O MELHOR PRESENTE

Bonito e muito especial  💛 esta nova canção da Luísa Sobral. ‘O Melhor Presente’ é o primeiro single de ‘Rosa’, o novo que, segundo as notícias, chegará às lojas no dia 9 de novembro.

A Luísa explica: ‘Compus esta canção para explicar ao meu filho que ia ter um irmão e o que isso significaria na sua vida. Foi a primeira canção que fiz para este disco e no início até pensei não a colocar por ser tão pessoal. Mas depois lembrei-me que a beleza das canções é essa, as pessoas tornarem seu algo que começou por ser só nosso. Decidi então não só incluir a canção no disco, como fazê-la o primeiro single‘, confessa Luísa Sobral.

O videoclipe foi realizado por Filipe Cunha Monteiro com a direção de fotografia de Ricardo Magalhães e as ilustrações de Camila Beirão dos Reis, também responsável pela capa do disco.

APRENDER – VALE (MESMO) A PENA PENSAR NISTO

Nas últimas manhãs entro neste ritual por mais um ano. Releio esta crónica do Nuno Artur Silva e faço reflexões semelhantes, sobretudo do ponto de vista de mãe e de família. Também acredito que a escola de hoje já não é para ter um emprego é para ter uma vida melhor. E como? Despertando “a curiosidade pelo mundo e pela sua diversidade. É isso o essencial. E depois dar instrumentos para aguçar essa curiosidade, para a aprofundar. Ensinar a aprender.”

“O ritual matinal diário dos pais a levar os filhos pequenos à escola é a mais bela coreografia do mundo. Sempre que levo os meus filhos, fico a observar os outros pais e filhos nas suas danças de separação. Um ritual em que, todos os dias, as mesmas emoções se concentram naqueles minutos ou só segundos. Emoções, todavia, todos os dias, sempre diferentes, temperadas pelas variações e alterações da vida quotidiana, por vezes subtis, por vezes evidentes.

Os beijos, os abraços, as pequenas despedidas, as ansiedades, de uns e de outros, a alegria e os medos, até tudo se dissipar para lá da porta da escola e na cidade. Até à noite, em casa, para de novo na manhã seguinte tudo se repetir.

Depois passam-se dez, doze, quinze anos, eles são adultos e partem para o mundo. Para as universidades onde iniciam o último ciclo da sua formação geral básica, ou para outras atividades ocupacionais, laborais.

O que aprenderam nesses anos? Como se prepararam para o futuro?

Quando vejo os meus filhos e os seus colegas – tal como quando era professor, nas aulas, em frente às turmas – faço muitas vezes o exercício de imaginar como eles vão ser em adultos e o que vão estar a fazer.

Imagino como seria ter sentados, um dia, na mesma sala de aula em que foram alunos os colegas de uma turma, trinta, quarenta, cinquenta anos depois, e confrontar os seus sonhos de crianças e jovens com o que foi a sua vida até esse dia. Não há confronto dramático mais intenso do que o que temos com nós próprios, entre o que imaginámos que podíamos ser e aquilo em que a vida nos tornou, aquilo que somos.

O tempo de aprendizagem deve ser – é – toda a vida. Mas o tempo de escola é estrutural, modelar, decisivo. O que deve ser e como deve ser essa aprendizagem escolar?

A experiência de ter sido professor (de Português, no ensino secundário, durante quase dez anos) ensinou-me muito.

Dei aulas em escolas muito diferentes, em Lisboa ou na periferia de Lisboa, do final dos anos 1980 ao início dos 90: das escolas pequenas do centro, como a Veiga Beirão (do Ateneu), onde iniciei a dita carreira docente, a escolas enormes como fábricas, com turmas de quarenta alunos, como era a Ferreira Dias, no Cacém; de escolas com alunos de famílias da classe média ou média-alta, como a de São Julião, em Oeiras, a escolas com grande mistura de alunos de diferentes proveniências económicas, sociais e étnicas, como a das Olaias.

