ESPERANÇA PORTUGAL

Tal como já tinha partilhado, no passado mês de Dezembro, com quantos são frequentes neste blog, vislumbrei finalmente alguma esperança no panorama político português com pessoas que são realmente diferentes e que estão a fazer um caminho sério, esclarecedor e bastante diferenciador em matéria política, falo claro do MEP – Movimento Esperança Portugal.

Qual não foi o meu espanto, orgulho e até uma certa felicidade, quando o Pedro me alerta para o facto do Girassol e o meu desaparecido post “Sai uma dose de esperança para a mesa 4 pff” é referenciado na revista que o site do MEP faz da blogosfera no passado 10 de dezembro. Eu sei que parece muito pouco relevante, sobretudo agora que nem sequer tenho o post que me levou aquela lista mas, para mim, teve imensa importância…fez-me reviver uma estranha sensação boa que me acompanha desde que aterrei em Turim na Primavera de 2000. A música de Sade soou nesse instante e desde aí houve tantos outros momentos que se foram ligando ao som desta música que, inexplicavelmente, se fazia presente sem eu ter nada a ver com isso, ou talvez tenha.
A sensação de estar ligada a qualquer coisa muito superior ao terreno da vida…

Falo das inexplicáveis ligações que unem mundos, emoções, crenças, ideologias e pessoas que sentem a alma do universo e tem o poder de nos estimular e motivar ao melhor que somos capazes abrindo-nos o olhar. É muito estranho e ao mesmo tão bom sentir isto que não tenho palavras…

Quem estiver interessado em saber mais, quer sobre o MEP e aquilo que propõe, pode fazê-lo pessalmente esta semana no distrito de Aveiro.

DE CUBA A INGLATERRA, A SESSÃO DUPLA DO FSM

Com o TVCine temos aproveitado para fazer algumas sessões de cinema e este fim-de-semana assistimos a 2 bons filmes, dos quais destaco Havana, cidade perdida. O filme que levámos para cama e nos fez viajar na conversa late night sobre a angústia da falta de liberdade. Pensar que ainda hoje, século XXI, há abusos e limites como os que se vive(ra)m em Cuba tirou-nos definitivamente o sono!

The lost City” (2005), em português “Havana, cidade perdida”.
Realizado e protagonizado por Andy Garcia (ele próprio um cubano de origem, longe do seu país). Um misto de documentário leve, drama e musical, Havana – Cidade Perdida pode considerar-se um excelente começo de Garcia atrás das câmaras. O filme retracta La Habana, Cuba, final dos anos 50. Um país inteiro espera, impaciente, pela Revolução que há-de tirar Batista do poder e dar lugar aos guerrilheiros do povo, Castro e Guevara, que aguardam o momento certo nas florestas da Sierra Maestra.
Uma obra bem encadeada e coerente, que consegue beirar o documentário ao focar um pouco de cada aspecto cultural e político de Cuba e, simultaneamente, cativar o espectador com a transmissão de emoções equilibradas e realistas q.b. (nomeadamente através da história de amor entre Fico e a cunhada, Aurora, protagonizada por uma discreta mas convincente Ines Sastre, ou dos acontecimentos familiares dramáticos extrapolados pela tomada do poder pelos revolucionários).
O filme fala da resistência do indivíduo contra os absurdos do poder abusivo, quer este esteja nas mãos de ditadores loucos como Fulgêncio Batista (Juan Fernandez), mafiosos capitalistas como Meyer Lansky (Dustin Hoffman) ou revolucionários carismáticos e implacáveis como Che Guevara (Jesu Garcia).
Andy Garcia é de origem cubana e também esteve exilado em Miami durante a revolução castrista, quando tinha apenas cinco anos. O filme foi rodado na República Dominicana, em Miami e em Nova Iorque.


The Other Boleyn Girl (2008), em português “Duas irmãs, um rei”.
Um filme de época com todos os ingredientes da ementa: amor, ódio, sexo, intriga, traição, corrupção, condenação, decapitação. Parte da célebre história de Henrique VIII e Ana Bolena para prender o espectador a uma intriga “de época”. É o teste no grande ecrã para o realizador britânico Justin Chadwick, que ganhou um prémio BAFTA .

