A ESTAÇÃO QUE SE SEGUE

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A Terra dos Que Vivem Aqui tem lugar cativo na minha retina. Entra-me olhar adentro todos os dias. Nos trajetos do costume, onde quase sempre vamos variando, a paisagem continua em mutação. O Outono começa a enviar os seus sinais. A igreja velha (re)vestiu-se de cara nova e até galo lá em cima se engalanou  para nos dar direção. Na mesma rua o milho segue a várias velocidades. As telas gigantes que se avistam do Benavente, a cada final de dia, começaram a pedir para sairmos à rua para as habituais brincadeiras de muro e voltaram a escancarar as janelas, de par em par, agora para nos começarmos a habituar à frescura do final de Verão. Seguimos viagem para nova estação…

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A(S) FONTE(S) DA VILA

POST SCRITPUM: uma sugestão de leitura que combina com a fonte e vem a calhar para nos consciencializarmos ainda mais deste saborear o que é NOSSO e do prazer de viver…

mergulhadormanco
Na nossa vila existem 7 fontes (se não estou em erro) distribuídas pelos vários lugares da freguesia. Creio que em todas há água fresca corrente e tanques onde já se esfregou muita conversa de aldeia e se lavou muita roupa suja. Uma delas fica ao final de um estreito caminho, de entrada disfarçada, na Rua do Arieiro. É uma das duas mais próximas do nosso Benavente. Nos anos mais recentes, praticamente, todas as fontes foram alvo de intervenção, por parte da Junta de Freguesia. Foram limpos os espaços adjacentes, revestidas as paredes com azulejos e na maior parte delas renovadas as coberturas e melhorados os acessos. As fontes voltaram a ser lugares aprazíveis e cuidados. Da observação esporádica, temos vindo a reparar que as pessoas regressaram àqueles locais, com carretas carregadas de tapetes e trouxas de roupa.

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paisagem

Nós gostamos de fontes, como gostamos de quase tudo o que envolve chão (d)e memórias na Terra dos Que Vivem Aqui: a Praça, o coreto, a Rua da Adrep, o telhado da fonte da Tojeira, a descida da Pedreira, etç….
Devemos ser dos visitantes mais frequentes da fonte do Arieiro. Não para lavar, porque ainda não nos aventurámos nessa poupança, mas pelo prazer de ali ficarmos a ver a paisagem e a ouvir pássaros e água a correr. Há vários anos que este lugar se foi tornando especial, quase uma extensão do nosso Benavente, um sítio mágico, sempre bucólico,  onde vamos vendo passar as estações.

mergulha
Este fim de semana a fonte ganhou outra frescura. Pela primeira vez, os manos foram ao banho (completo) na fonte. Os tanques do meio, com água límpida e gelada, foram a brincadeira perfeita para aliviar dois dias de intenso calor. Quem não tem as fontes de Roma e os repuxos de tantas cidades, onde gostávamos de nos passear e refrescar, pode sempre recorrer ao que existe perto de si. É isso mesmo que vamos fazendo, desfrutando cada vez mais DAQUILO QUE É NOSSO!banhosnafonte

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A fonte da vila foi uma DAS estações do nosso VERÃO. Verão bom, bom, bom!!!
Só espero que estes mergulhos não dêem direito a coima ;)…os avisos por ali são apenas do cuidado com o lixo, e esse temos sempre em excesso, já que aproveitamos as visitas para fazermos o LIMPAR as fontes de PORTUGAL na nossa vila).

DIA DE FEIRA & FALATÓRIO NA VILA

DaTerradosQueVivemAqui.jpgHoje a Feira da Palhaça devia ser o local mais seguro das redondezas para passear com um bebé. Quem não estava a gostar muito de tanta segurança e fiscalização eram os feirantes e quem vinha à procura da vasta e afamada oferta do costume da Feira dos 12 e dos 29.

Quem, como nós, chegou volta das onze, foi assistindo ao êxodo do que restava de vendedores e bancas. Ainda assim não escapámos do cheiro farto a frango churrasco e de nos cruzarmos com tanta gente conhecida.

Com fatura, – SIM SENHOR POLÍCIA –  trouxemos umas pechincha de calças, 4 babetes coloridos e uma caixa de morangos.  O assunto do dia em todas as filas e bancas desoladas era a presença de tanta Inspeção Económica, de tanto GNR e de multas que foram sendo passadas a alguns dos vendedores. O falatório foi geral o resto do dia na vila. Todos comentavam a indignação perante tanto aperto…a troika e as faturas andaram nas bocas dos Palhacenses este 29 de abril. “Maldita buricracia”, dizia o homem das regueifas…”para vender tenho de pagar mais do que o que cobro!”

