DESTE JULHO DE SEMPRE

Este fim-de-semana antecede uma semana muito especial para mim e para o Pedro. Há 10 anos, entrávamos na última semana de julho e andávamos empenhadissimos em cuidar dos últimos detalhes para a cerimónia do nosso casamento. Faltavam 5 dias para o DIA DO GIRASSOL – aquele que recordamos juntos, como um dos dias mais marcantes e felizes das nossas vidas até hoje. Nessa altura a história da nossa amizade e namoro contava 7 anos de aventuras e estávamos mais do que decididos a dar o passo seguinte e para toda a vida. Nesta viagem em que embarcámos juntos, de 2004 a 2014, já mudámos de casa, de empregos, passámos de Catarina e Pedro a mãe e pai, de dupla passámos a mão cheia de gente, acompanhámos nascimentos, casamentos, divórcios e algumas partidas de vida inesperadas. Se já nos sentíamos pessoas abençoadas, realizadas e de bem com a vida, ao longo da última década temos sido sobejamente felizes. Uma  felicidade  que depende cada vez menos de ter e cada vez mais de SER.
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Ao longo destes 10 anos nunca duvidei que nos tínha saído a sorte grande quando os nossos olhares se cruzaram à primeira hora de um novo ano (benditas passagens de ano em que a malta da vila se juntava pela noite dentro na casa cor de rosa do Dr. Carvalho). Acho que o pressentimos os dois. Naquele olhar e naquela madrugada de conversa interminável, estava o alicerce do nosso futuro: passo a passo, sem atropelos.

Juntos descobrimos e vamos aprendizendo a nossa vocação maior: a família. Enquanto as estações se sucedem e os nossos feitios mantêm, enquanto os rapazes vão apagando cada vez mais velas e nós, segundo eles, vamos ficando mais chatos, vamos constatando, ano após ano, que somos nós os grandes obreiros daquela que foi e é hoje a SORTE de nos termos um ao outro! Porque é verdade verdadinha que o amor e o respeito são a base de qualquer relação, mas sabemos bem que não se bastam, a sorte grande de uma relação bem sucedida dá muito trabalho, 365 dias ao ano, 24 horas ao dia. É bom saber que FAZEMOS TURNO juntos nesta vocação a tempo inteiro!

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Deste final de julho de 2014, para a posteridade:
as paisagens da nossa terra, onde nós crescemos e eles se fazem homenzinhos;
a apanha da batata que, segundo vai escandalizando por aí, se está a vender 1€ o saco?;
a vizinhança e todos os que nos antecederam nestas estradas, nesta vila Portuguesa onde, concerteza e com convicção,  há 50 anos se estava quase a virar uma página na história do património edificado, com a sagração da nova igreja da Palhaça;
a frescura das sombras dos álamos que nos fazem companhia desde que estamos no Benavente;
a calçada da nossa praça, agora mais ampla sem alguns arbustos que não faziam falta nenhuma;
as gargalhadas e as discussões dos irmãos;
o tom e o toque da pele de cada um deles que me deixa num jogo de adivinhas ao futuro;
as sacas de ameixoas que este ano não param de chegar de casa dos avós;
o dono do Banco que foi preso, na notícia da TV;
a escala brutal de destruição e mortes, inaceitáveis, a que vamos assistindo do conflito sem fim entre israelitas e palestinianos;

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NO MEIO DE NÓS

Os amigos são a família que escolhemos – já o escrevi aqui no blog dezenas de vezes. Não me cansarei de o repetir até ao final dos dias. Somos mesmo abençoados com a família de amigos que se foi enlaçando entre nós. Primeiro a dois e depois com eles e a partir deles os seus passaram também a ser nossos, misturando nessa roda de vida meninos e meninas que serão os zeladores e multiplicadores dessa herança. Abençoados laços que nos vão enriquecendo de experiências e vivências. Porque não há ocasiões para ser amigo, há amigos para sempre, mesmo quando não há ocasiões e as criamos propositadamente porque aperta a saudade.
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Os amigos são o núcleo que nos ampara e acolhe, que nos aplaude e aconselha, que nos acompanha e puxa para a dianteira de todos os caminhos que havemos de percorrer na vida. São eles que nos dizem todas as verdades que tantas vezes precisamos de ouvir. A frontalidade dos amigos faz milagres. Mesmo quando nos separam quilómetros de estrada, um rio ou um continente, já para não falar na montanha de feitios de que somos feitos. Para a amizade não há distâncias nem desculpas, não há vergonha nem subterfúgios. A amizade como qualquer outra relação que envolva pessoas, pressupõe respeito, tempo e cuidado. “Foi o tempo que dedicaste à tua flor que tornou a tua flor especial” (Saint Exupéry, O Pequeno Príncipe).
Os últimos fins-de-semana têm sido profícuos em cuidados. Encontros que o Verão tem o condão de multiplicar e iluminar.É sempre tão genuinamente bom o espaço e o tempo que dedicamos aos que gostamos. “Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” Mt, 18:20.

