A OESTE, ALGO DE NOVO

colagemPortoNovo2015A cada ano encontrar lugares novos. Locais onde possamos regressar com o sentimento de que ali estreámos um roteiro familiar e fomos felizes. Assim foram os alguns dos dias que se seguiram à aventura nas Berlengas. Ficámos-mos pelo Oeste, zona de Torres Vedras. Queríamos intercalar uns dias de praia, antes dos dias que se seguiriam em Lisboa, e os únicos requisitos eram: dispensar o carro, alojamento familiar, refeições sem filas de espera e poder sentir o aroma da maresia. Tínhamos ficado muito bem impressionados com a costa oeste e a curiosidade no passeio a dois do ano anterior fez-nos arriscar e regressar em família. É bastante fácil satisfazer esta família: basta (sa)ir, tudo o resto depende de nós. O mapa dos sítios onde podemos estar juntos, inventar brincadeiras, passear descontraidamente, descobrir novidades e descansar, vai do nosso terraço ao resto do mundo.PraiaPortoNovoAntes de chegar à praia de Santa Cruz – muito popular e conhecida, sobretudo entre os amantes do surf – há um recanto que se chama Porto Novo. A praia de Porto Novo, onde desagua o Rio Alcabrichel, encontra-se no limiar de um vale paradisíaco, entre escarpas de vegetação luxuriante, onde se encontram grutas com vestígios pré-históricos. Antigo porto piscatório, esta praia é também conhecida por ter sido o local de desembarque das tropas britânicas que viriam a combater na batalha do Vimeiro, aquando da primeira invasão francesa (retirado daqui).
Ficámos, alojados no West Beach Hotel (recentemente renovado, com óptimo gosto e excelente serviço e áreas de estar), que recomendamos vivamente. A água é gelada, mas dizem que o mar é quase sempre calmo. Não estou a exagerar se escrever que foi na praia de Porto Novo que tivemos dos 3 melhores dias de praia deste ano, com mergulhos bem bons e estadias na praia até o sol se despedir. Junto ao hotel (com vista para mar e serra), mesmo em frente à praia, há poucos restaurantes muito simpáticos, com esplanada, onde se pode almoçar ou jantar muito bem, sem filas, sem confusões e muito bem, o que é óptimo para quem tem crianças.SerraCampoPortoNovoNum dos dias, em que o sol não acordou ao mesmo tempo que a nossa vontade de praia, fomos até Torres Vedras, visitámos o Castelo (com história da linha de torres pelo meio para os mais novos) e andámos no parque urbano no centro da cidade, espaço bem equipado para quem tem crianças também.
Na viagem até Lisboa fizemos questão de fazer percurso diferente: sempre pela costa, com paragens em algumas das praias da Reserva Natural do Surf (Pedra Branca, Reef, Ribeira d’Ilhas, Cave, Crazy Left, Coxos e S. Lourenço), com passagem no Cabo mais ocidental da europa – o Cabo da Roca (foto fantástica com o sol a querer furar as nuvens), depois contornámos vagarosamente a Serra de Sintra. Entrámos em Lisboa pela linha…e o centro de Cascais em pleno julho levou-nos até Biarritz…onde nunca fomos de férias, mas onde já sentimos o conforto de dormir no asfalto (Cannes, 1997)!CasteloTorresvedras Costaoeste

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ETERNIZAR

As flores continuam a chegar, todas as semanas, de famílias e cores distintas, à transparência reaproveitada. Todos os dias, às primeiras e últimas horas do dia, é lá que meu olhar se detém, ganhando fôlego ou repousando. Com a chegada do verão, os rostos desfocados que os verbos e as flores remetem para 2º plano conseguem eternizar murmúrios de um verão juvenil a sul onde “os dias de verão eram vastos como um reino”, como enuncia Sophia.

Para esta manhã de verão um poema e uma homilia  – «Vai e faz o mesmo»: comentário à parábola do Bom Samaritano – de D. Manuel Clemente, agora Patriarca de Lisboa.

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Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo
Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo
O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzemComo se em tudo aflorasse eternidade

Justa é a forma do nosso corpo.

 
“Os Dias de Verão”, de Sophia de Mello Breyner Andresen

ANTES EM CASA*

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O título * da crónica do Miguel Esteves Cardoso  (MEC) na sua habitual coluna no jornal Público, na passada sexta-feira, é uma boa forma de de resumir estes dois últimos dias: “Antes em casa”. Porque foi mesmo. Felizes os que tem uma casa onde preferem ficar.  Nós preferimos e ficámos, sobejamente bem. “É mais feliz ainda quem tem alguém com quem ficar em casa. (…)” . Amor e conforto, tudo isso num fim de semana dos escaldantes também no nosso “chatêau / barraco à beira de um regato”, como o MEC refere citando da música do Lupicínio e nós ouvimos com a voz da Simone. Nós havemos de fazer a nossa versão com os versos da Terra dos Que Vivem Aqui. Porque tal como ele conclui, o que este tema canta ão é uma questão de amigos apaixonados pela mesma mulher, como parece aparentemente, “o que canta é o preferir ficar em casa, na nossa casa, com o nosso amor”. Com os nossos amores, vivendo de amor!

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Nunca o nosso Benavente nos pareceu tanto o melhor lugar do mundo para ficar como este fim de semana de elevadas temperaturas. Por aqui conviveu-se com o calor da melhor forma, entre salpicos e mergulhos, ventoinhas que afinal são baloiços e bichos inofensivos que aparecem de todo o lado. Por aqui o verão fica desejável e estendem-se todas as refeições ao ar livre. Por aqui também os meninos vão aprendendo a respirar debaixo de água desde pequenos e nem um jardim com ameaça de toupeiras os assusta para as corridas. Por aqui os amigos aparecem pelo terraço adentro e mesmo sem a frescura da maresia o litoral chega-nos em aroma de proteção doce na pele. Por aqui os limões da avó encheram bilhas de limonada e os manos meteram mãos na massa com canela. Por aqui as flores e a relva pediram muita água, as coroas brincadeiras e os pássaros cantaram menos. Por aqui as noites fizeram lembrar o Alentejo e o Algarve. Relas, pirilampos, chuveiros e motores a puxar água nos poços. Noite dentro as janelas abertas fizeram com que o sono fosse aqui e ali interrompido com o cheiro a calor que a terra respira quando o sol se deita.
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