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BONS DIAS

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Sexta-feira, 24 outubro, 8h15, o primeiro olhar à nascente desta sexta-feira.
E nesta mesma sexta-feira, 24 de outubro, pelas 7h55, há quem tenha janela com vista para o mar do Caribe.
Bom dia minha querida família e obrigada pela VISTA onde se avista esse azul maravilhoso e único.caribedajanela
Já ontem as miragens foram outras!

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Quinta-feira, 23 outubro, 19h00, no terraço de casa, na mira dos piratas da Ilha Oreo.

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Quinta-feira, 23 outubro, 18h00, em Oliveira do Bairro, olhando na direção d’Este.
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CHEIRA A LISBOA

Neste Outono que se permite ser Verão, acontecem manhãs como a de hoje, em que acordo com o cheiro a Lisboa. É possível?
São saudades. Da luz, do Tejo, das colinas, do bulício matinal, das descidas arriscadas, do Paço da Rainha para o Martim Moniz, na bicicleta ferrugenta comprada na feira da ladra por 50€ (que ainda hoje transporte meninos na vila pacata), dos recantos e da música na rua.

Descendente de ingleses, mas também de argelinos, belgas e portugueses, a cantora belga Wendy Nazaré homenageou as raízes lusitanas no seu segundo álbum, “A tire d’ailes” (2012), gravando o clipe da canção “Lisboa” na capital portuguesa, com o cantor francês Pep’s.

“Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa
Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa

Perdue entre la mer et les montagnes mentholées de Sintra
Toi tu te repères avec un nuage d’alegria
Ta seule ligne de conduite est de suivre le vent et peu importe
Des marées où tout passe, orage, tourment, pourvu qu’il t’emporte padapadapada”

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DOS TEMPOS QUE CORREM

(ou correm connosco?)
 
Após a primeira semana da Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, em que cardeais, bispos, presbíteros e leigos tiveram oportunidade de «falar claro», como pediu o Papa Francisco, vão chegando ecos de alguma esperança [ RELATIO POST DISCEPTATIONEM ] para as interrogações que entre nós (família e Cristãos comprometidos) também têm sido latentes nos últimos anos. Pena é que, como refere Luis Osório, no I do passado dia 13 (e nós por cá concordamos com ele)  A história da Igreja em Portugal foi sempre feita de resistência ao progresso…as discussões por aqui são outras. Salvo as excepções, honrosas por sinal, bispos e pretendentes, continuam palacianos e dividem o mal pelas aldeias: não estão próximos de muitos dos problemas reais das pessoas e não parecem estar próximos de Deus. Continuamos a ter uma igreja de paróquia com uma linguagem de aldeia num mundo onde elas já não existem como antes. Talvez por isso se perceba o pouco entusiasmo dos bispos portugueses quando falam do sínodo de Francisco.

Valha-nos a modernidade e acessibilidade de homens com o Frei Bento Domingues. Homens que falam de Deus e nos ajudam a ler os tempos que vivemos e a encontrar o sentido para as nossas vidas através do exemplo de JESUS, não nos deixando conformar como o mundo está.

Sim, (permito-me concordar de novo com o cronista) a Igreja portuguesa continuará a mudar… mas mais devagarinho. Só é lamentável que nos entretantos vá correndo o risco de perder (a energia e esperança de) todos os que têm Jesus no coração e ações concretas entre os homens.

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Vale a pena ler, transcrever e sublinhar a excelente entrevista de Frei Bento no Jornal I deste 13 de outubro (Por Rosa Ramos).  