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VIVA

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Viva o verão dos dias longos com luz até às nove e meia.
Viva o ar que respiramos onde os pirilampos exibem o seu espetáculo noturno.
Viva a frescura dos gelados que lambuzam grandes e pequenos antes e depois do jantar.
Viva o calor que seca a lenha que nos vai aquecer no próximo inverno.
Vivam as flores que vão florescendo no Benavente.
Viva a rapidez dos emails e o som da motorizada da carteira quando passa aqui na rua.
Viva a lua que ilumina um céu imenso enquanto as janelas se abrem.
Viva a (nossa) praça mais catita do mundo, onde nos tratam pelo nome, e o anonimato de turistas no nosso próprio país.
Vivam os latidos dos cães e o cio dos gatos quando a noite cai.
Vivam os legumes, os ovos e a fruta que chegam de casa dos avós.
Viva o silêncio que reina quando as nossas crianças adormecem.
Vivam os beijos da despedida pela manhã e os abraços do reencontro ao final do dia.
Vivam as lembranças dos amigos e as conversas com a família.
Viva a brisa que nos agita os caracóis.
Vivam os trabalhos que nos enchem as medidas e os projetos que nos realizam.
Viva o voo das borboletas e os zumbidos as abelhas.
Vivam os talentos das pessoas que vamos conhecendo e acompanhando e as suas aspirações.
Viva e cresça a frugalidade que almejamos.
Viva a música que nos impele à dança.
Vivam as lágrimas de felicidade e o choro das quedas que rapidamente se cuidam.
Vivam os filhos: um menino que aprende a caminhar sozinho, outro que já sabe fazer “cuequinhas” e o que nos começa a competir em tamanho.
Vivam os milheirais da Terra dos Que Vivem Aqui e os álbuns que recordam que somos de todo o lado.
Viva o verão que rente à terra nos rejuvenesce a humanidade e nos faz tocar as estrelas.

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HÁ SEMPRE UMA CELEBRAÇÃO A FAZER

“Sentimos uma espécie de vergonha perante os pais que perderam os filhos. Quando os filhos de alguém morrem, parece que falhamos todos. Temos todos a obrigação tácita, humana, de cuidar que isso não aconteça. Desviamos o olhar porque nos é insuportável assumir que uma tristeza assim possa existir. Não entendemos uma tristeza assim. Fugimos-lhe.

Os meus pais perderam um filho. Cresci a ouvir contar pequenas coisas sobre ele. Palavras muito breves para não precipitarem a comoção e acabarem com cada dia. O meu irmão nunca foi um tabu, muito pelo contrário. Foi antes uma evocação que precisava de ser feita, porque de cada vez que se contava a sua história ele vivia um bocadinho outra vez. Embora fosse muito complexo. O seu desaparecimento não tem cura. Fazê-lo viver um bocadinho tem sempre um preço. Mas também tem uma oferta. Lembrá-lo é um modo de auferirmos dele. De o termos.

O rosto de Judite Sousa é-nos familiar. Faz parte da intimidade de todas as casas. Sinto que, um dia quando voltar a dizer-nos sobre as notícias do mundo, vamos descer os olhos por temer o confronto com as marcas daquela tristeza impossível. Não está à altura de ninguém medir-se com uma mãe assim. Em certo sentido, Judite Sousa tornou-se uma pessoa estranha. Uma figura escolhida para o sobre-humano. Como se lhe tivesse sido revelado um segredo, como se fosse escolhida para uma visão. Algo do foro da transcendência. Nós, que nos habituáramos à sua força e estabilidade, teremos dificuldade em normalizar qualquer relação com ela e o mais urgente é isso, que lhe reconheçamos o direito a ser normal.

