Feliz Natal nesta grande casa que é de todos

Nós por cá gostamos de agradecer, mais do que pedir. Na reta final desta caminhada de advento deu-nos para colocar algumas das nossas músicas favoritas e fazer da nossa sala a melhor pista de dança das redondezas. Posso garantir que é uma excelente terapia para descontrair no final de uma semana intensa de trabalho (onde contei 7 dias para lá das 40 horas). Então do que se lembra uma mãe faz quando chega a casa num domingo à tarde?
Afasta os móveis na sala e desafia os rapazes à dança, o resultado é o nosso vídeo do Natal 2015.
Fugimos das habituais músicas de Natal e viajamos até 2008 (com um CD praticamente riscado) com o Planeta Azul da Leopoldina a entoar um dos temas mais repetidos cá em casa. Uma música que fala da necessidade de cuidarmos da nossa casa comum, a tal “que se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras».
A terra nos precede e nos foi dada, estamos convictos que a expressão da fé pode e deve ajudar a criar esta comunhão de “respeito à natureza, defesa dos pobres e desenvolvimento da fraternidade”.

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Esta é de alguma forma e ao nosso jeito (com as parvoíces do costume) a nossa mensagem de Natal: a nossa fórmula de louvor e gratidão a Deus por tudo o que Ele criou – LAUDATO SI’ –  e um pedido para nos continuar a dar a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, enquanto parte desta construção de um futuro melhor, de justiça, paz, amor e beleza.
Temos a certeza que daqui a um ano nos vai fazer rir às gargalhadas…

ROOTS & WINGS

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Há heranças impagáveis, que não podemos abdicar de deixar aos filhos, entre elas CAMINHOS & ASAS. Caminhos por onde eles possam entrar, descobrir, vacilar, investir, aprofundar, testar e optar. E asas que os elevem mais alto e os transportem mais longe, onde só voando e acreditando se consegue chegar. Ontem partilhámos desse amor que nos transforma e transporta à cidade de Deus, agora ainda mais familiar, com 3 meninas muito especiais. Entre elas a nossa doce Julieta.
E são momentos como os de ontem que me fazem sentir que estamos mesmo todos no coração de Deus: para ele não ha crentes e não crentes. há homens de boa vontade, gente com uma história que é a sua auto-biografia. Num poema lindíssimo do José Tolentino Mendonça: Somos a autobiografia de Deus.

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A PEQUENEZ

Das leituras matinais que não posso deixar de partilhar. Do portal do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura continuam a chegar, diariamente, reflexões onde vale a pena fazer estação neste nosso SÍTIO do Girassol. Hoje o texto de Joan Chittister aborda aquilo que precisamos de continuar a perseguir –  a humildade. Não tenho nenhuma dúvida que “Cada um de nós tem qualquer coisa que o resto do humanidade precisa”, pessoalmente sinto que a dificuldade reside tantas das vezes em saber colocar isso em prática da forma que Deus quer e que a humanidade precisa.

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O maior obstáculo à vida espiritual é a tentação de fabricarmos o nosso próprio Deus.

Uma coisa é conhecer os meus dons e cultivá-los. E outra, bem diferente, é presumir que os possuo todos. O desenvolvimento dos nossos próprios dons é uma tarefa do ser dotado. Foram-nos dados talentos naturais para que os desenvolvamos em favor dos outros. Cada um de nós recebeu qualquer coisa que se destina a tornar o mundo melhor para todos. Cozinhamos, cantamos, ensinamos e escrevemos, limpamos e organizamos de tantas maneiras “incomumente” comuns. Cada um de nós tem qualquer coisa que o resto do humanidade precisa.

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Estou aqui para dar os meus dons ao mundo, para me comprazer nos dons que Deus me deu, sim, mas só se for para o bem dos outros. Cada um de nós é apenas um elo na cadeia que deve trazer toda a humanidade, e tudo na Criação, à plenitude. Aquilo que eu sou e tenho devo dá-lo ousadamente, completamente, para o bem do mundo. Se não reconhecer os meus dons, se não os desenvolver, não posso, de forma nenhuma, cumprir em mim o propósito pelo qual fui criada.

Ao mesmo tempo, é inteiramente destrutivo – acima de tudo, para mim própria – presumir que, pelo facto de eu ter um dom, tenho todos os dons, e que os demais não têm dom nenhum. Que o meu dom ultrapassa todos os outros, que me dá direitos que os outros não têm, que me autoriza a viver acima e para além do resto da raça humana. Isso é duma terrível arrogância. Destrói todos os nossos relacionamentos, quer humanos, quer divinos.

A arrogância corrói a nossa consciência do poder da interdependência e deixa-nos a morrer incompletos. Reduz a pó a criação dos outros. Até nos impossibilita de ver as nossas necessidades.

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Sem capacidade de «dobrar os nossos joelhos teimosos » perante aqueles que são igualmente dotados, perdemos também a capacidade de dobrar os nossos joelhos perante o Criador, que fez de nós, de cada um de nós, um dos feixes de luz brilhante da beleza divina que, juntamente com todos os outros, reflete o esplendor que enche o mundo.