“O frade dominicano continua a ser uma voz incómoda na Igreja e não tem pudor em dizer que o sexo não serve só para procriar
Trouxe a Teologia para os jornais, há mais de 20 anos e numa época em que a Igreja ainda andava às voltas com o debate sobre a evangelização nos meios de comunicação. Frei Bento Domingues fez 80 anos em Agosto e continua a ser uma voz incómoda no clero português. Defende a ordenação de mulheres, a comunhão de divorciados e não tem pudor em afirmar que o ser humano é sexual. “Somos sexo em tudo”, diz. Recentemente foi homenageado na Gulbenkian, lançou mais um livro com as crónicas que assina no “Público” desde 1992 e, apesar de ser frade dominicano a viver num convento no Alto dos Moinhos, não se esconde atrás da clausura. A conversa com o i começou pelo sínodo que está a acontecer no Vaticano: bispos de todo o mundo debatem até dia 19 as novas formas de família e a sexualidade. O monge cronista não tem medo de afirmar que “o sexo não é só procriação” e, pelo
meio, critica os interesses instalados na política e no mundo empresarial: “Isto não é mundo que se apresente”.
A Igreja está a debater a realidade das novas famílias.O que poderá sair, em concreto, deste sínodo?
Há um efeito muito concreto que já teve: dar a palavra.
Ouvir os católicos?
Sim. É evidente que o modelo é coxo, porque a reflexão está centrada só nos bispos e foram convidadas poucas famílias. Mas só o facto de existir receptividade para abrir a discussão já é positivo. Há muitas coisas, sobre a ética sexual e reprodutiva, que estão entorpecidas e encalhadas desde Paulo VI. E que fazem com que os cristãos e a própria Igreja deixem de ter algo a dizer sobre um domínio essencial da vida humana que é a sexualidade. É preciso que a Igreja faça uma  redescoberta no campo da sexualidade.
Concorda com a comunhão de divorciados?
Claro que sim. Então podem ir à missa, mas não podem comungar? É como se eu convidasse uma pessoa para jantar – porque o modelo de eucaristia que Jesus escolheu foi uma ceia, é essa a simbólica da eucaristia – e não a deixasse comer. Isso não faz qualquer sentido. Mas há a quebra de um compromisso que, segundo a Igreja, seria para toda a vida. Muitos defendem que se rompeu uma aliança. Mas há situações irreversíveis, pessoas que já não voltam ao companheiro anterior porque não é possível e que entretanto refizeram as suas vidas. Essas pessoas, agora, não precisam de ser alimentadas? A fé e a caminhada delas não necessita de ser acompanhada? No Evangelho de São Mateus lê-se que o que Deus uniu não pode ser separado pelo homem. Olhe lá uma coisa… a eucaristia, desde o começo, não é um pedido de perdão? A se pede perdão e as pessoas não se reconciliam? Qual é a palavra que, na Bíblia, é mais importante para Deus? É a misericórdia. Deus manifesta o seu poder pelo perdão e pela misericórdia. Jesus foi criticado, no seu tempo, por atender as pessoas que tinham estragado as suas vidas e por andar com aqueles que estavam classificados como pecadores. É com eles que Jesus come.
Relativamente aos homossexuais, a Igreja defende que devem ser acolhidos, desde que sejam celibatários e não pratiquem a homossexualidade. Esta concepção poderá mudar?
Tem-se dado alguns passos. Ainda me lembro, e não foi assim há tantos anos, de os homossexuais serem clandestinos. E não era só na Igreja, era na própria sociedade. Cheguei a atender pessoas, na confissão, angustiadíssimas. Julgo que também neste campo a Igreja precisa de dizer o que é autenticamente humano e acolher bem as pessoas. Mas que não se faça da homossexualidade um cartão-de-visita. Disso eu não gosto. Essas coisas do orgulho gay e afins. O orgulho que deve existir é o de sermos humanos uns com os outros. Uma outra coisa que me parece importante é a questão das uniões de facto. Todos os padres que trabalham nas equipas de preparação do matrimónio sabem que a maioria dos casais já vive em união de facto antes do casamento.
Essas pessoas estão em pecado?
