam ver. Apesar da proibição, no início da peça de não se pronunciar nem “morte”, nem “morto”, nem “morrer”, a morte vai estar sempre a aparecer, claro. Esta é uma peça sobre a morte.
E foi um caminho intenso e sentido, ao sabor de uma história verídica e bonita, contada de forma encantadora [espreitem o vídeo]. Nós gostámos muito, foi sem dúvida uma tarde especial pela experiência estética que partilhámos e pela reflexão que despoletou. Partilhamos da ideia de que é necessário que pais e filhos, independentemente da sua idade, dialoguem sobre a existência e a perda.
Se por acaso esta Caminhada passar perto da vossa casa, não deixem de ir ver! Entretanto, partilho o link para um trabalho publicado recentemente no Público sobre todo a pesquisa que está por detrás dest’A Caminhada dos Elefantes de Miguel Fragata e Inês Barahona. Um trabalho fantástico!

sabadofevereiro2.jpgInês Barahona e Miguel Fragata decidiram criar um espectáculo que “descomplicasse” o tema da morte. A Caminhada tem por base uma história real: a aventura de Lawrence Anthony, um sul-africano que dedicou a vida à salvação de elefantes, conseguindo levar para a sua reserva uma manada alegadamente agressiva e condenada à morte. No momento em que Lawrence sucumbiu a um ataque cardíaco, a vários milhares de quilómetros da reserva, os elefantes dirigiram-se a sua casa e ali permaneceram durante dois dias e duas noites, de um lado para o outro, numa espécie de ritual de homenagem ao homem que os salvara”.
Depois de terem passado meses a falar com mais de 200 miúdos, Inês e Miguel não têm dúvidas: “De norte a sul, as crianças percebem que a morte de alguém é um assunto de que não se fala. E muitas sabem muito bem que estão a ser enganadas. Perguntámos às crianças por que é que isso acontecia e se elas preferiam ser enganadas. E a resposta, na maior parte dos casos, pode resumir-se assim: elas dizem que precisam do tempo de ser enganadas, para poderem resolver as suas questões, para, depois, quando lhes disserem a verdade, já estarem muito bem. Porque o que elas sentem é que não têm espaço para estar tristes, porque os adultos ficam muito aflitos com isso.”

É O FUNGAGÁ…

FUNGAGÁ DA BICHARADA. Cantiga infantil de José Barata Moura, interpretada AQUI pelos Deolinda.
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A visita ao Zoo de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia, foi uma das aventuras dos últimos dias de férias a 5. Já tínhamos ouvido falar muito do espaço e até já conhecemos o vizinho Parque Biológico, mas esta quinta, ali na encosta traseira da cidade, repleta de história & espécies animais, foi uma boa surpresa que resultou numa divertida manhã de verão. Houve até quem fizesse amigos* entre os animais, como se cantava no genérico da Arca de Noé!
*
makingfriends.jpgComeçámos com as aves de rapina, passeámo-nos ao sabor da curiosidade dos mais novos, avistando linces e outras feras (algumas ali mesmo ao nosso lado, ou será entre nós?), e terminámos a visita no reptilário pregando alguns sustos aos espertinhos dos meninos que temos [reportagem fotográfica do Salvador nas Suas Nuvens Amarelas]!passarolindo.jpg

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Dos espaços do género que já tivemos oportunidade de conhecer com filhos – Zoo de Lisboa, o Europaradise de Montemor-o-Velho, o Zoo da Maia e o Parque Biológico de Gaia – o Zoo de Santo Inácio ficou entre os dois que mais gostamos, ao lado do parque de Montemor. Pelas áreas verdejantes, espaçosas e cuidadas de ambos, mas também pela diversidade de espécies que podemos apreciar em cada um. Na impossibilidade de os levarmos numa volta ao mundo para conhecerem a imensa diversidade de vida animal que reina sobre a terra, este locais são alternativas para lhes tornarmos mais concretas as histórias que vão aprendendo nos LIVROS e/ou com os desenhos animados.
Dado que na sua grande maioria estes parques/empresas/instituições são acima de tudo espaços de preservação das espécies animais e vegetais, especialmente as que se encontram em risco de extinção, com a nossa visita estaremos a contribuir para a continuidade destes trabalhos. Por agora, a nós fica-nos a faltar um Safari alentejano até ao Badoca ParK.
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iiiiiiiiii, um fest i val a pensar na infância

Festival_agueda_IIIIIII.jpgNo domingo, a família foi até à vizinha cidade de Águeda aproveitar algumas das propostas da 5ª edição do Festival i, uma organização da d’Orfeu, Associação Cultural.
Pulseiras no pulso e na cadeirinha e à hora marcada estávamos no auditório do CEFAS, para começar com a peça “Há dias assim”.  Sala lotada de miúdos e graúdos para ver o Teatro das Beiras.
Como somos cinco, e temos um minor de um, significa conciliar gostos e irmo-nos distribuindo, amigavelmente, entre sermos espetadores e acompanhantes. Eu fiquei com o meu amiguinho do peito numa retaguarda mais observadora a desfrutar da alegria da criançada e das respostas prontas dos mesmos às soliçitações do que ía sucedendo.
O festival I é um fim de semana non-stop dedicado ao público infantil e familiar, com uma programação multidisciplinar que congrega teatro, música, dança, multimédia e animação, estimulando uma aproximação crítica e criativa dos públicos mais novos às artes e à cultura.
Gostámos do espaço, de caminhar numa cidade ao domingo em procissão de cultura e de nos cruzarmos com muitas famílias e suas crianças. Onde até encontrámos gente bem conhecida, nos 2 sentidos. Foi uma boa tarde em família neste “i”ngraçado festival, aqui tão nas proximIDADES.

Segue-se, no próximo mês de junho e julho o Festim, um festival intermunicipal de músicas do mundo, que acontece pela mão desta associação, mas que percorre vários concelhos vizinhos…vamos anotar na agenda. O programa promete levar-nos a conhecer algumas salas onde ainda não nos sentámos.

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