Fui professor (e também diretor de turma, coordenador da biblioteca, dinamizador de grupos de teatro e revistas da escola) e essa experiência foi das mais compensadoras que tive na minha vida, daquelas em que me senti mais útil para a comunidade.

Mas foi também um trabalho árduo, difícil, desgastante e, muitas vezes, profundamente desmotivante.

Muitas vezes, depois das reuniões de pais para discutir os problemas dos alunos, o que me ocorria era que devia fazer uma reunião com os alunos para discutir os problemas dos pais.

Outras vezes, o que me dava vontade era de discutir os problemas dos professores.

Ser professor não é fácil. Talvez hoje seja mais difícil do que nunca.

Os professores deviam ter melhores condições, claro. Ganhar mais dinheiro, claro que sim.

(Todos devíamos ganhar mais dinheiro. Menos os CEO das empresas onde a desigualdade salarial é gritante e os seus salários insultuosos).

Mas se eu fosse professor hoje, aquilo por que eu mais lutaria era por tempo. Tempo para poder preparar-me melhor para aquilo que é o mais importante: as aulas.

E o que eu mais rejeitaria é a carga burocrática que hoje pesa na vida dos professores. A asfixia administrativa que cerca os professores é inaceitável. E muito prejudicial para o essencial do ato de ensinar: a disponibilidade para o tempo da aula.

Um professor tem de ter tempo para poder preparar esse momento vital e para nele estar totalmente empenhado, focado e concentrado.

Outra questão essencial é a autonomia. De cada escola, na sua especificidade local. E do professor na sua forma de abordar o programa.

Não me esqueço da experiência que tive quando dei aulas noturnas a trabalhadores-estudantes, no Cacém. Homens e mulheres adultos que depois de um dia a trabalhar em oficinas, fábricas, ou outras empresas, como eletricistas, mecânicos e outras profissões de esforço físico, tinham aulas à noite para poderem terminar o então nono ano do liceu e poderem aspirar a uma promoção profissional.

Pelo caminho estava a disciplina de Português e eu como professor. Do programa constavam coisas como Os Lusíadas e a análise dos seus cantos e temas – o Concílio dos Deuses, a influência de Virgílio e da Eneida, a Antiguidade Clássica e o Renascimento, a forma da epopeia, a narração in media res, as estrofes, os decassílabos, etc., etc., etc…

Todas as noites ali estávamos, com eles a cambalear de cansaço, desejosos de ir para casa dormir, e eu a pensar como é que havia de fazer.

Acabávamos por passar dois terços do tempo a falar das mais variadas coisas a propósito de qualquer tema ligado a Os Lusíadas ou a Camões, o que quer que fosse – o país, os velhos do Restelo, o pessimismo, o império, o regresso das pessoas das ex-colónias, perder um olho, ter uma vida miserável e acabar por ser nome de feriado… o que quer que fosse que lhes pudesse interessar. E o outro terço, de maneira muito sucinta e resumida, o que era importante reterem sobre a matéria para o exame, não mais do que coubesse numa cábula.

Não sei se terá resultado (nuns casos talvez, noutros talvez não), mas dei o meu melhor.

Tal como nas outras aulas diurnas, com os jovens, o fiz sempre. Procurando sempre uma forma de os interessar – e se possível inspirar – com matérias que não estavam nos programas curriculares mas podiam ser portas de entrada para o que era necessário aprender.

Podiam ser músicas, filmes, livros, programas de televisão, notícias de jornais, variava muito, consoante as turmas. Mas era sempre qualquer coisa que pudesse despertar neles a curiosidade. Que é o princípio de tudo. A curiosidade pelo mundo e pela sua diversidade. É isso o essencial. E depois dar instrumentos para aguçar essa curiosidade, para a aprofundar. Ensinar a aprender.

Não para ter um emprego – não é para ter um emprego que serve a escola. É para ter uma vida melhor.

Quando penso no meu percurso de aluno desde a escola primária pública na ditadura, com reguadas acompanhadas de rezas à Virgem Maria, ao liceu no PREC, com professores saneados e aulas interrompidas, penso em como sobrevivi a tudo isso e no que ficou disso tudo. Desses programas infindáveis dados incompletamente. Dessas memorizações absurdas que fui obrigado a fazer para ter as notas necessárias para passar e seguir em frente. O que ficou disso tudo?

