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O NOSSO OUTONO

Quando o nosso Outono chega os meninos gostam de sentir a brisa no rosto e pedem para o balanço ser maior. Querem chegar longe, tocar nos ramos e ter paisagem de folha. As fotos ficam tremidas enquanto eles alcançam o alto. Já as folhas, que agora iniciam viagem descendente, aterram aqui e ali e vão-se acumulando, ora em almofada perfeita para a eminente queda ora fazendo soar a orquestra do pisa folhas secas…
O nosso Outono tem chegado aos poucos e sabe tanto aos outros Outonos que queremos prolongar para sempre. Reservemos um tempo para o que fica do que passa..um dia o baloiço vai ter saudades deles e dos seus pedidos para VOAR.outono2014

“Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.”
Ricardo Reis, in “Odes” , Heterónimo de Fernando Pessoa

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TRAQUINA

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Nos últimos dois anos comecei a achar que, mais tarde ou mais cedo, por ocasião de setembro, iria acabar por escrever sobre este dia. Só não desconfiava nem um bocadinho como esse dia me iria preencher o coração. Sábado foi esse dia: assistimos de bancada ao primeiro jogo do nosso traquina. À sombra de um sol abrasador, na bancada do Estádio Municipal do Vagos, e ao final de 2 semanas de várias experiências, rendi-me ao óbvio: o futebol entrou nas rotinas da família com o Traquina do FC Vaguense, Salvador Carvalho.
Eu, que passo a vida a irritar-me (desnecessariamente) com esta paixão nacional pelo futebol dei por mim rendida àquele olhar cintilante de menino a calçar as suas primeiras chuteiras a sério. A observar-lhe com detalhe os gestos, o entusiasmo e a ansiedade indisfarçável antes de entrar em campo. Qual mãe, indubitavelmente, surpreendida a ver um miúdo correr atrás da bola, como se estivesse a voar atrás de um sonho! Por vários instantes, ao longo daquela meia hora, o meu coração saltou-me do peito e foi com as nuvens sobrevoar o relvado, espantada perante a energia dos gestos daquele miúdo, a sua inquietação por todos os momentos, dentro e fora das quatro linhas,  atenta ao empenho nos passes e sorrindo com os sprints de um novato que anseia apreender tudo de uma só vez. Confesso que só não me levantei feita doida quando marcou golo porque lhe tinha prometido não dar espetáculo (e o prometido é devido). Bastou esperar que ele olhasse para nós  acenando de braços erguidos, para lhe respondermos no mesmo modo, em gesto e código (sim, estamos aqui, a ver-te, contigo, a seguir-te de perto nesta nova aprendizagem).
Setembro tem sido assim: repleto de momentos genuínos em que sentimos que o fluxo de vida deixa um rasto pronunciado de partilha.

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Em jeito de rodapé, porque de facto o resultado foi o menos importante, o jogo terminou com um empate: Traquinas A FC Vaguense – 5 –  Traquinas Febres – 5.
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CAIS

“Tão complicadamente simples, tão metafisicamente tristes! / A vida flutuante, diversa, acaba por nos educar no humano. /Pobre gente! pobre gente toda a gente!”

Ainda com o eco do poema do heterónimo pessoano Álvaro de Campos e a extraordinária interpretação do Diogo Infante em “Ode Marítima”, na passada sexta-feira, no Centro Cultural de Ílhavo, cruzo-me esta noite com este CAIS na voz de Elis Regina, versão do “Cais” de Milton Nascimento.
Nós no palco, nós no poema, nós nesta estranha forma de sermos nós. Nós, os Portugueses, sempre no cais à procura da felicidade, do momento de “me lançar” à invenção “do sonhador”. O mar sempre aqui ao lado o sonho sempre adiado.Somos nós, não somos?

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ERA UMA VEZ OS CINCO [VERÃO 2014 - capítulo verde]

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Situada junto à ponte que galga o rio Alfusqueiro, na estrada que liga Macieira de Alcoba a Valongo, a Praia Fluvial do Alfusqueiro (Préstimo) é uma das praias fluviais do concelho. Em vários pontos do rio formam-se várias línguas de areia e nas suas margens as árvores proporcionam sombras aos banhistas. Corresponde à zona serrana do concelho, já na orla da serra do Caramulo. com bonitas paisagens.

