LEITURAS (SOBRE E) PARA FAMÍLIAS COM CRIANÇAS

Esta semana duas leituras que merecem integrar o arquivo do blog, para regressar sempre que a memória e/ou o bom senso me falhe. A crónica “A mais violenta prova de resistência de uma casal? Vem com chupetas”  de Paulo Farinha (publicada originalmente na edição de 26 de julho de 2015), sobre relações e a sua resistência aos filhos, e uma entrevista muito oportuna sobre as crianças que andamos a criar – “Estamos a criar crianças totós de uma imaturidade inacreditável” – onde o Prof. Carlos Neto (publicada pelo Observador em 25 de julho de 2015), que trabalha com crianças há mais de 40 anos, fala  sobre o sedentarismo, a falta de autonomia dada pelos pais às crianças, bem como a ausência de tempo para elas brincarem livremente, correndo riscos e tendo aventuras. Valem ambas a leitura.

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A MAIS VIOLENTA PROVA DE RESISTÊNCIA DE UM CASAL? VEM COM CHUPETAS 

HAVERÁ POUCAS COISAS mais violentas para a vida de um casal do que o nascimento de um filho. A ideia, de tão natural, chega a ser banal de escrever. «Pfff… podes crer», dirão os pais e mães de crianças com menos de 5 anos ao ler isto. É, não é? Vocês sabem bem. Ritmos detalhados, […] HAVERÁ POUCAS COISAS mais violentas para a vida de um casal do que o nascimento de um filho. A ideia, de tão natural, chega a ser banal de escrever. «Pfff… podes crer», dirão os pais e mães de crianças com menos de 5 anos ao ler isto. É, não é? Vocês sabem bem. Ritmos detalhados, noites mal dormidas, cansaço, nervos à flor da pele, fraldas… E as constantes solicitações, a disponibilidade, a mudança de horários em tudo e mais alguma coisa – menos na criança, que precisa deles certos. E o dinheirão que se gasta. E as refeições que é preciso planear, confecionar, dar, para depois ter a louça para arrumar e a cozinha para limpar. E a roupa para preparar, raios que já não há bodies lavados, por que é que nunca sabes onde está a roupa dela?
E ÀS ONZE DA NOITE, quando tudo acalma, só há vontade de cair no sofá e estupidificar um pouco em frente à televisão. Por favor não me chateies agora, que não me apetece ter conversas sérias, só quero distrair-me um pouco antes de dormir duas horas, porque depois vou acordar novamente para dar o biberão da noite. E se não der eu, dás tu, por isso aproveita e vê televisão também, o sofá chega para os dois. A menos que ainda tenhas de trabalhar. O relatório para acabar ou o prazo para cumprir. Nesse caso, não me acordes quando chegares à cama. Falamos depois. Amanhã, se der. Ou no fim de semana. Se não tivermos de ir com um deles para as urgências. Ou com o outro a uma festa de aniversário. Vida social preenchida, a destes putos.
E VOCÊS, OS QUE TÊM FILHOS mais velhos? Já não se lembram bem disto, pois não? Já passaram essa fase. E continuam casados? Aguentaram o embate? Passaram a zona da rebentação, já subiram para o barco e agora estão a ver para onde se rema? Escrevam um livro. Façam workshops. Falem com os amigos. Expliquem ao resto da malta como é que isso se faz. É que a capacidade de resiliência e a resistência à frustração não são iguais em toda a gente e nem todos lidam com as dificuldades e os desafios da paternidade da mesma maneira.
CADA UM TEM O SEU MÉTODO. Há casais que suportam melhor o choque violento. E apoiam-se bem. Hoje sou eu, amanhã és tu. E há quem vá conseguindo levar isto a bom porto. E os miúdos vão crescendo bem, é o que importa – afinal, se eles estiverem bem, nós ficamos logo melhor, não é? Os que conseguiram resistir e não se divorciaram quando os putos eram pequenos foram adiando e lá perceberam que, afinal, até era possível voltar a ter alguma paz. Passada a fase pior, aquela em que nem conseguiam olhar para a cara do outro (sobretudo quando ele estava fresquinho e tinha dormido bem), foi possível voltar a gostar. Devagarinho, um dia de cada vez. E, claro, voltar a dormir. E com as horas de sono veio tudo o resto. Também começaram pelo sexo?
LUCKY BASTARDS? TALVEZ. A que custo foi isso? E o que tiveram de hipotecar pelo caminho? Que parte deles tiveram de deixar para trás em nome dos filhos? E são mais felizes assim? Ou nem por isso? Ou será que os mais felizes são os outros? Os que se divorciaram? Há uma semana, no espaço de sete horas, passou-me isto tudo pela cabeça. No batizado que ocupou o domingo todo, encontrei pessoas que não via há uns anos. Todos têm filhos pequenos. Uns estão casados. Ainda estão casados. Outros – eram seis, contei-os duas vezes, para ter a certeza – estão separados. Em quatro anos, 12 pessoas daquele grupo seguiram rumos diferentes. É precisa uma dose valente de presunção para dar bitaites sobre a vida de gente que encontro de tempos a tempos, mas não estou a tecer juízos de valor. Estou só a admirar a capacidade do ser humano em adaptar-se. Foi o que fizeram aqueles seis. Se foram só os filhos a contribuir para isso? Não devem ter sido. Foi a vida. E os filhos fazem parte dela.