No meu caso, com honrosas exceções, nunca tive grandes professores, mas tive a sorte de ter os pais que tive e de encontrar nas escolas amigos estimulantes e cúmplices para a vida. Mas no liceu o que aprendi fora das aulas foi o mais importante. Foi um desperdício, quase sempre, o tempo das aulas. E não devia ter sido, não devia ser, nunca.

Como professor terei tido nos anos que dei aulas centenas de alunos. Por vezes sou surpreendido num qualquer sítio por um adulto que se dirige a mim e diz: “Não se lembra de mim, mas fui seu aluno.” Por vezes consigo descortinar naquela cara de mulher ou homem adulto a criança sentada à minha frente naquela sala de aula umas décadas antes.

Penso e pergunto sempre: “Serviu para alguma coisa?”

Hoje, quando deixo os meus filhos na escola e fico a ver-nos dançar com os outros pais e filhos a desajeitada coreografia, penso sempre como é impossível saber se o que estamos a fazer é o que é melhor para eles, o que é melhor para o mundo. Se os vai ajudar a poderem ser felizes…”

ARTIGO DE OPINIÃO de Nuno Artur Silva, ETIRADO DAQUI

 

Esta coreografia diária comove-me. É como um bailado sobre a esperança.

Espera sempre

dos momentos, algo que ao passar, te leve mais além.

Gostei muito 💛 deste novo single da Márcia -“Tempestade” – uma canção, segundo a autora “escrita a pensar no quanto ganhamos, e o quanto crescemos, quando aprendemos a vencer os nossos medos”.  E se crescemos.
Obrigada Márcia, pela boa música Portuguesa que continuas a escrever e nos dás a ouvir. E muitos parabéns pelo vídeo. Combinação perfeita.
Agora vou (continuar a) dançar.
“(…)
Dança o teu azar
enterra-o por aí
Vem passar por dentro
da tempestade
Lança-te a voar
nada como abrir
as asas ao vento
e aprender a cair
(…)”

Vídeo partilhado a partir do Canal Oficial

CRER – SENDO

A beleza é fundamental.
Felizmente, ainda há madrugadas que se preenchem de beleza. Depois de um pesadelo no armário que (n)os adormeceu vencedores e me encaixou um belo sono num beliche, acordo às duas da manhã. Fresquinha.
Nesta escuridão de breu, vamos brilhando: eu sentada na cama, como à beira Douro, toda ouvidos às canções incrivelmente poderosas de Castello Branco e os pirilampos lá fora, na expetativa das noites estreladas de Primavera.

Quatro anos após o seu álbum de estreia, Serviço – elogiado pela crítica, listado como um dos melhores discos brasileiros de 2013, com mais de 500 mil downloads e com três passagens pela Europa – o brasileiro Castello Branco lançou Sintoma, o seu segundo – e muito esperado – disco de originais. Desse “Ufolclore” – assim foi descrita pelo próprio a proposta apresentada neste disco – nascem arranjos delicados e frequências meditativas que vibram trilhando um caminho elegante, trazendo-nos, no discurso, questões evolutivas do “Ser”.

Making change (in multiples)

“It’s tempting to seek to change just one person at a time. After all, if you fail, no one will notice.
It’s also tempting to try to change everyone. But of course, there really is no everyone, not any more. Too much noise, too many different situations and narratives. When you try to change everyone, you’re mostly giving up.
The third alternative is where real impact happens: Finding a cohort of people who want to change together.
Organizing them and then teaching and leading them.
It’s not only peer pressure. But that helps.
When a group is in sync, the change is reinforcing. When people can see how parts of your message resonate with their peers, they’re more likely to reconsider them in a positive light. And mostly, as in all modern marketing, “people like us do things like this” is the primary driver.
I got a note from a reader, who asked, “Not only you, but many business authors do promotions like if I buy 2, 10, 100… (or whatever number greater than 1) copies, I get perks. Honestly, I never really got this concept. As I understand, you get the most value out of business/self improvement books, if you buy them for yourself (and when you read them in the right time of your life).”