O casamento é uma realidade que vai sendo – o gerúndio é propositado – e há um momento em que o casal decide fazer a grande festa do grande compromisso. Estas questões são fenómenos das sociedades. E às vezes até há muitos divórcios porque não houve uma descoberta verdadeira antes do matrimónio e a seguir ao casamento as pessoas percebem que não funciona. Viver juntos não é garantia de que o relacionamento depois bata certo. Mas a Igreja e os cristãos – porque a Igreja são os cristãos, servidos e ajudados pela hierarquia – tem de debater estas novas realidades.  Sem tabus. A Igreja não pode ser um conjunto de tabus. Muitas pessoas fazem determinadas coisas porque dizem que são um mandamento de Deus. Mas Tomás de Aquino disse: se eu faço uma coisa só porque ela foi mandada por Deus, talvez eu corra o risco de estar enganado. Talvez não seja Deus a mandar, talvez tenha sido eu a inventar. Eu só sou livre e verdadeiramente pessoa humana se tiver consciência de que faço uma coisa porque compreendo que ela é boa e evito outra porque percebo que é má. Jesus resumiu, aliás, todos os mandamentos em dois: amar a Deus e ao próximo. O Papa Francisco escreveu também sobre a hierarquia das verdades. Sim. É preciso compreender, mesmo nos nossos credos e catecismos, o que é principal e o que é secundário. Ora o que tem acontecido é que o secundário tem ocupado o espaço todo.
Quando falava, há pouco, da necessidade de a Igreja fazer uma redescoberta
da sexualidade, queria dizer exactamente o quê?
Todos os homens e mulheres são sexuais e o episcopado também nasceu de famílias. O problema é descobrir a importância da sexualidade na vida humana. O sexo não se trata só de procriação. A relação entre um homem e uma mulher não é só para ter filhos.
Então não há nada de errado com o prazer?
O prazer é essencial à vida humana. As pessoas cozinham bem porquê? Para terem prazer naquilo que comem. A questão do prazer é essencial à vida humana. Outra coisa completamente diferente é a anarquia dos sentidos. Uma sexualidade desordenada. Anárquica. Isto agora apetece-me, dá-me prazer e eu faço, mesmo que fazê-lo implique uma desgraça para a outra pessoa. Isso é egoísmo, não é prazer. E esse egoísmo pode existir na sexualidade: quero que o outro me dê prazer, mas não quero dar prazer ao outro. É dominação. O prazer é a comunhão de toda a sensibilidade, mas a sensibilidade humana é também intelectual. Não é um afecto desligado. O ser humano é todo ele sexual. Somos sexo em tudo. As mulheres de uma maneira, os
homens de outra e os dois para serem a alegria um do outro. Essa descoberta, redescoberta do valor da sexualidade, tem de ser feita. Não podemos andar a olhar para a relação sexual como um pecado. Nós não somos anjos. E o problema da sexualidade é um problema de antropologia. É o descobrir do ser humano nas suas múltiplas facetas. Não podemos pensar no prazer só em termos de pecado.
O que diz aos jovens católicos que lhe confessam que são sexualmente activos apesar de não serem casados?
O que é que lhes hei-de dizer? Não vou dar lições. O problema não é esse. O problema é perceber se o jovem ou a jovem têm uma vida sexual desorganizada, se andam a magoar outras pessoas, a fazer promessas que depois não cumprem. Aí, sim, está o pecado. O pecado na sexualidade, em jovens ou em adultos, é muitas vezes as pessoas servirem-se da sedução para enganar o outro e ter apenas umas horas de prazer.
A ideia de virgindade no casamento está, portanto, ultrapassada?
Não é só ultrapassada. O problema é que se fez da virgindade, que é uma questão biológica, um problema ético. A moral não é um tratado de fisiologia ou biologia. Uma das coisas que eu acho que a Igreja tem de rever é ajudar os casais, os jovens e os grupos a compreender uma coisa simples: tenho de ser responsável pela minha vida sexual. Faço sexo para dominar o outro ou para encontrar uma pessoa para fazer caminho com ela? Porque, às vezes, as pessoas tentam e não calha ficarem com essa pessoa. Mas ninguém deve sair magoado disso. O que eu julgo que é falta de ética são as conquistas apressadas e egoístas: acho gira aquela miúda ou aquele rapaz e vou passar uns tempos com ele ou com ela só para me divertir. Isto é que é necessário evangelizar.
Mas a questão da virgindade é importante para a Igreja. Jesus, diz-se na oração, foi concebido sem pecado.
Sim, mas repare que no Evangelho isso não é dito. O que os evangelhos da infância pretenderam transmitir é a ideia de que se este homem foi tão excepcional na sua vida adulta, essa excepcionalidade era de nascença. E construíram-se narrativas. Mesmo as genealogias são teológicas, são interpretações. Para no final se concluir que Jesus é fora de série.
E que Maria é, também, fora de série.
Maria é descoberta depois. E tiveram de se encontrar narrativas. O pior que aconteceu aos evangelhos da infância foi transformá-los numa questão biológica. Quando o que queriam dizer é que Jesus não era mais um na série humana. Era tão de Deus que foi logo um fruto do Espírito Santo. Mas as pessoas fizeram leituras hermenêuticas desses textos de tipo biológico. A linguagem toda dos evangelhos é uma linguagem simbólica, não é uma linguagem factual. Há factos, histórias e interpretações simbólicas.