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HOMETOWN GLORY

 “Round my hometown / Memories are fresh / Round my hometown / Oh the people I’ve met / Are the wonders of my world
Are the wonders of my world / Are the wonders of this world / Are the wonders now”.

ADELE enquanto “Hometown glory”
E assim dançaram meus olhos pela vila, nas rotinas desta semana, na Terra dos Que Vivem Aqui.  Ainda não são sete da manhã, eles dormem, eu comecei o dia com três horas bem úteis de avançdeixarfilhonaescola.jpgo…Boa sexta-feira ! 
Normalmente, entre as 8h30 e as 8h45, é tempo de deixar os manos: um no Espaço Vida outro no Centro Escolar. Sempre na Palhaça, indiferente na ordem, ambos a 5 minutos de casa, a 500m um do outro.rvoredescidaRUADAPEDREIRA.jpg
Quase sempre, quando o relógio começa a subir o ponteiro às 8h50, é tempo de descer para a rua da Pedreira e ter vontade de parar, olhar o céu, respirar fundo e iniciar a descida acentuada da vila, ali à direita…imagino sempre que se fosse de bicicleta tiraria os pés dos pedais e lançaria o bom dia aos limões, às chaminés e à senhora de negro que se cruzam todos os dias comigo neste bocadinho de montanha da vila…ceuaovirarRUADAADREP.jpg
Ao final do dia, quando calha, entre as 18h00 e as 19h00, este pode muito bem ser o céu a nascente, quando viro perto da fonte do Bebe-e-Vai-te (sim, uma fonte com uma lenda curiosa, onde há gente que ainda esfrega roupa à mão) para receber a corrida de D. Sebastião que quer regressar a casa…opassaroTRAnsparentdaruabenavente.jpg
E a luz esvai-se assim, dias seguidos a fio, para as nossas bandas, com esta vista soberba sob a promessa de Primavera- Com ela os pássaros que por aqui são espécies raras, frequentes e até transparentes…
 

 “Round my hometown / Memories are fresh / Round my hometown / Oh the people I’ve met / Are the wonders of my world
Are the wonders of my world / Are the wonders of this world / Are the wonders now”.

245# REWIND

smilling

Passamos os dias a queixarmo-nos que tudo passa a correr e que o fim de semana voa. A verdade é que NÓS POR CÁ não somos excepção, teríamos mais uma dezena de opções se o dia tivesse mais horas, mas a verdade é que sempre que faço rewind reparo que vivemos imensos momentos especiais, que andámos a maior parte do tempo juntos e que nesse TEMPO cabem experiências variadíssimas e enriquecedoras.
Isto só pode querer dizer que gostamos de viver, de conhecer e desfrutar, de estar no mundo de forma ativa. É isto que queremos passar como herança e ensinar aos nossos filhos. Que não precisamos de viver numa cidade para sermos urbanos ou vivermos uma vida cultural e social intensa. Também aqui somos do mundo. Que nem sequer  precisamos de ter muito dinheiro, nem sermos os mais inteligentes, muito menos ocuparmos lugares de destaque para SERMOS BOAS PESSOAS.

Queremos que eles vivam e percebam que TODOS, mas mesmo TODOS temos a liberdade e a possibilidade de SERMOS QUEM SOMOS, onde quisermos, e que podemos colocar aquilo que aprendemos, admiramos e somos ao serviço dos outros e dos sítios onde pertencemos, mas também que jamais o FAREMOS SOZINHOS.

Neste fim de semana, em que não faltaram momentos bons, andei a pensar nisto – NO VALOR QUE AS PESSOAS PODEM ACRESCENTAR AOS SÍTIOS AOS QUAIS PERTENCEM.  É isto que queremos ensinar os NOSSOS filhos: o bem, o bom, o belo e o possível só dependem de nós. E se isto começa em nós, segue obrigatoriamente na família, e continuará em tudo onde nos movemos…é esse o valor que temos a acrescentar O QUE SOMOS.

festinhacentrosocialSebastião & friends na Festa de Natal do Centro Social e Paroquial S.Pedro da Palhaça.
TaMar_ilhavoTá Mar, um projeto teatral comunitário apresentado para assinalar os 75 anos do Museu Marítimo de Ílhavo. Um texto de Alfredo Cortez, representado em 1936, que foi um sucesso do teatro Português, foi este fsm revisitado de forma criativa e contemporânea com forte envolvimento da comunidade local. Uma forma simples e simultaneamente brilhante de partilhar o património cultural mítico das comunidades de pescadores, levada ao palco com gente comum através do trabalho do encenador Graeme Pulleyn. Gostámos muito!
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Este ano, quatro amigos do Salvador aceitaram o desafio e saltaram da cama enfrentando as baixas temperaturas para vestirem o dorsal do XI Grande Prémio de Atletismo da Palhaça, organizado pela ADREP. Contentes e de sorriso ofegante, cruzaram a meta, com vontade de regressar novamente. Os benjamins ainda tiveram direito a uma troca de impressões com a ex atleta Olímpica e madrinha desta prova, Rosa Mota.
meteManos