Na sequência da ideia de “reconstrução de época”, este filme adapta “The Other Boleyn Girl”, best-seller de Philippa Gregory, e leva-nos até à Inglaterra do século XVI, também através de Peter Morgan, guionista nomeado para o Óscar pelo filme “A Rainha”. Saliente-se ainda que o guarda-roupa é desenhado pela duplamente oscarizada Sandy Powell. No entanto, os trunfos comerciais imediatos do filme serão sobretudo Natalie Portman e Scarlett Johansson, as duas divas que protagonizam as irmãs Bolena. O rei, o australiano Eric Bana, é conhecido do público por películas como “Hulk” ou “Tróia”. Curioso para ficarmos a saber de onde vieram os genes de Elizabeth, a Rainha.

O CORTEJO DE REIS E O REGRESSO À ESCRITA…

Os dias começam a alongar-se. Aproveito os últimos raios de sol, no Benavente, para retomar a escrita. Neste lugar as palavras alinham-se com mais cuidado no pensamento e saem pelas pontas dos dedos sem pressas. Ao longe o que resta de um dia de Cortejo de Reis, o leilão. Ouço os lances que vão sendo lançados e o remate final. Na próxima semana já saberemos quanto rendeu mais um ano de Cortejo de Reis na Palhaça. Apesar do evento ser mais do mesmo, de saber de cor os quadros da encenação e até algumas falas do auto, é um domingo onde a vila sai à rua, sabe bem estar aqui, cruzarmo-nos com pessoas que já não vemos desde a Páscoa ou desde a festa de verão.

Na Praça as mesmas famílias crescem, nos filhos, com os netos. As crianças multiplicam-se e enchem a relva de pipocas, cachecóis, brincadeiras e quedas. É também nestes encontros que reparamos como o tempo tem passado e que actualizamos os estados da vida de cada um. De um ano para o outro tanta e tão pouca coisa ou tanto pode mudar na vida das pessoas de sempre. Entre nós e porque os encontros são mais frequentes é curioso notar como o dia de reis muda a cada Janeiro.
A Carina e o Paulo já conduzem um carrinho de bebé e nele o Tomás vai conhecendo a Praça de S.Pedro. A Tuxa e o Tó Pê falam dos partos que se multiplicam no hospital de Aveiro,em Abril a felicidade que aguardam vai fazê-los entrar para as estatísticas. O Pedrinho é o homenzinho dos nossos filhos, está crescido e a primeira classe veio a revelar uma das facetas que em grupo disfarça bem, gosta de ser o engraçadinho da sala! Já o Salvador, esse reguila todo-o-terreno, reencontra os amigos da creche e ora corre para as miúdas para as cobrir de beijos ora se esconde do Fábio para logo de seguida rebolar junto com ele na relva. A Susete aparece e com ela temos 5m de paz para partilharmos a difícil gestão da vida com a família a crescer lá em casa. Enquanto ela os leva a ver os cavalos acertamos as presenças no fim-de-semana do Gerês. As ausentes estão na conversa. É este o maravilhoso mundo da amizade que mantemos vai para 26 anos!
Por aqui o sol acabou de se despedir no horizonte, as mãos começam a ficar perras com o frio, o final da tarde anuncia mais uma noite de neve. Hora de encher um cesto de lenha, meter a chaleira ao lume e escolher um bom cd. Ao longe o leilão continua ao sabor da generosidade dos Palhacenses.

NO COMMENTS

Até já,
fui alí meter a cabeça debaixo de água fria durante um tempo,
as horas suficientes para esquecer,
esquecer a irrelevância de ter mandado,
literalmente, às urtigas,
668 publicações,
e 4 anos de escrita.
Ao sabor dos dias aqui fui escrevendo,
de dezenas de destinos, solteira, casada,
partilhei centenas de músicas, algumas viagens e bons concertos,
relatei uma gravidez e partilhei com tantas outras mães esse maravilhoso mundo da fertilidade,
mandei as minhas bocas ao poder local e as minhas opiniões ao mundo.
Acabei de fazer desaparecer um giragirassol…
sem precisar dos truqes do Copperfiel…

(…respirar fundo e contar…5,4,3,2,1…)

A sorte é que passo “do estado sólido ao liquido”
ou se quiserem da euforia à profunda irritação de forma rápida.
Sei que vou, por isso, digerir rapidamente esta tragédia caseira, de final de dia, e tomar nota dos danos colaterais,
insignificantes quando comparados com tantas outras coisas que neste preciso momento também desapareceram ou nos próximos segundos vão deixar de existir!

Vendo bem as coisas era só um blog pessoal.
Eu é que tenho a mania que neste endereço se cruzam amigos,desconhecidos, cidades e destinos. Que daqui partem viagens e descobertas, emoções e cumplicidades.
Whatever!

Regresso logo que desenrole a toalha e seque a neura que acho legítima sentir neste momento.