Então Maria e José tiveram sexo?
Podem ter tido ou não. Para mim, se tiveram não há problema nenhum. Maria aparece como uma mulher totalmente dedicada a Jesus e que não o entende. Teve de fazer muitas transformações na sua vida, de entrar na loucura do seu filho e aparece, também ela, no meio dos discípulos à espera do Pentecostes. Maria tem de se tornar cristã, discípula do seu filho. Nos evangelhos da infância não é assim… Maria vai-se habituando à loucura do seu filho. Esta é uma imagem que acontece também nos textos do novo testamento com as mulheres. As mulheres nos evangelhos nunca pedem nada e acompanharam os discípulos quando começaram a andar junto da cruz, foram ao sepulcro fazer as celebrações que se faziam aos mortos e é a elas que Jesus aparece.
Mas na Igreja o papel das mulheres é varrer e pôr flores.
É o grande problema. Porque é que as mulheres não podem ser padres e bispos? Como houve estas sociedades patriarcais ao longo dos séculos… A luta das mulheres conseguiu muitas transformações na sociedade, mas na Igreja isso não aconteceu porque se disse que era contrário ao mandamento de Deus. E não é nada! A mudança de mentalidades é difícil. A vida humana é uma vida longa. A nossa vida, individualmente, é que é muito curta. O que eu acho é que cada geração deve abrir novas possibilidades às seguintes e não fechá-las. Há pessoas que querem sempre fechar o caminho: isto é irreformável, isto é dogmático, isto não se pode mexer. Ao fim e ao cabo isto é cortar a liberdade a Deus e dizer-lhe: ou passas por aqui ou não passas.
Nunca levou um puxão de orelhas da Igreja por pensar assim?
Nunca tive qualquer problema com o episcopado português. Só tive problemas com o cardeal Cerejeira, que não me deixava pregar. Mas depois do 25 de Abril nunca mais voltei a ter problemas.
Mas é um teólogo reconhecido e já escreveu muito. Não seria natural que, nesta altura da sua vida, tivesse um cargo de grande responsabilidade no episcopado português?
Não. E é uma coisa que nunca me passou sequer pela cabeça. Nunca gostei, quando tive responsabilidades académicas e a outros níveis. Aborrecia-me. Não tenho nada contra a responsabilidade, mas incomodava-me aquela ideia que as pessoas formam: aquele é superior, manda em nós. E há uma coisa que detesto: o carreirismo. Por vezes vejo clero mais jovem a fazer coisas para ver se trepa. Eu acho isso ridículo. Jesus já dizia que os que governam as nações oprimem-nas e ainda querem passar por benfeitores. Devemo-nos pôr ao serviço uns dos outros. Não tenho nada contra os bispos ou os cardeais, só quero que os seus cargos sejam para servir. E não sinto apetite, gosto ou competência por esses lugares.
Acha que nunca foi convidado por ter determinadas opiniões?
Eu sinto que por pensar assim há quem entenda que não posso pregar nesta paróquia ou não posso ir a este sítio. Mas isso não me causa problema nenhum. Se não querem, não querem. Deveras! Não passa mesmo por mim. Há tempos fizeram-me uma homenagem e eu fico sem saber lidar com essas coisas. Acho que a pessoa que gosta de ser lisonjeada está estragada.
Apesar de escrever na imprensa há mais de 20 anos, diz que não gosta de
escrever. Porquê?
É verdade, não gosto de escrever. Gosto é de ler e gosto de debater. Mas as crónicas foram uma grande aventura. Muitas pessoas interpretavam-nas como uma espécie de homilia de domingo.
Os pregadores dos tempos modernos precisam desta ligação aos media?
Quando comecei não havia muita coisa. O padre Rego tinha feito uma coisa pequena no “DN”. E o padre Rui Osório, no Porto, que era jornalista, escrevia às vezes no “JN”. Havia já muitas iniciativas em França, na Alemanha… uma certa descoberta dos meios de comunicação enquanto veículos de fé. Mas o problema é que ligada à pregação vem aquela ideia de que… aí vem o sermão. Uma espécie de arte da moraleja, estar sempre a insistir no que é proibido e no “deves fazer isto” e “não deves fazer aquilo”. A pregação não é isso.
O que é então a pregação?
Não é isso nem é propaganda. É dar voz aos anseios das pessoas e àquilo que, na tradição cristã, interpretamos como o projecto de Jesus. Dar sentido à vida através dele. O problema da pregação é assumir, em cada época, segundo os povos e as culturas, esse projecto de Jesus que, no fundo, é fazer do mundo uma fraternidade.

