COIMBRA, UMA LIGAÇÃO UMBILICAL?

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É sobretudo uma relação de afetos a que temos com Coimbra. A cidade que para nós sempre nos trouxe vida nova. Vidas novas. Por isso regressamos sempre e várias vezes, sem que seja necessário um motivo, um lugar ou alguém. Voltamos na liberdade dos dias em que nos apetece regressar onde fomos felizes. Os nossos três filhos nasceram em Coimbra. Ali vivemos alguns dos momentos mais mágicos e inesquecíveis das nossas vidas e dos primeiros momentos das nossas grandes peripécias em família (que se multiplicam a cada visita).
Fomos de comboio, para gozo dos manos, e deixámos-nos vaguear, primeiro cidade adentro e depois  cidade acima. Desta vez não podíamos regressar sem um passeio no Mondego. Pelos entretantos, cruzámo-nos com muitos turistas e várias famílias de três, e ficámos encantados a olhar o céu apreciando as malhas dos guarda-chuvas quando a chuva se substitui com crochet solidário [1.º Festival do Croché Social]

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155# [O]PORTO SO COOL!

Por mais que se leia em revistas, portuguesas ou internacionais, por muitos comentários que nos cheguem via amigos próximos ou conhecidos da blogosfera, nada como sentir essa movida que anda à solta no Porto (muitas sugestões no PortoCool).
Como também somos essa espécie de provocadores de coincidências de histórias abensonhadas, se fomos às alianças à invicta, aqui há uns anos, deste vez regressámos para o pacto de descanso e a conversa merecida! A dois, nem mais um par de braços! Fazendo sweet home n’A FAVORITA, pensão na Rua Miguel Bombarda. Essa mesma onde já almoçámos os 4 há 2 anos, meramente ao acaso…

O tempo é sempre pouco, verdade, mas a sós até parece que estica e que todos os minutos foram infinitamente nossos. O que permitiu o passeio demorado, calcorreando Bombarda, o bairro das artes; desfrutar do sol de fim de tarde na Praça Carlos Alberto e ainda abrir finalmente a leitura de “Nenhum Olhar” do José Luis Peixoto; percorrer a feirinha que um dia também nos inspirou ao Mouva e resistir aos fatos de banho da década de 80 com esforço; seguir, em direção aos Clérigos, visitar a Lello, folhear raridades  e entrar na perdição da loja da Vida Portuguesa para abancar, de fino e amendoins, na estreita esplanada do Galeria de Paris (um restaurante bar que já foi um armazém de tecidos vendidos a metro; repleto de preciosidades em todas as paredes), onde ainda demos um pezinho de dança, a convite do Grupo Etnográfico da Universidade do Porto, em apresentação de final de tarde. Voltas e voltinhas e ainda assistimos às verdades verdadeiras que preocupam todos, ecoadas do funil, na varanda do Galeria.

À noite regressámos à rua, depois de um manjar dos deuses, que reuniu pato e atum, à luz das velas no “La bombarde”. Quais dois patetas de apaixonados, trocando passado e futuro por miúdos na companhia de um copo de vinho.  Foi talvez o melhor jantar dos últimos meses. Sem babetes e sem algazzarra. E como foi bom ouvir o nosso silêncio! Não fosse de nome e ficaria na noSSa história como a FAVORITA! Tal & qual.
Sem darmos  pelo tempo passar a noite foi passando por nós e voltámos à rua,  de novo para a zona dos Clérigos que fervilhavam de pessoas. Pelo meio Música na Praça, com os Lado Porto, na Praça Filipa de Lencastre. E BIBA o Porto, uma cidade palpitante, bonita, asseada e cheia de vida, de dia e de noite, no centro e nos arredores. Os turistas gostam, divertem-se e recomendam, segundo fomos constatanto.
Na pensão, devíamos ser dos únicos portugueses. Espanhóis, Italianos e Ingleses partilhavam o espaço moderno e luminoso, decorado em tons de branco, integrado num edifício antigo localizado no centro histórico do Porto. Nos quartos com vista para o jardim, sobrevoados pelas gaivotas, o silêncio e a calma. E nas traseiras do bairro das artes, tal como em todas as calçadas que percorremos este fim de semana, nos sentímos em desvantagem. Fregueses de um país apetecível, sobretudo se Norte. BIBA O PORTO! Porto is SO COOL.