É a nossa necessidade uns dos outros que nos mostra a necessidade que temos de Deus. É a nossa profunda incompletude que grita todos os dias das nossas vidas para ser completada – pelos que nos rodeiam e por Deus.

Temos de rezar pela humildade, tão necessária para encontrar a nossa plenitude na nossa pequenez.

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TEXTO DE Joan Chittister | In O sopro da vida interior, ed. Paulinas | 16.07.13 DAQUI

MAIS DENTRO, MAIS ALTO

Férias – a possibilidade de reencontrar a vida, a oportunidade privilegiada para mergulhar mais fundo, mais dentro, mais alto, aceitando o risco de sentir a vida integralmente e de maravilhar-se com ela.

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“Este vaivém que julho e agosto introduzem (com viagens mais próximas ou longas, tráfegos de vária ordem, alterações ao quadro de vida corrente…) constitui, para lá de tudo o mais, uma espécie de coreografia interior. Dir-se-ia que a própria vida solicita que a escutemos de outra forma. De facto é disso que se trata, mesmo que se não diga. É com esse imperativo que cada um de nós, mais explícita ou implicitamente, luta: a necessidade irresistível de reencontrar a vida na sua forma pura.

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Se a linha azul do mar tanto nos seduz é também porque essa imensidão nos lembra o nosso verdadeiro horizonte. Se subimos aos altos montes é porque na visão clara que aí se alcança do real, nessa visão resplandecente e sem cesuras, reconhecemos parte importante de um apelo mais íntimo. Se buscamos outras cidades (e nessas cidades uma catedral, um museu, um testemunho de beleza, um não sei quê…) é também perseguindo uma geografia interior. Se simplesmente investimos numa dilatada experiência do tempo (refeições demoradas, conversas que se alongam, visitas e encontros) é porque a gratuidade, e só ela, nos dá o sabor adiado da própria existência.

Entendemos bem aquele verso de Ruy Belo que diz: «Espero pelo verão como quem espera por uma outra vida». Na verdade, não é por uma vida estranha e fantasiosa que esperamos, mas por uma vida que realmente nos pertença. Por isso é tão decisivo que as férias, tempo aberto às múltiplas errâncias, não se torne um período errático e vago; tempo plástico e criativo e não se enrede nas derivas consumistas; tempo propício à humanização não se perca na fuga a si mesmo e no ruído do mundo. Em toda a tradição bíblica o repouso é uma oportunidade privilegiada para mergulhar mais fundo, mais dentro, mais alto. É aceitar o risco de sentir a vida integralmente e de maravilhar-se com ela: na escassez e na plenitude, na imprevisibilidade dolorosa e na sabedoria confiante.

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texto de José Tolentino Mendonça, In O hipopótamo de Deus e outros textos, ed. Assírio & Alvim, 05.07.10

HERÓIS NÃO NASCEM, FAZEM-SE

E a meditação desta manhã fala disso mesmo. Com facilidade nos esquecemos que todos os dias são de recomeço e de possibilidades infinitas. Que todos podemos ser heróis. Além da meditação que partilho deixo um link para uma talk que fala do mesmo, de outra forma. Não deixem de VER & OUVIRRita Pierson defende que todas as crianças precisam de referências. Esta professora defende que a aprendizagem e a educação só acontecem verdadeiramente quando há relacionamento, quando há connection…as crianças não aprendem com pessoas que não gostam, diz.

“Um vendedor tocou à campainha de uma moradia e a porta foi aberta por uma criança de nove anos que fumava um cigarro. Disfarçando a surpresa, o vendedor perguntou: “A tua mãe está em casa?”
O rapaz tirou o cigarro da boca, deitou a cinza para o tapete e perguntou: “O que é que acha?”

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Esta criança ainda tem muito para andar antes de chegar à maturidade. Assim como todos nós. E nesse processo fazemos uma quantidade medonha de coisas erradas antes de acertarmos com elas. Os dois heróis que a Igreja celebra a 29 de junho, na festa dos santos Pedro e Paulo, são exemplos perfeitos disso mesmo.

Pedro, o denominado primeiro Papa, passou uma boa parte da vida a recordar que muitas vezes mais vale estar calado. Durante longos anos especializou-se em falar primeiro e pensar depois. Prometeu lealdade eterna a Jesus e poucas horas a seguir negou até que o conhecia. Esteve no lado errado da discussão sobre a permissão da passagem dos não judeus para o cristianismo. Ainda assim, foi um rochedo para a comunidade cristã e deu a vida por ela.

Paulo, por outro lado, era um perfecionista. Queria ser perfeito e pensava que podia sê-lo, pelo que as suas imperfeições deram com ele em doido. Diante deste quadro, encontrou uma maneira de compensar o seu desequilíbrio atacando as imperfeições dos outros: quando era judeu, queria matar os cristãos! E mesmo depois da sua conversão, foi frequentemente um choramingas e um maçador hipócrita. Ainda assim, no fim deixou de se armar em perfeito e, em vez disso, deixou que Deus fosse Deus para ele. Aprendeu a distender-se no Senhor e nEle encontrou a força para fazer o que quer que fosse preciso, incluindo dar a vida.