Se Jesus vivesse no nosso tempo escreveria nos jornais?
Claro. Pregaria em todo o lado. Embora… repare… nós não temos nada escrito por Jesus. Temos escritos de representantes de comunidades. É uma escrita plural. São Paulo tinha mais essa vocação de jornalista, de comunicação, estava sempre em ligação com as comunidades. Escrevendo, escrevendo… Jesus foi o projecto de dizer: é preciso mudar. Este mundo não é mundo que se apresente. Começou a pregar, anunciando que até então reinava a opressão das pessoas e que era preciso o reinado da libertação das pessoas. É este o projecto.
A nossa sociedade precisa de um novo profeta?
Nós temos imensos profetas! A profecia de que precisamos, hoje, é a da dignidade humana.
Em que sentido?
Vivemos num país em que faltam crianças, em que os mais velhos, que sustentavam as famílias, viram os seus rendimentos cortados… O primado que existe no mundo contemporâneo, e não é só em Portugal, é o primado da finança e não o do bem-estar das pessoas.
Sem finança não há bem-estar.
Não. Todos os dias ouvimos falar de como as coisas funcionam ao nível da banca e no mundo dos negócios, os milhões que se ganham e com que se mexe. Não se ouve falar dos milhões de pessoas que estão na miséria. Dignidade humana é perceber que o ser humano tem o direito e o dever de poder viver, sob o ponto de vista do ensino, da saúde, da solidariedade, da constituição da família. E quem tem os meios tem também o dever de ajudar os outros e de construir um país em que o bem de todos venha antes do bem só de alguns magnatas.
O que quer dizer é que existem recursos e que a crise que é de valores ?
Crise de valores e de juízo. As pessoas andam sempre a falar da austeridade e da falta de recursos, mas o problema, creio eu, ainda não é esse e nunca será. O problema é que os interesses financeiros vivem numa lógica que é: que lucro é que eu posso ter com isto? Em vez de se pensar no lucro que a comunidade pode alcançar. Em qualquer decisão económica, financeira ou política deve pensar-se primeiro na dignidade humana e no bem comum. E a política é o mais importante, porque é o que
olha por todos. Ou deveria olhar.
A política de hoje só olha ao poder?
O que é o poder? O verdadeiro poder é as pessoas terem saúde, poderem estudar, investigar, terem recursos para levar uma vida digna. A democracia é para dar poder a todos. Mas é algo sempre imperfeito e que é preciso ir sendo corrigida segundo os resultados. A árvore aprecia-se pelos frutos e muitas decisões políticas que se tomam devem ser corrigidas consoante o fruto que deram às populações. Agora em Portugal… esta discussão sobre o SNS, o Estado Social… O que se deve discutir é soluções. Onde estão os recursos? Onde vamos investir? Na educação? Na investigação? Ou naquelas coisas fantasiosas que dão lucro só a determinadas empresas e o resto não conta? É necessário discernimento político. Saber discernir prioridades e perceber onde podemos encontrar meios.
Há decisões que não competem só aos agentes políticos nacionais.
Então é preciso trabalhar no diálogo político. Há pouco falava da questão dos profetas dos nossos tempos. Profeta é, no sentido bíblico, o Homem clarividente. Estamos perante uma situação em que em vez de as pessoas se calarem e fecharem os olhos é preciso parar e dizer: quais são as causas da actual situação? E como poderemos inverter este caminho? Diz-se que não existem alternativas. Como é que se sabe que não há? Já se experimentou? O profeta é alguém que interpreta os sinais dos tempos. Há um problema de falta de clarividência, com os interesses de grupos, de empresas a
serem mais importantes no lucro que alguns vão ter. Mas a prazo não vão ter lucros, vai ser um desastre.
Quem faz esse papel profético em Portugal?