114# WAITIN’ ON A SUNNY DAY

E apesar do vento e das temperaturas mais frescas aqui pela Palhaça, ainda temos 2 dias e meio por nossa conta.  Brilhe o SOL.
É sexta feira, bom fim de semana!!!
Nós por cá vamos continuar na boa companhia do Bruce, a aspirar areia e restos de gelado no carro, arrumar roupas de sal e sacudir toalhas. Há Feira Medieval na vila, durante o fim de semana, e amanhã amigos e crianças cá por casa. É muito bom ir, mas é ainda melhor regressar.
Vimos uma estrela do mar lindíssima, no areal do Almograve, e deve ser por isso que os nossos olhos ainda brilham!
“It’s rainin’ but there ain’t a cloud in the sky
Must have been the tear from your eye
Everything will be okay.
It’s funny thought I felt a sweet summer breeze
Must have been you sighin’ so deep
Don’t worry we’re gonna find you a way

I’m waitin, waitin’ on a sunny day
Gonna chase the clouds away
Yeah I’m waitin’ on a sunny day
(…)”

Waitin’ On a Sunny Day, Bruce Springsteen

106 # GUARDAR[E]* BAGNI SALVADORI

Hoje os caracóis secaram ao vento e o casaco veio no ombro à boleia. Uma quinta-feira perfeita para regressar a Quercianella.  Itália de boas memórias. Dias de junho de há um ano. Contemplar e ouvir esta senhora sinceritá de Arisa. Bom (RE)viver este(S) dia(S).

Che è bello ricordare. 
E’ bello vedere quelle foto, le cose che sono rimaste di noi.
Guardare che tempo fa vedevo faccia a faccia.
Lo ricordo come fosse ieri. Ricordare quei giorni insieme a non finire. 

*guardare – em italiano VER, ASSISTIR

81 # DIZBOA, PORQUE FOI MESMO

Dois dias onde nem o frio, nem o vento, nem os ataques súbitos de chuva nos demoveram.  Tivemos tempo para tudo: amigos, família, sítios, cultura e espiritualidade. Saímos da caixa, enchemos o saco, bombámos o coração e estamos de baterias recarregadas. Não tirei nem uma fotografia e no entanto tenho a memória repleta de boas memórias destes dias.

Começámos em boa e diversificada companhia,  pela vida e obra de Fernando Pessoa, na exposição “Plural como o Universo”, num dos sítios onde gostamos sempre de regressar, Fundação Calouste Gulbenkian.
Uma viagem completa ao universo de Pessoa, lendo, vendo raridades  – como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo poeta – sentindo e ouvindo as suas palavras.  Um génio que deixou um legado imenso à cultura portuguesa. Um poeta a descobrir à medida que se cresce….quais

“Girassóis sempre /Fitando o sol, /Da vida iremos /Tranqüilos,tendo /Nem o remorso /De ter vivido”. Ricardo Reis.


À tarde, a sesta de uns permitiu a aventura de outros. E que aventura, a de subir à Torre de Belém com as rajadas de vento que abanavam Lisboa naquela tarde!
O Salvador e eu, duas plumas ao vento, não demorámos  a perceber que sem corrimões facilmente nos candidatávamos ao voo sobre o Tejo.  Valeu o risco!
N
a margem norte do rio Tejo, e ao longo dos vários pisos da torre, temos 360º de vista magnífica. Entre histórias de piratas e descobridores, lá fui recordando o que um dia aprendi e recontando o possível de forma simples. A torre é uma das jóias da arquitetura do reinado de D. Manuel I, construída entre 1514 e 1520, para defesa da barra de Lisboa, mas para o Salvador o mais interessante foi mesmo descermos ao paiol, zona onde eram guardados mantimentos e presos…aquilo é que foi inventar!!!!

No regresso da torre, uma avioneta avistada das minhas cavalitas levantou uma ventania de perguntas. Tudo porque nos cruzámos com a réplica da avioneta que levou os  aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, até à Baía de Guanabara.

Apesar de tudo a primaveras estica os dias e ainda houve sábado para nos fazermos ao 28, no percurso curto, mas emocionante, dos Prazeres ao Chiado. Apinhados lá fomos espreitando o que era possível, nos interstícios  das nacionalidades que se apertavam sem fronteiras nem pudor. No regresso a folga de espaço permitiu outras emoções.VIVA o amarelinho, um micro melting plot !!!

No largo do Carmo, ainda que sacudido a vento, o lanche soube a revolução de ideias. É abril e a meia de leite da leitaria, servida em ambiente familiar e histórico, aqueceu como a conversa com a Palhaça à mesa. É o que dá sentar “jornalistas” e fontes em Lisboa…

No domingo seguimos a marginal a meias com uma corrida até à Casa das Histórias da Paula Rego onde depois da visita ainda tivemos tempo para entrar ali ao lado, no Centro Cultural de Cascais. Embora já conhecêssemos grande parte das obras de Paula Rego ali expostas, e a vista também era para conhecer o espaço, que gostei, sendo questionável o investimento ali feito. Também me agradou o alinhamento do serviço educativo e sobretudo da filosofia do acolhimento de exposições. Já no centro cultural, um espaço bem bonito, ali mesmo ao lado, foi uma boa surpresa de programação, nas duas exposições e coleção, que visitámos, mas acima de tudo de aproveitamento do edifício. Já o facto de sermos poucos nestas coisas num domingo de manhã não me surpreendeu tanto!!!