Retirado daqui.

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“Estamos a criar crianças totós, de uma imaturidade inacreditável”

Quanto mais recreio, mais atenção nas aulas. Quanto menos liberdade para brincar, maior o risco de acidentes. Carlos Neto, professor da FMH, explica por que tem de ser travado o “terrorismo do não”.

Carlos Neto é professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa. Trabalha com crianças há mais de quarenta anos e há uma coisa que o preocupa: o sedentarismo, a falta de autonomia dada pelos pais às crianças e a ausência de tempo para elas brincarem livremente, correndo riscos e tendo aventuras. É um problema que tem de ser combatido, diz. Porque a ausência de risco na infância e o facto de se dar “tudo pronto” aos filhos, cada vez mais superprotegidos pelos pais, acaba por pô-los em perigo. Soluções? Uma delas passa por “deixar de usar a linguagem terrorista de dizer não a tudo: não subas, olha que cais, não vás por aí…”.

Há dez anos já se falava no sedentarismo das crianças portuguesas. Lembro-me que dizia que uma criança saudável é aquela que traz os joelhos esfolados. Como estamos hoje?
 Há dez anos nós falávamos que as crianças tinham agendas, hoje digo que têm super-agendas! Há dez anos eu dizia que as crianças saudáveis eram as que tinham os joelhos esfolados. Hoje, acho que os joelhos já não estão esfolados, mas a cabeça destas crianças já começa a estar esfolada, por não terem tempo nem condições para brincar livremente. Brincar não é só jogar com brinquedos, brincar é o corpo estar em confronto com a natureza, em confronto com o risco e com o imprevisível, com a aventura.

As crianças brincam porque procuram aquilo que é difícil, a superação, a imprevisibilidade, aquilo que é o gozo, o prazer. E, portanto, as crianças que eu apelido de crianças “totós”, são hoje definidas como crianças superprotegidas, crianças que não têm tempo suficiente para brincar e crianças que não têm tempo nem espaço para exprimir o que são os seus desejos. E o primeiro desejo de uma criança é o dispêndio de energia, é brincar livre e com os outros, mesmo que muitas vezes em confronto. Porque o confronto é uma forma preciosa de aprendizagem na vida humana. E nós estamos a retirá-los de tudo isso. Estamos a dar tudo pronto e não estamos a confrontá-los com nada. E isso terá muitas consequências.

Estamos a falar de que idades?
Estamos a falar de crianças entre os 3 e os 12 anos. Significa que aumentou de facto esta taxa de sedentarismo, eu diria mesmo de analfabetismo motor, estamos a falar de iliteracia motora. Trabalho há 48 anos com crianças e sei avaliar o que se passou. As crianças têm menos capacidade de coordenação, menos capacidade de perceção espacial, têm de facto menor prazer de utilizar o corpo em esforço, têm uma dificuldade de jogo em grupo, de ter possibilidades de ter aqueles jogos que fazem parte da idade. Ao mesmo tempo, institucionalizou-se muito a escola. Nós hoje temos as crianças sentadas durante muito tempo, não há uma política efetiva adequada de recreios escolares. Os recreios são organizados muitas vezes em função de um modelo de trabalho, ou de um modelo de funcionamento pedagógico, que tem a ver mais com as aprendizagens pedagógicas obrigatórias ou consideradas úteis, e muito menos com as atividades do corpo em movimento. E, por isso, há alguns trabalhos de investigação que temos vindo a fazer, onde tentamos mostrar a correlação entre o tempo que as crianças têm de recreio, a qualidade de atividade que fazem no recreio e a capacidade de aprendizagem na sala de aula.