Actualmente há uma carência profética, em parte porque as igrejas se retraem muito para que não se diga que se estão a meter no que é da política. Quando a Igreja, hoje, para ser profética, não pode desvalorizar a política, a economia, a finança. Tem de servir de mediação, dar direcção, ajudar a perceber que há caminhos que levam ao desastre e outros que ajudam a tornar a vida mais feliz. Mas, ainda assim, vai havendo essas vozes proféticas. Há um profetismo enorme nos bairros… as pessoas que se ocupam daqueles que não têm nada para viver, os que se organizam civilmente, os voluntários que servem refeições a quem não tem o que comer. Há vozes, pessoas que compreendem que se pode fazer de outra maneira e que se substituem ao Estado, que tinha essa obrigação. Isto é um profetismo de bases, por assim dizer. Mas há vozes. O Papa Francisco apareceu como uma voz mundial.
Como é que um frade olha para os casos de corrupção que vão sendo descobertos?
Há bocado falou do problema dos valores. Esse problema não é abstracto. Cada pessoa é educada para saber dizer o que mais conta na vida? Kant dizia que o ser humano não tem preço. Só tem valor. Não pode ser um meio para ser algo melhor do que ele. As coisas é que têm de estar ao seu serviço. As pessoas corrompem-se porque têm apetites desgarrados. Pensam que fazendo este ou aquele golpe vão ser ricos e ser rico, hoje, significa tudo. É esta ideia louca de que sendo rico tenho todas
as hipóteses. E nunca penso no importante, que é: como devo fazer para desenvolver as minhas capacidades intelectuais, afectivas, relacionais? Se desde a escola, desde a família, se incutisse nas crianças a honestidade, o sentido do dever, da solidariedade, a importância do desenvolvimento das capacidades individuais para criar um ambiente bom para todos… Mas o pensamento, hoje, é outro: como é que eu posso ser melhor do que o outro? Como posso ir à frente de toda a gente? Estamos a
criar uma cultura tecnológica em que as crianças são desde logo habituadas a lidar com ipads, mas que não sabem olhar para a natureza, para o mundo e para os outros. E esta é a maior corrupção: a corrupção das relações humanas. Os pais com os filhos, o marido com a mulher, violência em casa. É-se corrupto porque se tem a inteligência e os desejos e gostos distorcidos.
Mas é mau ter desejos?
Não é mau ter desejos, desde que se deseje aquilo que vale a pena ser desejado. E a primeira coisa que vale a pena desejar é o nosso desenvolvimento com o desenvolvimento dos outros. Muita gente diz- -me que isso é conversa fiada. Mas… E assim como está o mundo… Está bem? Isto não é mundo que se apresente, e como dizia São Paulo, não nos devemos conformar como o mundo está.”
Entrevista publicada no Jornal I 
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Voltámos aos fins-de-semana típicos de Outono em que a sensação que o tempo desacelera nos dá a tranquilidade suficiente para nos concentrarmos apenas e somente no momento presente. Um presente que por estes dias conjugou vários verbos muito felizes, incluindo o NASCER.
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Este fim-de-semana foi também de regresso aos filmes, aos que foram sendo adiados sine die e aos que nos apanham no zapping: Hotel Ruanda e Crash – No limite. Dois filmes bastante provocadores: o 1.º pelo relato aterrador do que se passou no Ruanda, em 2004, a partir da história verídica de um homem  – cujo sentido de humanidade nos faz sentir tão insignificantes (que raio fazemos nó pelos outros? Pelos que sofrem, por quem aqui ou em qualquer sítio precisa de nós?); o 2.º pela forma como aborda os temas da intolerância e do preconceito.
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Demos o pontapé de saída do campeonato juntos, na Bairrada, com o café entornado de um gole ao balcão do Grupo Desportivo da Mealhada na companhia dos taberneiros mais sóbrios da manhã. Enquanto um vai fazendo de conta que é o Messi dos relvados os outros vão reinando fora das quatro linhas: alternando entre as brincadeiras com os novos amigos e os ecrãs habituais.
Entre a visita à amiga que acaba de ser mãe pela primeira vez e uma hora de catequese do 3.º ano – um contraste desconcertante de sentimentos.