Esta praia fica a cerca de 40 m da nossa vila. Numa das tardes mais quentes do mês de agosto foi uma excelente alternativa ao horizonte de  atlântico nos areais vizinhos. Ao percorrer os últimos dois meses, numa espécie de zelo e arrumações das memórias que queremos que perdurem destes dias, descobri que há uma lenda sobre a ponte do Alfusqueiro que envolve uma fada, o diabo e um Cristão. Reza esta lenda que “O diabo nem sempre leva a melhor sobre o homem…” Curiosamente, esta deve ter sido a tarde mais tranquila dos dias de férias em agosto, com os 3 diabinhos entretidos entre o rio, as margens e o céu. Acho que algure,s entre a brisa que corria quente e uma corrida que correu comigo, uma fada verteu sobre nós os seus pozinhos de perlimpimpim…
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Sem estatuto de lenda, estou convicta que esta nossa paragem pelas margens do Alfusqueiro vai passar de boca em boca, pelos cinco, e ficar para as memórias do verão (quase) passado, no Capítulo Verde, como tantas outras estórias que começam por “Era um vez os cinco…”.
Os cinco numa tarde tranquila e sem grandes reboliços, com os termómetros a passarem a barreira dos 33º onde o tempo da tarde ficou suspenso e a manta estendida na margem do rio. Autónomos ou na sua conquista, e sempre debaixo de olho em modo controlo remoto,  houve quem experimentasse um mergulho com mais arrojo, lança-se pedras e pedregulhos no concurso de distâncias, e testasse o equilíbrio de atravessar um rio por entre as pedras e resgatasse canas artesanais que outros deixaram ao abandono. O sossego aprofundou-se depois do lanche: andaram entretidos, com a facilidade dos amigos que se fazem nas suas idades, a subir e descer pequenas pontes e a pescar os peixinhos que não sossegavam nos baldes. Na descida da serra, o regresso a casa fez-se de vidros escancarados a temperar o sono dos Tom Sawyer’s desta família…
A quatro dias de se despedir, não mentirei se escrever que foi a tarde mais bucólica de todas tardes deste Verão.
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OPORTONITY para d’BANDAR

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Nós os 5 em d’Bandada pela cidade, num dia de sol bonito. Mais uma oportunidade para vaguear pelo centro do Porto, património da humanidade, desta vez com festival de música e ruas repletas de povo. Andámos pelo jardim da Cordoaria, espreitámos a paisagem no Varandim dos Clérigos, atravessámos a Rua das Galerias de Paris e fomos até ao Mercado de Portobelo comer uma bola de berlim e espreitar as bancas. Descemos até à Avenida dos Aliados, onde um mega parque infantil faz da simplicidade de elásticos coloridos a felicidade da garotada testando a sua destreza, e subimos ao topo do edifício AXA, um labirinto de cultura onde a d’Bandada era para todas as idades: quartos e salas repletas de coisas simples e outras mais complexas, tudo bons motivos para a interação: instalações, tapetes, panelas, varandas, dj’s, murais e música, muita música.
Não ficámos para a Rita mas ouvimos o Miguel Araújoa cantar algumas das músicas favoritas dos 5 à janela do eléctrico, e mesmo sem aviões, nós vimos avionetas em acrobacias e voos rasantes e cantámos, entoando todos juntos a Dona Laura e o tema dos azeitonas. A pronúncia do norte em grande, ali na praça, debaixo do céu de verão.
Com crianças o passeio tem sempre muitas paragens e as aventuras sucedem-se. Desta vez houve quem não aguentasse a vontade de fazer xixi na viagem de comboio e nunca uma garrafa de água abandonada por um trausente me pareceu tão útil!

No regresso o cansaço vence-os. O bando, outrora tagarela e vivaço, adormece e o comboio vira camarata colectiva. São repletos estes dias, quando nós saímos em d´bandada por aí!

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BOM DIA DE CORAÇÃO INCHADO

Um bom dia do sorriso aberto do Salomão (17 meses) com uma sugestão da mãe que não se cansa de lhe(s) dar mimo todos os dias: um um blog de pai para filhos, “escrito com todo o amor que tenho dentro e fora de mim”, como escreve o próprio pai, Pedrinho da Fonseca – “No dia 29 de janeiro de 2013, pensei em escrever um livro de histórias infantis. O livro, este blog. As histórias, reais. E os infantis são meus filhos, João, Irene e Teresa (tudo bem, às vezes também entro na categoria infantil). Mas isso já seria um outro blog, uma outra história.” Um blog que é uma declaração de amor permanente e que não me canso de ler e reler. O Pedro escreve como há muito não lia ninguém e consegue traduzir sentimentos pelos filhos e pela família como eu adoraria conseguir fazer. Ao ler o seu discurso direto aos filhos comovo-me ao ponto de me inchar o coração!

bomdiaSalomao.jpgão.

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A SKY FULL OF STARS

Noites de setembro, despedidas de verão. Noites de lua cheia de um céu imenso repleto de estrelas. Um clarão que faz a luz do concerto dos grilos do Benavente.Todas as noites espetáculo gratuito. A lua, os grilos e as estrelas. Nós – o público.
Noites fantásticas deste mês de inícios e regressos, onde apetece cantar, dançar e ficar deitada debaixo do céu, simplesmente a sentir este brilho que de lá nos vai iluminando por dentro.

‘”because you’re a sky, because you’re a sky full of stars
I’m going to give you my heart
because you’re a sky, because you’re a sky full of stars
because you light up the path”

 

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