O fim de semana haveria de ser mesmo bom porque, além da vertente cultural dos dias,  nesta visita tivemos a oportunidade de viver momentos de reflexão muito bons. Primeiro na vigília de preparação do 79 da paroquia dos prazeres, para as promessas do dia seguinte. Uma paróquia confiada aos Salesianos e com quem temos afinidades familiares e um interesse particular pela admiração que temos pelo seu trabalho.
E nos salesianos continuámos no domingo, por amizades que a vida nos vai colocando no caminho. Daquelas boas, claro, como Dizboa!  A eucaristia do Estoril foi um momento de comunhão mesmo bom. Acho que a cantar se reza efetivamente duas vezes e se consegue ficar muito rente ao essencial.
Um domingo da misericórdia podia ser assim  –  fruição cultural, abraços de filhos, café com aroma a natas quentinhas, contemplação da paisagem e um salto para dentro (e depois para uma longa conversa a dois) –  a partir da homilia e de um almoço em família. Era assim que  o desejaríamos  se o tivéssemos pedido.
Dizboa, porque foi mesmo!

77# STAY (Faraway, So Close!)

Há lugares, como este,
onde apetece perder os ponteiros
e abrir livros.
Onde podia adormecer
sob o lençol macio do céu.
Lugares onde há portas de ferro enferrujadas que rangem
e nenúfares que fazem desenhos aos encontrões.
Lugares onde o sol empurra as copas das árvores para ouvir as conversas e onde há troncos tão grandes que nem oito braços abraçam.
Lugares incomuns que gostam de passar despercebidos.

No fim de semana de Páscoa um passeio pelo jardim  Botânico da Universidade de Coimbra foi como viajar pelo planeta sem sair da cidade. “No coração da cidade de Coimbra desde 1772, por iniciativa do Marquês de Pombal, estende-se por 13 ha em terrenos que na sua maior parte foram doados pelos frades Beneditinos”.

No meio de uma cidade ali andámos como num oásis de tranquilidade, entre flores,  árvores e raízes com muitos, muitos anos. Aqui e ali uma pronúncia diferente, mas sobretudo o sossego. Entre plantas, texturas, aromas e copas fomos transportados para diferentes latitudes e regiões do mundo. E quantas delicadeza naquele lugar onde apeteceu ficar.

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REGRESSÁMOS À JORNADA DIÁRIA

 “El viajero que regresa ya no es el mismo que emprendió el viaje. Ha añadido unas gotas más al frasco de su vida.  Si um viaje no te sorprende y no te cambia no vale la pena emprenderlo”. (In Viajes ABC Verano, Alfonso Armada, 13.08.2011)

 

Regressámos. Ao fim de 11 dias de viagem de novo juntos no Benavente, entre o descanso e as brincadeiras, deixando que o silêncio e as emoções preparem a nova jornada. Aquela que recomeça após esta peregrinação à Jornada Mundial da Juventude 2011, em Madrid.

Este foi o 4º encontro mundial em que participei. Depois de Paris, 1997, Roma 2000 e Colónia 2005, eis-me em familia este Agosto em Madrid. Ao longo destes 11 dias confirmámos o privilégio que é ser parte desta grande família, ser um elo nesta cadeia de crentes. Juntos sublinhámos e partilhámos o SIM permanente que vamos dando ao desafio de Jesus Cristo: sermos seus apóstolos, sermos família evangelizadora no dia-a-dia. 

A nossa igreja é esta igreja, aquela que fala todas as linguas, que vem dos quatro cantos do mundo, que segue Jesus e que é feita de pessoas, mandamentos, sonhos, esperança, perdão, sofrimento, responsabilidades, oração, desafios, carisma, eucaristia e caminhos. A igreja somos nós.

Esta peregrinação não tinha propriamente um fim: tinha sim uma extraordinária finalidade – Cristo. E como foi bom senti-lo no meio de nós, nos jovens, nas suas aspirações, nos seus sonhos, nas lágrimas, nas gargalhadas, nas palavras inspiradoras das catequeses, na paisagem de um parque do retiro repleto de grupos em oração, nas “calles” apinhadas de alegria, nos rostos satisfeitos e cansados que reencontrávamos nas orações da noite, nos aplausos no Madrid arena, no abraço de um bispo, num copo de água partilhado, no olhar emocionado de um filho encavalitado numa procissão, num sono profundo sob o olhar do crucificado e no exemplo de resistência de uma irmã peregrina de 83 anos. 
Regressámos, em família, ainda mais enraizados em Cristo, firmes na fé, conscientes que o caminho continua e de que Ele estará connosco até ao fim dos tempos. Um caminho que continuará a ser de serviço porque “Quem não vive para servir, não serve para viver!”
Para o Salvador esta foi uma viagem repleta de aventuras. A esta faceta da viagem regressarei em breve.