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É O FUNGAGÁ…

FUNGAGÁ DA BICHARADA. Cantiga infantil de José Barata Moura, interpretada AQUI pelos Deolinda.
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A visita ao Zoo de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia, foi uma das aventuras dos últimos dias de férias a 5. Já tínhamos ouvido falar muito do espaço e até já conhecemos o vizinho Parque Biológico, mas esta quinta, ali na encosta traseira da cidade, repleta de história & espécies animais, foi uma boa surpresa que resultou numa divertida manhã de verão. Houve até quem fizesse amigos* entre os animais, como se cantava no genérico da Arca de Noé!
*
makingfriends.jpgComeçámos com as aves de rapina, passeámo-nos ao sabor da curiosidade dos mais novos, avistando linces e outras feras (algumas ali mesmo ao nosso lado, ou será entre nós?), e terminámos a visita no reptilário pregando alguns sustos aos espertinhos dos meninos que temos [reportagem fotográfica do Salvador nas Suas Nuvens Amarelas]!passarolindo.jpg

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Dos espaços do género que já tivemos oportunidade de conhecer com filhos – Zoo de Lisboa, o Europaradise de Montemor-o-Velho, o Zoo da Maia e o Parque Biológico de Gaia – o Zoo de Santo Inácio ficou entre os dois que mais gostamos, ao lado do parque de Montemor. Pelas áreas verdejantes, espaçosas e cuidadas de ambos, mas também pela diversidade de espécies que podemos apreciar em cada um. Na impossibilidade de os levarmos numa volta ao mundo para conhecerem a imensa diversidade de vida animal que reina sobre a terra, este locais são alternativas para lhes tornarmos mais concretas as histórias que vão aprendendo nos LIVROS e/ou com os desenhos animados.
Dado que na sua grande maioria estes parques/empresas/instituições são acima de tudo espaços de preservação das espécies animais e vegetais, especialmente as que se encontram em risco de extinção, com a nossa visita estaremos a contribuir para a continuidade destes trabalhos. Por agora, a nós fica-nos a faltar um Safari alentejano até ao Badoca ParK.
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COIMBRA, UMA LIGAÇÃO UMBILICAL?

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É sobretudo uma relação de afetos a que temos com Coimbra. A cidade que para nós sempre nos trouxe vida nova. Vidas novas. Por isso regressamos sempre e várias vezes, sem que seja necessário um motivo, um lugar ou alguém. Voltamos na liberdade dos dias em que nos apetece regressar onde fomos felizes. Os nossos três filhos nasceram em Coimbra. Ali vivemos alguns dos momentos mais mágicos e inesquecíveis das nossas vidas e dos primeiros momentos das nossas grandes peripécias em família (que se multiplicam a cada visita).
Fomos de comboio, para gozo dos manos, e deixámos-nos vaguear, primeiro cidade adentro e depois  cidade acima. Desta vez não podíamos regressar sem um passeio no Mondego. Pelos entretantos, cruzámo-nos com muitos turistas e várias famílias de três, e ficámos encantados a olhar o céu apreciando as malhas dos guarda-chuvas quando a chuva se substitui com crochet solidário [1.º Festival do Croché Social]

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CORITA KENT, A FREIRA DA POP ART

Bruscamente, neste verão de 2013, duas paredes da Caixa Geral de Depósitos [Culturgest, Lisboa] transformam-se numa improvável catedral. Não se espantem. Na exposição ali patente, “Tell It To My Heart”, que reúne a coleção de Julie Ault, há uma secção fora do formato, em muitos sentidos. É a oportunidade imperdível para contactar com um conjunto radical de arte sacra assinada por uma freira de olhar doce, a irmã Corita Kent [1918-1986].

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Contemporânea de Andy Warhol e de Rauschenberg, ela foi talvez a primeira artista a trazer uma dimensão religiosa à pop art. Enquanto Warhol celebrava em Nova Iorque (com mais ironia do que reverência, é verdade) a cultura de consumo e os seus ícones, Corita, numa escola de freiras em Los Angeles, utilizava a tipografia comercial e o grafismo da publicidade para comunicar outros ideais: a fé, a paz, a participação das mulheres na vida social, os direitos civis, a luta contra o racismo.