222# ESTAÇÃO DE OUTONO

Uma descida acentuada. Um dia a meio. Um caminho bucólico de quadro impressionista e o sol a pique. Uma hora de outono para dois. Brincadeira pegada, sapatos molhados, folhas voadoras. Uma quinta “ia-ia-ó” devolvida no eco e folhagem de perder de vista quando mandamos os olhos ao ar.
Todas as tonalidades preferidas ali, naquele ramalhete que borda as fronteiras da descida onde já tombámos este verão de bicicleta. Onde tudo era verde, onde a terra seca arranhou os joelhos no deslize da roda.
A oeste da Terra dos Que Vivem Aqui paisagens como esta, exuberantes, lindas e gratuitas, ignoradas por tantos que preferem percorrer as montras da paisagem comercial ou mantém fechadas durante tempo infinito e dias a fio as persianas, os estores e as portadas dos pequenos fortes onde se excluem do magnifico paraíso que (n)os rodeia. Onde mantém à margem o sítio onde vivem, sem o deixarem entrar em casa. Porque a nossa terra não é só um sítio onde vivemos, é um território que passa a viver connosco, não? Que nos entra e entranha casa adentro e não fica no tapete onde sacudimos os pés…
Lamento tanto esta privação voluntária a que tantos se submetem. É um lamento verdadeiro, sentindo que deslumbrados vivemos mais felizes com as coisas simples desta vil(d)a, que de este a oeste, entre o norte e o sul, oferece o que é de todos. E é uma pena privarem esta vila feliz de tanta contemplação, da diversidade de tons de voz, dos risos na descoberta da vizinhança que vai além das traseiras e dos quintais, e de deixarem os passos seguirem pelas ruelas e recolhas fortuitas de folhas e pedras, ouriços e musgo.

Porque a crise ainda não chegou à contemplação e não há imposto que nos impeça de degustar o outono, devagar, para apreciarmos com especial carinho cada estação que (re)veste a nossa vila feliz de forma gratuita e tão magnífica. Pode ser que o menino das folhas cresça a achar que do outro lado do caminho das videiras continue a existir um outro Sebastião a gritar outono como ele, depois dele…

174# FÉRIAS GRANDES & AVÓS

Os REIS DAS FÉRIAS! Já lá vão 28 dias de férias no calendário dos manos. Pela frente ainda mais uns quantos, pelo menos para o Salvador cujo ano letivo começará entre 10 e 14 de setembro. O Sebastião, esse BIG SMILE BOY regressa à salinha de creche mais cedo, já na próxima segunda-feira. Entretanto, vale-nos a disponibilidade da família e mimam-se avós e netos. Juntos a gozarem a liberdade dos dias naquela cumplicidade tão própria e tão enriquecedora que se establece entre avós e netos. Os avós constituem uma janela privilegiada para o passado da família e da comunidade e tê-los por perto, com saúde e tão companheiros, é um privilégio que todos os dias agradecemos.

Numa terça-feira como a  de hoje pode acontecer que um fique ao colo da avó Maria e o outro tome descansadamente o pequeno almoço com a avó Isabel onde esta noite ficou a dormir. É por esta familiaridade e por tantos outros motivos que esta Palhaça é para nós uma VILA FELIZ. É nela que vivem  muitas das pessoas mais importantes da nossa vida, mas é também por aqui que eles, tal como nós, vão criando as suas raízes, as suas referências, não só familiares como comunitárias. As redes e o sentimento de pertença que hoje em dia podem fazer a diferença na sociedade em que vivemos. No compromisso que sentimos com o zelo do lugar que habitamos e com as pessoas da nossa comunidade, com o outro.
Vivam os nossos AVÓS, viva a vila dos nossos AVÓS!  Porque é também por aqui que lhes vamos contando a história da nossa infância e dos 3 bisavós que infelizmente não conheceram pessoalmente e cujas memórias lhes vamos passando.  Pessoas com quem, quer eu quer o Pedro, tivemos a sorte de passar muitos dias das NOSSAS FÉRIAS GRANDES. É esta a herança que lhes queremos deixar: a proximidade e a possibilidade de viverem juntos experiências que serão marcantes e definidoras das pessoas que somos. [ vale a pena ler “Avós e netos: uma relação afectiva, uma relação de afectos”].