A situação aberrante de se perder um filho impede a felicidade para sempre, mas eu acredito que há sempre uma celebração a fazer. A de nos constituirmos como memória daqueles que morrem e sermos ainda uma manifestação das suas vidas. Aquilo que dizia acima sobre o meu irmão, somos nós que lhe damos a vida. Nós somos essas pessoas que amámos e amamos.

Uma coisa é clara, a morte de alguém não é o mesmo que regressar a nada. A morte de alguém é algo, é um resultado. Sobra. Ela sobra. O facto de o meu irmão ter morrido não faz com que seja igual a nunca haver nascido. Ele é algo, hoje e para sempre. E é o que celebramos. Celebramos a sua existência, porque a sua morte nunca o reduzirá por completo. Nós somos-lhe a vida. E somos gratos por isso.

Quero dizer é que vale a pena. Seguramente carregados de dor e aprendendo sobre o medo, vale a pena resistirmos até que sejamos uma manifestação mais límpida da vida dos que perdemos. Até que sejamos capazes de os celebrar, homenagear, amar no sentido construtivo do amor. Eu diria que a possibilidade que houver de sorrirmos será o sorriso que também pertence a quem nos morreu. A possibilidade de alguma alegria sempre será a oportunidade da alegria que resta a quem nos morreu. Quem perdemos ganha só o que ganharmos nós. Tem só o que tivermos nós. E é muito nítido que nos desejariam o melhor. Não teremos o melhor, mas o que formos capazes de conquistar será sempre uma conquista e uma alegria partilhadas. Será sempre a alegria que lhes oferecemos também.

Quando vir Judite Sousa a falar sobre as notícias do dia, o que eu espero aconteça em breve, reconhecerei o rosto que a minha mãe teve. Depois, contará o tempo. Até que ela seja o cúmulo das suas pessoas e possa levar às suas pessoas um sorriso outra vez, celebrando-se e celebrando cada uma delas.

Eu estou sempre a querer que deus exista. Devia existir nem que apenas para isto. Um deus com uma missão precisa. Uma só missão, já seria grandioso. A de nos permitir levar um carinho a quem amamos. Porque o amor sem anúncio de retorno torna-se o mais difícil dos amores. Mas é amor. Vale sempre a pena e é, em último caso, o que justifica tudo. Mesmo que o outro não nos possa responder, sabendo bem que nos ama também, enquanto o lembrarmos valeu a pena.”

Artigo de VALTER HUGO MÃE retirado DAQUI 

Perspectivas ser SER

Salomão.Março'14.

Salomão.Março’14.

Seja ruído / seja beijo/ seja voo /seja andorinha / seja lago/ seja pacatez de árvore/ seja aterrizagem de borboleta/ seja mármore de elefante/ seja alma de gaivota/ seja luz num olhar/ sena um cardume de tardes/ e grite: JÁ SOU.

Poema ser SER, do livro “Há prendisagens com o xão (O segredo húmido da lesma & outras descoisas)”, de Ondjaki (o escritor que conheci e passei a seguir através do meu filho Salvador)

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Salomão.Julho’14.

JUNTOS

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Algarve2014_2.jpgMais de dez anos depois e voltámos ao Algarve. A cinco, com a nossa família, numa viatura lotada e algazarra QB. Foram dias bons, cansativos,  repletos de aventuras (incluindo com a carrinha, para não variar!) e de renovadas cumplicidades. Em férias com três crianças pequenas não se descansa como outrora, mudam-se os cansaços. É certo que não cozinhámos, nem tínhamos máquinas de roupa para por a lavar e estender, muito menos desarrumações para arrumar e horários para cumprir. Mas mantém-se os banhos, a gestão das refeições e das relações de implicância, de amor e ódio, normais entre irmãos de 15 meses, 4 e 8 anos, e a atenção redobrada em ambientes que não nos são familiares. Chegávamos ao final dos dias super felizes, mas sobejamente exaustos. Quem têm crianças destas idades deve entender perfeitamente o que quero dizer.
Se é para repetir?
Claro, sempre! São dias como os que passámos, repletos de luz, amor, tempo, beleza e liberdade,  que nos recordam todos os dias qual a prioridade da nossa vida: crescermos juntos e darmos graças por tudo o que nos é dado a viver cada dia!