The thing is, my goal isn’t to sell books, it’s to make change. And with Your Turn, I took the idea of changing in groups quite seriously. The site doesn’t sell single copies, only multiples (when you buy one, I send you two, etc.). Here’s what I’ve discovered after five printings of the book: When an organization (or a team, or a tiny group) all read and talk about the same book, the impact is exponentially greater.

If you want to make change, begin by making culture. Begin by organizing a tightly knit group. Begin by getting people in sync.

Culture beats strategy. So much that culture is strategy.”

 

SETH GODIN, FROM HERE

Livros e cinema

Os fins de semana continuam pouco apetecíveis para passeios, mas não faltam boas alternativas abrigadas. Os livros são sempre bons amigos. Depois da voracidade de leitura da “Soma dos Dias de Isabel Allende, Mia Couto tem-me presa em África ao seu “Jesusalém” e ao pequeno afinador de pianos  – Mwanito.

Em família vimos dois filmes biográficos: “Pele – o nascimento de uma lenda” (2017) , sobre a história de um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, da sua infância na cidade mineira de Três Corações até à consagração na Copa do Mundo de 1958 pelo Brasil, com apenas 17 anos e “A Teoria de tudo” (2015) , filme de James Marsh com Felicity Jones, Eddie Redmayne, Emily Watson.  Um filme sobre o físico britânico Stephen Hawking, que morreu na semana passada aos 76 anos, provavelmente o cientista da actualidade mais conhecido em todo o mundo e que trouxe um novo olhar sobre os buracos negros, nunca deixando de se indagar sobre a origem do Universo. Ao mesmo tempo que provocava, com humor e intelecto, o que sabíamos sobre o cosmos – tanto junto da academia como do público –, desafiava os próprios limites da vida humana.

+ sobre | JESUSALÉM DE MIA COUTO
“Jesusalém é a história de Mwanito, o menino. Um menino em África, terra de guerra, solidão e encanto. Jesusalém é também a terra sem tempo inventada por Silvestre Vitalício, pai de Mwanito que, fugido da cidade, procura a libertação numa antiga propriedade colonial. Junto com eles segue Ntunzi, o irmão mais velho e Zacarias, o antigo soldado que combateu do lado errado de todas as guerras.
Vitalício foge da cidade mas também da vida, da culpa e do tempo. Jesusalém seria a terra sem tempo nem dono, onde a solidão resgataria todas as mágoas. Ali, onde não há mulheres nem mundo, tudo é baptizado de novo e só Vitalício decide o que ali acontece. De preferência, procura que nada aconteça porque só o vazio faria sentido. O vazio e o silêncio.
O papel central do romance é assumido por Mwanito, o “afinador de silêncios”. Sobre isto, afirmou Mia Couto na apresentação da obra: “Em África, os silêncios são parte da conversa. O silêncio é uma outra maneira da palavra viver e há coisas que não podem ser ditas de outra maneira”. Mwanito personifica a paz, a única paz que Vitalício encontra e, ao mesmo tempo, a sua única ligação ao passado.
No entanto, não é possível fugir ao tempo nem ao mundo; é nesse aspecto que Jesusalém é uma história desencantada, onde a escrita poética e belíssima de Mia Couto encontra terreno fértil. A literatura ao lado do sofrimento, sem o qual não consegue viver.” [artigo retirado DAQUI]

Pessoas incríveis fazem milagres

O”Flying Seagull Project” é um colectivo de artistas que reúne clowns, músicos, mágicos, bailarinos, cineastas, educadores e especialistas na infância que trabalham, desde 2012, em alguns dos campos de refugiados mais populosos da europa.

Um projeto fantástico feito por pessoas incríveis que tornam os dias das crianças (e de todos os que se cruzam com eles) que vivem em situações de uma enorme fragilidade social menos penosos e lhes permitem aceder a um dos direitos fundamentais de qualquer criança: BRINCAR.

Vale a pena assistir ao vídeo da BBC Three