E ela justifica-se assim: “Hoje a satisfação inifinita daquilo de que o homem tem fome surge-nos não só nos contos de fadas ou nos poemas, mas em outdoors, anúncios e reclames televisivos. Quanto aprendemos a fazer com os mitos e parábolas, deveríamos também aplicar aos painéis publicitários. Em certo sentido, é tão simples como isto: tomá-los pelo que são, sinais. Glória a Deus pelas paisagens urbanas – elas tresandam de sinais. Glória a Deus pelas revistas dos escaparates – elas transbordam de publicidade.”

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No mesmo ano em que Andy Warhol apresenta as famosas latas de sopa Campbell (o ano de 62), a irmã Corita pega num slogan da Pepsi (“Come alive, you’re in the Pepsi generation!”) e transforma-o em “Come Alive!”, uma espécie de alogio à vida.

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Era este o seu estilo: cortar, colar, recompor, recontextualizar o prolífero arsenal da cultura popular, tentando identificar onde quer que fosse, e sem nenhum tipo de constrangimento, uma mensagem de espiritualidade e de amor.

 

O Espírito sopra, de facto, onde quer. Não admira que a irmã Corita juntasse, nas mesmas serigrafias, ditos de Jesus e extratos da banda desenhada do Snoopy, canções do Beatles e textos de santos, discursos de Martin Luther King Jr. e frases de Beckett, poemas de Walt Whitman ou Rilke e palavras de ordem do grupo de rock psicadélico Jefferson Airplane.

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Memoráveis são também as regras que, segundo ela, deveriam inspirar todo o trabalho de criação.

Regra um: procura um lugar que julgues de confiança e experimenta confiar nele por algum tempo; regra dois: deveres gerais de um estudante – aproveita o melhor possível o teu professor; tira o melhor partido dos teus colegas; regra três: deveres gerais de um professor – retira o melhor dos teus alunos; regra quatro: considera tudo uma experiência; regra cinco: sê autodisciplinado – isso significa encontrar alguém sábio ou inteligente e escolher segui-lo; ser disciplinado quer dizer segui-lo bem; ser autodisciplinado quer dizer segui-lo melhor: regra seis: não existem erros; não existem vitórias ou derrotas, só existe o fazer; regra sete: a única regra é o trabalho; se trabalhares, isso vai levar-te a alguma parte; são as pessoas disponíveis, a cada momento, para qualquer trabalho, que conseguem fazê-lo; regra oito: não tentes criar e analisar ao mesmo tempo; são processos diferentes; regra nove: sê feliz sempre que possas; diverte-te; é mais fácil do que pensas; regra dez: “Quebremos todas as regras. Até mesmo aquelas que inventámos para nós próprios” (John Cage);

sugestões: continua sempre por perto; vai ou volta dos vários eventos; participa nas aulas; lê tudo aquilo que te cai nas mãos; vê os filmes com cuidado e muitas vezes; guarda tudo – pode vir a ser-te útil mais tarde.

 DAQUI A freira da Pop Art | José Tolentino Mendonça | In Expresso, 10.8.2013 | Imagens: Trabalhos de Corita Kent

SUMARENTAS & SABOROSAS

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Da ameixeira da avó têm chegado várias remessas de ameixas vermelhas este Verão. Além de serem docinhas QB  e saberem tão bem quando comidas à mão cheia diretamente da árvore em altura fresca, com elas também se podem fazer (entre muitas outras coisas) batidos saborosos. Muito simples na nossa versão. Basta um iogurte grego, uma taça de ameixas desacaroçadas e depois leite e/ou açucar a gosto. Voilá…fica uma delícia num lanche ou a acompanhar uma refeição leve de verão!batidoameixa

Sabiam que há mais de 2 mil variedades de ameixas no mundo? Verdade. Pelo menos segundo os livros e vários sites de nutrição. “As ameixas são fruta sumarenta e doce, disponível num leque variado de cores e sabores. “As ameixas são classificadas em seis categorias gerais – japonesa, americana, rainha-cláudia, ornamental, silvestre e europeia – cujos tamanho, forma e cor variam. Apesar de serem geralmente redondas, as ameixas podem também ser ovais ou em forma de coração. A pele das ameixas pode ser vermelha, roxa, preto-azulado, verde, amarela ou âmbar, enquanto a polpa tem tonalidades como o amarelo, verde, rosa e laranja – um verdadeiro arco-íris