Os heróis não nascem heróis – fazem-se, muito lentamente, com a ajuda da graça de Deus. Quando celebramos o triunfo da graça de Deus em Pedro e Paulo, celebramos igualmente o facto de também nós podermos ser grandes, cada um de acordo com a sua realidade. A festa é também uma oportunidade para afastar todos os falsos medos que nos segredam que nunca sairemos do que somos hoje, todos aqueles medos que nos dizem que nem Deus nos pode fazer crescer interiormente, que nem Deus nos pode tornar grandes.

Deus pode e Deus quer que cresçamos mais, se pusermos de lado o medo e deixarmos que ele nos toque, se deixarmos que ele chegue a todos os nossos lugares profundos que estão feridos, doentes ou divididos. Deus pode fazer por nós o que fez por Pedro e Paulo, se confiarmos nele o suficiente para o deixar entrar e se trabalharmos com ele até que esse trabalho esteja verdadeiramente acabado.

Nunca é tarde demais, por isso recomecemos! E desta vez, com a ajuda de Deus, não paremos enquanto não tivermos acabado!

DAQUI |  P. Dennis Clark, In Catholic Exchange, Trad. / adapt.: rm, © SNPC (trad.)

QUANTO MAIS NOS DARÁ ELE?

Amo-te no intenso tráfego |  DA NOSSA VIDA
Com toda a poluição no sangue | NAS MANHÃS DA NOSSA PÁSCOA
ONDE SE RENOVA E RECRIA ESTE VIVER .
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Exponho-te a vontade | E PRESSINTO-TE ENTRE NÓS
O lugar que só respira na tua boca | NUM INTERVALO DE SOL
Ó verbo que amo como a pronúncia | EM QUE A ARANHA SE ESPREGUIÇA
Da mãe, do amigo, do poema | E A FOLHA DESPONTA NA ÁRVORE
Em pensamento | DEFRONTE
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 Com todas as ideias da minha cabeça ponho-me no silêncio | OBSERVO O QUE VEM DE TI
Dos teus lábios | NO QUOTIDIANO DOS DIAS,
Molda-me a partir do céu da tua boca | E TUDO PARECE FEITO DE VIDA
TUDO NOS ELEVA À SIMPLICIDADE.

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Porque pressinto que posso ouvir-te
No firmamento | NO VESTÍGIO DOS LIMITES DA VIDA
QUE PRESSENTIMOS NA SOMBRA DESENHADA NA ESTRADA,
NA CURVA QUE A BICICLETA DOBRA A MEDO,
E NO FOLAR QUE FOI AMASSADO COM ESFORÇO.
A REALEZA DA NOSSA PÁSCOA ESTÁ NA ALEGRIA
DAS NOSSAS COROAS DE PAPELÃO. 
 
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Amo-te no Intenso Tráfego, um poema de Daniel Faria, in “Dos Líquidos” | QUANTO MAIS NOS DARÁ ELE, uma prosa de CP, in “Série da Páscoa”

BEM VINDOS À ALEGRIA QUE SE APEGA A NÓS E NOS LEVARÁ

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Este fim de semana passámos grande parte do nosso tempo dentro do Centro Cultural de Ílhavo. É uma das salas de espetáculos que mais apreciamos na região:   pela arquitetura do espaço, pela acústica e pela particularidade do palco ser um contínuo da sala.

A possibilidade de apresentarmos a encenação da “Paixão de Cristo”, no palco do CCI, no âmbito da programação da Missão Jubilar, para 850 pessoas ao longo do fim de semana, foi magnífica. Sobretudo se tivermos presente que se trata de um projeto comunitário: que nasceu e cresceu numa paróquia, que vive do voluntariado, da dedicação e dos talentos de mais de uma centena de pessoas, e que pretende comunicar a alegria da Páscoa. Partilhar esse enorme desafio de superarmos o que somos, de recomeçarmos uma VIDA NOVA e um NOVO TEMPO, envolvendo-nos ativamente na construção da civilização do amor, sem receio de pedir perdão, “o Senhor não se cansará de perdoar: jamais. Somos nós que nos cansamos de Lhe pedir perdão” (Papa Francisco I, V Domingo Quaresma).
BASTIDORES.jpgDesta vez estivemos do lado de lá: atuando no palco, utilizando os camarins, ocupando a réggie, antendendo ao balcão, coordenando montagens e desmontagens, colaborando no acolhimento. Como é bom inverter papéis. Estar do outro lado. Colocarmo-nos no papel dos que dão/oferecem/atuam/agem e partilhar com a nossa GENTE esta forma de vida que nos coloca ao serviço dos outros!
ABRINDO A PORTA AO QUE SOMOS –  IN & OUT, UP & DOWN,  –  sejam bem vindos à alegria que se apega a nós e nos levará à vida  nova. Sempre!BeFunky_IMG_0254.jpg

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