No final da semana passada, a nossa caixa do correio foi, mais uma vez, uma caixinha de SURPRESAS. Desde que estamos no n.º 17 do Benavente que os CTT começaram a ser portadores frequentes de tesouros para esta rua. Envelopes de vários tamanhos e feitios que nos chegam de distâncias distintas e de variadíssimas cali-geo-grafias. Isto para contrariar aquilo que se diz que “ah e tal, com as redes e as internetes as pessoas deixaram de escrever e usar o correio e que nas cartas só chegam contas, infrações, multas e propaganda”. Além destas últimas, que também vamos recebendo em quantidades suficientes, temos tido sorte. A verdade é que também gostamos de dar trabalho aos distribuidores de correio, que é como quem diz: enviar cartas e postais, embrulhando tesouros de quando em vez…

Desta vez não foi apenas uma, mas duas surpresas BEM BOAS, daquelas que nos inflamam o coração de ternura, nos aconchegam a alma de boas memórias e trazem o melhor do mundo até nós. Refiro-me aos dois números da revista Nosso Amiguinho, que eu e o Salvador esperávamos ansiosamente desde Março, e a uma encomenda que veio direitinha de Leiria com um 3 em 1 repleto de detalhes que passámos de mão em mão com carinho. [Adorámos A. e nunca será de mais agradecer todo e tanto carinho teu/vosso. Foi mesmo um raio de sol num dia cinzentão a mensagem e o relato do postal, já para não falar das prendas para o Salomão e das fotografias. Mil beijossss e um XI ♥ para a vossa Serena, a primeira e, certamente, eterna amiga do Salomão... NOSSA AMIGUINHA também, claro...].

Com o Amiguinho foi um flashback até aos meus 6,7 e 8 anos, reviver a alegria da chegada mensal de cada número, rasgar o envelope, folhear de fio a pavio a revista, na altura em papel mais grosso, e creio que com bastantes menos páginas. Enfiar logo na mochila para partilharmos no intervalo do lanche. Lembro-me que éramos vários os assinantes na sala da Prof. ª Ana, mas recordo-me que no nosso grupo de oito meninas devíamos receber quase todas (corrijam-me se estou errada) e não deixávamos uma página por folhear e saber tudo com o Sabidinho. Recordo-me que o que mais me fascinava na altura já eram as pequenas curiosidades e os textos tipo notícias breves, que a revista incluía sobre acontecimentos ou efeméride. Ainda o correio da amizade para onde acho que um dia cheguei a escrever. Vou confirmar esta informação com os meus pais, agora avós do novo leitor do NOSSO AMIGUINHO. O curioso é que com o Salvador além de ter companhia para a leitura da revista de outrora, tenho quem ma leia e me passe a pente fino as adivinhas da edição de maio.
É fantástico e muito reconfortante perceber que há coisas que apesar de se modernizarem, adaptarem e inovarem, ou mesmo de não sabermos delas durante um tempo, não desapareceram e PERMANECEM na sua matriz. E um dia, como aconteceu com a revista, nos calham de novo no caminho da vida pelos melhores motivos. Neste caso de fazer NOVOS leitores, estimular a curiosidade, promover o conhecimento e a leitura. Isto para já não referir que vou mesmo gostar de ver entre as nossas revistas e jornais diários à mesa do pequeno-almoço de fim de semana a sua revista mensal. Mesmo que goste que ele pegue nos nossos jornais e vá dar com ele a ler títulos e legendas.
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