Com mais fibra que qualquer outro fruto, verdura ou legume, é grande fonte de vitamina AB2 e potássio,e também, quando seca, contém alto poder laxativo.  Muito boa para quem tem excesso de colesterol, ajuda ainda à prevenção do cancro do cólon e infeções crónicas (arteriosclerose; gota; reumatismos, hepatite; cirrose).

info daqui & daquibatidoameixa3

A 80 KM DO MAR e 120 KM DAQUI

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Vai um mergulho?
Lá em casa não precisamos de perguntar duas vezes. Há sempre um nadador Salvador para quem está sempre bom tempo e todas as horas são boas para mergulhar e ficar de dedos encorrilhados de tanta água. O outro vai seguindo-lhe as manias de água, mas com duas lérias mais bem contadas ainda se contenta bastante bem com a piscina do banho diário.
Daí que em dias de morrinha aqui pela costa e/ou pelo prazer de seguir pelos caminhos de Portugal se a vontade for de mergulhar podemos sempre ir parar à Praia das Rocas. Fica em Castanheira de Pêra, concelho de Coimbra, a hora e meia da Terra dos Que Vivem Aqui. É verdade que o país inteiro já a conhece, da exaustão de reportagens que nos últimos anos ali se foram fazendo à custa das ondas que saem com hora marcada, mas nós nunca lá tínhamos estendido toalha. Não sei como será ao fim de semana ou pleno pico de afluência, a verdade é que acertámos no dia. Reinava a calma e espaço era o que não faltava. Ao frio e à morrinha que à saída de casa nos arrepiaram até aos ossos, seguiu-se um dia dos quentes a apetecer mesmo água e mergulhos. CastanheiraPera2.jpg

Tirando tudo o que apreciamos nos areais verdadeiros e insubstituíveis, tivemos um dia bastante bom: houve sombra, cadeiras de encosto, rodeo e mergulhos a rodos, gelados para todos em dose dupla e um calçadão a jeito para adormecer o nosso Salomão. E pronto, saímos da ignorância, os manos encheram-se de água, saltaram nas ondas e divertiram-se à brava. Já conhecemos a praia das ondas em Castanheira de Pêra, “um complexo de lazer, animação e divertimento situado num lago com quase 1 km de extensão”. Um parque para se visitar uma vez na vida. A menos que a morrinha e/ou nortadas da nossa costa venham para ficar muitas vezes…
No regresso, entre curvas e contra curvas de uma serra da Lousã com eucaliptos a mais para o nosso gosto, trouxemos três dorminhocos a cheirar a verão no interior. Na rua do Benavente, em pleno mês de julho, à nossa espera, um final de tarde bem frio. Soube mesmo bem esta fuga ao interior, e ao calor, o silêncio reinou mais cedo que é costume em casa.CastanheiraPera3.jpg CastanheiraPera4.jpg

FRESCA & FÁCIL

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Tenho algumas novidades e sugestões para partilhar que combinam bem com este tempo, supostamente, de maior fruição para a maioria. Começo por uma da área geográfica da cozinha, bem simples, que ontem experimentei a partir da página DIAS COM MAFALDA, da Mafalda Pinto Leite.

Andava à procura de alternativas para utilização de melancia, em doces e bebidas, e esta veio mesmo a calhar para aproveitar um restinho da grande melancia que me foi desaparecendo em gomos. É uma espécie de limonada de melancia, como ela escreve, e resulta da mistura da melancia com lima e hortelã. Chamar-lle-ia de MELANLIMADA.

É mesmo boa para refrescar um final de tarde ou acompanhar um jantar de verão, desde que servida bem fresquinha!!melanlimahortelada

RETIRADA DAQUI|

INGREDIENTES: 1/4 de melancia, fria; 1 lima; folhas de hortelã, a gosto e água fria, qb; COMO FAZER: cortar a melancia em pedaços e tirar a casca da lima. Encher o liquidificador com a melancia, juntar a lima sem casca, hortelã e agua fria suficiente para atingir a marca de 500ml (a minha faceta gulosa adicionou uma colher de açucar amarelo); tapar bem e misturar tudo muito bem  (se estiver muito espessa adicionar mais água); decorar a gosto e manter bem fresca até servir.