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Encontrámos um Algarve tranquilo e sem confusões. Em 7 dias fomos a 6 praias diferentes, naquela que é a nossa zona de eleição e que passa na sua grande maioria pelas praias do concelho de Lagoa –  Marinha, Carvalho, Albandeira e Benagil – e Lagos, Praia Dona Ana. No alojamento repetimos a solução das Pousadas de Juventude, desta vez em Portimão. Desta vez também, e porque nunca o tínhamos feito juntos, fomos fazer o passeio às grutas marinhas. Elas existem um pouco por toda a costa algarvia, mas as mais bonitas localizam-se entre a Praia do Carvalho e a Praia Nova.  A Praia de Benagil é um ponto estratégico para quem quer conhecer as maiores e mais profundas grutas marinhas do Algarve. Diariamente, partem dezenas de barcos que fazem vários percursos na zona costeira algarvia, entre o Farol de Alfanzina e a Praia Nova. À hora marcada, subimos a bordo vestimos os coletes salva-vidas e abrimos bem o olhar para um sem número de belezas naturais. Adorámos a aventura!

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ESTAR AQUI

Eu sei / Que a vida tem pressa / Que tudo aconteça / Sem que a gente peça / Eu sei
Eu sei / Que o tempo não pára / O tempo é coisa rara/ E a gente só repara/ Quando ele já passou
Não sei se andei depressa demais/ Mas sei, que algum sorriso eu perdi/ Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo/ Para olhar para ti/ De agora em diante, não serei distante/ Eu vou estar aqui


Música e letra / Music By: Miguel Gameiro | Arranjo musical / arranged by: Tiago Machado

VE RÃO!

BeFunky_NarizPreto_2014.jpgVerão Pedro Tochas e Bollywood se vierem até ao QA.
Este fim-de-semana, no Quartel das Artes em Oliveira do Bairro, recebemos o  verão com ritmos Indianos e boa disposição. Hoje à noite [22h00 e por enquanto ainda há bilhetes] no Quartel das Artes um espetáculo da Bollywood Masala Orchestra, no âmbito do Festim – Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo, e amanhã [se não chover será no exterior// 18h30] a última criação de Pedro Tochas –  “Nariz Preto”  – onde até já tivemos oportunidade de participar na fase do processo criativo. Só lamento não poder assistir à apresentação das marchas na Terra dos Que Vivem Aqui, soube ontem que a marcha da Palhaça tem um tema que me é muito querido…OS GIRASSÓIS!  Vou pedir aos catraios que ficam com os avós para me fazerem a reportagem!
Porque este fim-de-semana, apesar de ser de intenso trabalho e responsabilidades, antecede uma semana de descanso a cinco, nem a brincadeira da chuva, a jogar ao esconde-esconde, com o sol me aborrece. Já estendi roupa, fiz um bolo, atendi bastantes telefonemas de público que ver vir ver o concerto de hoje, fui levar o carro à garagem para atestar o óleo, fiz sopa para o Salomão e almoço para todos e, finalmente, acabei de (conseguir) reduzir ao mínimo e arrumar 3 montinhos de roupa para uma semana vestir 3 meninos. E por falar em meninos  – tenho um filho que acabou de passar para a 3ª classe. Sinto-me a crescer, com eles!!!
Happy Summertime!

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AOS 35

“E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo, e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.”  Herberto Helder.
É assim que me sinto aos 35, por dentro do amor até somente ser possível amar tudo, e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.”
(é dos poemas mais bonitos que algum dia guardei em papel embrulhado e num cd, d”Os poetas” que não me canso de ouvir…)

AO PEITO

MEDALHA.jpgFoi a prenda mais bonita que podia ter recebido no 35º aniversário. Comoveu-me como nenhuma outra há muito tempo o fazia. Foi certeira: a forma mais delicada e bonita de resumir a essência e o orgulho do tesouro que tenho cá dentro. Dentro do peito moram todos os que habitam no meu coração, e tu, minha única e querida irmã, tens lugar cativo desde que te olhei pela primeira vez, quando tinha apenas 8 anos.
Não há obrigada que sirva a este agradecimento. Porém, há uma pessoa que te ama incondicionalmente e que tem tantas saudades tuas que às vezes parece que o seu peito dói de tanta vontade de estar a teu lado nesta nova fase da tua vida. 
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