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PERGUNTA DA SEMANA

What are you seeking at work?

Some people want safety and respect. They want to know what the work rules are, they want a guarantee that the effort required is both predictable and rewarded. They seek an environment where they won’t feel pushed around, surprised or taken advantage of.

Other people want challenge and autonomy. They want the opportunity to grow and to delight or inspire the people around them. They seek both organizational and personal challenges, and they like to solve interesting problems.

Without a doubt, there’s an overlap here, but if you find that your approach to the people around you isn’t resonating, it might because you’re giving your people precisely what they don’t want.

retirado DAQUI

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FOI NO MÊS QUE VEM

Chamam-lhe “um dos segredos mais bem guardado da música do Brasil”. E, apesar da era da internet e das redes sociais, não é segredo para ninguém que a obra do gaúcho Vitor Ramil – compositor, letrista, cantor e escritor – é para “uma imensa minoria”. Vitor Ramil apresenta “Foi No Mês Que Vem” no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, dia 7 outubro.

Daqui

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O QUE FICA DO QUE PASSA

Deste nosso setembro que permanece.
Um mês de adaptação com o regresso aos horários mais rigorosos e às novas atividades de todos os elementos da família.
Um mês de oportunidades: assistir a conversas interessantes sobre religião, ouvir boa música de intervenção, ver na bancada o 21 correr atrás da bola, apreciar as brincadeiras do mais novo, ver desaparecer os caracóis do irmão do meio, colher as nossas primeiras maçãs, contemplar a paisagem da nossa cidade, percorrer a vila de bicicleta, sentir o olhar de Deus sobre a nossa vida de todos os dias e viver a inquietação dos homens. Setembro foi o que fica: um tempo de crescimento e de contínua procura da nossa própria identidade. Que continuem os dias claros, limpos e lavados…

“Observou com agrado como fazia dia tão limpo, tão claro, tão lavado, e como dia assim traz às pessoas uma grande sensação de paz” João Ubaldo Ribeiro, Viva o Povo Brasileiro

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FOTO: Ana Jesus Ribeiro

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